Caminhar juntos

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Nossa Senhora do indiozinho

É sempre bom a gente ver datas celebrizadas com a figura de alguém importante. 12 de dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe. É a Nossa Senhora daquele indiozinho Juan Diego lá do México que, em 9 de dezembro de 1531, teria aparecido a ele num grande gesto de carinho de mãe para com seu filho. Aliás filho, o povo mexicano. Coitado do índio!... Sua palavra devia ser acompanhada de prova robusta a ser feita ao bispo para que o fato da aparição começasse a ganhar corpo e vida. As coisas religiosas, mas sobretudo as coisas de Deus, são assim mesmo. Custam a ganhar crédito. No entanto, a misericórdia de Deus, sob o prisma mais evidente de sua graça, passa comumente despercebida como se o tempo e a vida corressem sem sobressaltos. Os fatos miraculosos convidam-nos a uma reflexão mais profunda para contemplar a glória de Deus e reconhecer o poder de seu braço, atuando em favor de suas criaturas. Mais que santa é a ousadia de uns fundada na fé e na certeza do amor de Deus. Na verdade o relaxamento espiritual faz-nos impermeáveis às constantes graças que Nossa Senhora vem nos trazer. É necessário contudo que tenhamos a vida iluminada pela fé. Ora nós nos tornamos melhores, quando nos relacionamos com pessoas vivas, alegres e saudáveis para viver num mundo, onde a confiança não nos deixa indiferentes à predileção do olhar de Deus. É um sentimento que nos deve questionar sempre : qual a qualidade do meu carinho para com a Mãe de Deus? Então a santidade nos dá a força de semente reparadora do nosso ambiente, quando Maria se põe no nosso caminho.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Preparando o Natal...

Este ano celebramos no dia primeiro de dezembro o Primeiro Domingo do Advento, acendendo na coroa do advento a vela verde. Quando se fala de advento pensamos na preparação para a festa de Natal, isto é, a chegada do Menino Jesus. É uma comemoração que acontece no mundo inteiro, embora em alguns lugares não se celebra Natal no vinte e cinco de dezembro. Mas seja como for, Natal é sempre a festa da chegada do Menino Jesus, que nos traz a alegria da salvação do homem tão esperada. A vida, com seu rompante de progresso e seu espírito de comércio, vem descaracterizando o tempo. Procura modificar o foco do interesse para marcar a época com a figura do Papai Noel, um velhinho que quer se mostrar alegre e entreter a criançada com guloseimas, balas e presentes, traduzindo não o tempo forte e salvador, mas atiçar a sanha de pessoas consumistas e tomadas de um leviano espírito, que não diz da beleza significada pelo Natal. Apenas um dia profano e consumista. Mas a gente consciente e temerosa (não medo, mas respeito à natureza humana) resgata no seio familiar a preciosidade desta celebração, preparando sua casa e enfeitando suas portas e varandas com motivos natalinos, onde aparecem as guirlandas, sinos, luzes e o presépio do homenageado, fazendo acontecer assim a força do tempo, através de orações e exercícios da piedade cristã. Aqui, então, a criançada, sem dispensar os presentes, busca a história e o verdadeiro sentido do amor de Deus, que lhes é oferecido na inocência e beleza daquela criança na manjedoura. Vem, Senhor... vem nos salvar é o refrão que ressoa neste tempo.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

27 de Novembro - Dia da Medalha Milagrosa

Amanhã é dia 27 de novembro. Neste dia, em 1830, aconteceu um fato inusitado a uma irmã da caridade da Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Enquanto Paris experimentava um clima revolucionário com a abdicação de Carlos X, Rei de França, que se espalhou rapidamente pela Europa, a freira recebia, em ares de espiritualidade tão serena quanto suave, a visita de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. E, enquanto a Mãe de Deus falava à religiosa, ao seu redor foram se formando as palavras de uma jaculatória muito conhecida nossa e recitada na oração mariana do terço : Ó Maria concebida de sem pecado original... A Senhora do Céu pisava a cabeça de uma serpente em alusão às palavras da Sagrada Escritura : Colocarei inimizade entre a tua descendência e a dela... A descendência de Maria, o Salvador Jesus, e a descendência da serpente, os sequazes do maligno : o pecado. Os trovadores marianos passaram a render-lhe os encantos num gesto de profundo amor à Virgem Maria pelos tempos afora. De suas mãos saiam luminosos raios. E, observado o fato pela freira, perguntou então à Virgem o que significavam aqueles raios e por quê havia falha de raios quando as luzes se desprendiam de suas mãos? A resposta da Virgem até hoje nos deixa em reflexão : são as graças que dispenso aos meus devotos e as falhas de luz são graças que os homens deixam de pedir aos céus. É bom e repousante meditar sobre a Medalha Milagrosa, que traz a sua imagem, como sinal das alegrias do céu e pensar nos favores que nos são destinados, quando estamos conectados à misericórdia divina.

domingo, 17 de novembro de 2013

Vai chegando ao fim o Ano da Fé

No próximo domingo, 24, festa de Cristo-Rei, a Igreja encerra o Ano da Fé, proclamado pelo ainda Bento XVI. Inspirado no Atos dos Apóstolos, emitiu uma Carta Apostólica propondo o aprofundamento desta virtude teologal no seu conteúdo e pedindo também que avaliássemos mais detidamente o nosso ato de fé em si mesmo. Foi um ano de muito estudo e reflexão. E agora está chegando ao fim dos trabalhos. É uma caminhada que nos põe diante dos olhos um caminho que começa no nosso Batismo, levando-nos a uma comunhão com Deus e uma introdução na Igreja de Jesus Cristo e que termina na vida eterna. Alerta-nos o papa para a nossa preocupação com as consequências exteriores da fé sem considerar muito o nosso ato de crer. Convidou-nos ele a redescobrir o caminho e a fixar a meta para a qual nos leva este caminho, porque o mundo vem afastando de seu meio o nosso Deus ao substitui-lo por uma presunção de que pode resolver seus próprios problemas fundado na força de seus próprios conhecimentos. Com o envolvimento desta crise do mundo, o cristão não pode aceitar a sua condição de um tempero sem força ou de uma luz esmaecida e sem brilho, incapaz de clarear, por estar perdendo a alegria de crer e o entusiasmo de comunicar a sua fé. Precisamos voltar a beber da fonte da água pura, a palavra de Jesus, e alimentar-nos pela frequência aos sacramentos. Só assim faremos a experiência da graça e da alegria. Isso nos fará fecundos e alargará o nosso coração, pois é acreditando com o coração e proclamando com a boca a nossa fé, que estaremos participando de maneira ativa e produtiva deste ano tão abençoado.

sábado, 2 de novembro de 2013

Finados : reflexão e respeito

Finados é sempre um dia de reflexão para nós que vivemos do lado de cá. Vemos o tempo revestido de certa tristeza, que não sabemos explicar. Mas claro e vivo, dentro de nós, está o pensamento voltado para os que já se foram, deixando-nos, mesmo passado o tempo, num clima de luto. E aí, para nós, que vivenciamos uma fé nos mistérios de Deus e acreditamos na sua graça, voltamos o olhar do coração para aqueles que, morrendo na amizade de Deus, aguardam, mediante uma purificação, o momento aprazado de chegarem para o definitivo abraço do Pai. Para este abraço e companhia eterna de Deus, exige-se um estado de purificação total, como condição para viver neste estado de santidade, pois Deus é santo e santo é tudo que o rodeia. Por que isso? Por causa de situações que experimentamos do lado de cá, num relacionamento com Deus que a ninguém se recomenda e cujo acerto de contas se impõe como normal geral para se viver a alegria dos justos. É a maneira de acolher a prática virtuosa de nossa humanidade muitas vezes esquecida nos nossos compromissos de criaturas. Não é uma situação de castigo, mas uma purificação de quem precisa estar limpo e, como a dizer, asseado para se assentar à mesa da visão beatífica, na companhia dos demais eleitos e convidados. É sentir a lógica natural de um quadro que se compõe. E a participação de nós, que ainda não atingimos este estágio, é suplicar a Deus em favor destes que esperam este momento de integração final na eternidade sem fim. Outras formas de apressar este encontro com Deus estão também ao nosso alcance : uma esmola, uma obra de penitência, uma indulgência. Que eles descansem em paz!...

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Por ocasião do Centenário da Mãe-Rainha

A Igreja, sempre mãe carinhosa e boa, não se cansa de recomendar a prática de um amor mais empenhado à Mãe de Deus. É um fato repetido, em oportunidade oferecida pelo tempo, especialmente quando registrado pela história, como o Ano Jubilar de surgimento da Obra Internacional de Schoenstatt. Cem anos de devoção a Nossa Senhora, num ato de consagração à Virgem, por meio de uma Aliança de amor do sacerdote José Kentenich feita com Maria, traduzindo assim o seu gesto de devoção a ela. Tão logo o Santo Padre tomou conhecimento e, sabendo desta devoção como realidade capaz de preencher e alegrar uma alma mariana, decidiu logo conceder indulgência plenária a todo aquele que, entre 18 de outubro deste ano e 26 de outubro de 2014, preencher as condições pedidas de confissão sacramental, comunhão eucarística, oração nas intenções do Santo Padre. É claro que não se trata de uma prática mecânica, mas o fiel precisa se revestir daquelas disposições interiores e querer receber o benefício destas orações indulgenciadas propostas. E você me pergunta : o que é indulgência? Entendemos por indulgência a remissão das penas devidas pelos pecados já absolvidos. Se temos algo a pagar, depois de perdoada a nossa culpa, ficamos bem diante de Deus, pois o pecado tem também consequências pelas quais devemos responder : são as penas temporais que ficam pendentes, devendo ser cumpridas. Se temos condições de cumpri-las, que o façamos. Mas se, por algum sério motivo, não temos condições de repará-las, a indulgência plenária nos deixa de alma branca diante de Deus, restabelecendo plenamente a nossa amizade com Ele. Isso é bonito e santo porque nos leva à pratica de uma fé mais decantada.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Muita coisa me questiona...

Cada vez me entristece mais o dia dedicado à erradicação da fome. Não tanto por faltar comida na mesa de alguém, mas por sentir a indiferença de tantos que dispõem desta comida e não sabem que o seu irmão está passando fome ao seu lado. Vejo isso nas nossas casas, nos nossos restaurantes, nos nossos mercados e nos nossos corações. Por que gastamos tanto com os efeitos da fome e não podemos corrigir os tantos efeitos acarretados pela fome?
O país produz e não sabe como comer o que produz. O país colhe e não sabe como recolher este alimento. Os meios de transporte conduzem e não sabem como chegar ao destino com os alimentos-mercadorias. Curioso saber que  um terço do produzido vai parar na caixa de lixo e mais lamentável ainda avaliar que um quarto do desperdício daria para alimentar os famintos da terra. Fazemos tantas contas, calculamos tantos percentuais por aí, executamos tantos investimentos e não ousamos pedir para nós a condição de viver daquele que passa fome.
E dói ainda muito mais profundamente o coração de quem vê e não tem meio de solucionar o problema o fato de ver tanta terra sem cultivo, tanta água correndo num país privilegiado  como o nosso, tanto material capaz de fertilizar e adubar a terra onde caem as sementes, terra como diz o nosso observador, já gozador, “onde se plantando dá”. O que há com este coração desumano de nossos maiores? Onde estão as boas práticas de poder  e saber lidar com a questão? Quem poderá nos servir de guia nos caminhos que levam a matar a fome de nossos irmãos? Valha-nos Deus!...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

É o dia da Mãe

Amanhã é dia de Nossa Senhora Aparecida. Vamos fazer a festa com o carinho que lhe devemos tributar. Com aquele gesto de amor que ela merece. Precisamos olhar na perspectiva dos olhos de Maria para ver nela o Filho de Deus. Por que digo isso? Porque ela é o carro-forte de um tempo que precisa se eternizar em nós. De mãos dadas com ela, especialmente nos momentos de maior intimidade com a Mãe, tomamos maior consciência do outro, nosso irmão, sentindo surgir em nós árvores de vida que levam à produção de muitos frutos para alimentar o coração e a mente de outros com coisas de Deus. Por isso ela continua a nos convidar sempre a renovar os sentimentos de nosso coração. Assim ao levantar para ela o nosso olhar suplicante como filhos que carinhosamente buscam o seu aconchego, ela, além de nos acolher com maternal ternura, se dispõe, de alma aberta e cheia de amor, a nos atender naquilo que lhe pedimos e nos inspira a buscar continuamente os meios de crescer na santidade.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Transcorrendo o dia do idoso

Envelhecer : vida cristalizada ou imagem congelada do amor Na CF-2012 falamos da saúde. E saúde implica em sentir a vida. No seu começo, no seu meio e no seu fim. No começo ela é jovem, inocente, virginal. Ao chegar ao meio é experiente e esbelta, expectante e invejável. Quando entra na reta final, merece cuidados e avaliações de seus atributos. Trouxe o indivíduo saudável até aqui. É a hora do envelhecer. Já não é tempo de empinar papagaio. Nem saltar de pára-quedas. Os cuidados são redobrados. As atenções de fora são aguçadas. Os passos medidos e calculados. A hora é de reflexão. Não vi quando a primeira ruga chegou. Nem quando esqueci os óculos presos no alto da cabeça. Nem mesmo o bastão de apoio perto da TV. A entrevista de mestrado daquela psicóloga não tinha sentido vinte anos atrás. Hoje, no entanto, ela já não tem o interesse em repetir aquela pergunta. Envelhecer é mudar de patamar. Já se olha a turma lá em baixo sem lá poder descer. Mas não se desconhecem as regras do jogo. A justiça de uma vitória ainda pode ser justificada. A linha da imaginação se desfez. Tudo é verdadeiro e permitido, real e convincente. Envelhecer é conviver com os limites sem deles poder sair. A perna não abre o passo para atingir o meio-fio do passeio. Nem os óculos ganham a posição correta no rosto para focar os objetos. Tudo parece comum e inocente. Nenhuma maldade nem perigo servem de armadilha. A liberdade é absoluta, inteira. O mundo não tem pecado. A vida é que deve prevalecer. É um consumir-se sem perder a dignidade e o direito. Por isso o vinho velho é mais saboroso e de melhor paladar. Não se perdem grandes coisas ao se envelhecer. O essencial está dentro, incubado, esperando a explosão de um grande clarão. É a melhor parte. A plenitude da verdadeira vida em nós. Sem reforma nem mutilação nem estardalhaços. Um estar inteiro em todo lugar. É o prelúdio da glorificação adquirida no início de um tempo novo. Envelhecer bem é ante-sala de uma vida melhor. É antecipar a alegria plena de um bem viver. De um tempo mais eterno. De um lugar puro e mais saudável. Sem maldades nem atropelos nem indecisões. A dignidade cria a harmonia desta antecâmara. Faz acontecer a nobreza da tensão dos sentimentos. Não há limites. Tudo é permitido, porque tudo o divino informa. É a bondade a se derramar nas coisas. Tudo é inocente. Tudo é grandioso.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Setembro vem aí...

Ainda há pouco me lembrei de uma criança que me dizia sempre : quando setembro chegar. Ela me olhava com firmeza e depois me observava que o sete de setembro era dia de desfile dos militares, na avenida, com suas fardas impecáveis, suas armas, seus brasões, suas insígnias, suas medalhas de honra e glória a marcar a presença garbosa deles como indivíduos cientes de seus deveres em defesa da pátria. Via os tímidos movimentos de seus lábios como a querer cantar o ouviram do Ipiranga, às margens plácidas...” Bonita a lembrança daquela criança que acalentava o sonho de uma pátria sem as rugas do nosso tempo, onde as arruaças preocupam o nosso espírito, tirando-nos a inocência de um mundo pacífico e de um céu estrelado. Hoje, nuvens mais pesadas nos cobrem durante dias e meses ou o semblante de um tempo carregado nos encara como se a fúria de uma tempestade nos colocasse constantemente sob sua mira. Depois de me ajeitar com o raciocínio daquela criança, pus-me a descansar com o seu mais belo sorriso a me falar da inocência e da ausência de fantasmas na sua alma. Quando setembro chegar, precisamos estar desarmados, como aquela criança, e descer para a avenida, a fim de celebrar o dia de nossa pátria. Vamos cantar a todos os pulmões, tirando do coração as provações e os perigos maiores. Teremos então uma alma inocente. Teremos sobre nós um céu cheio de luz, que os militares nos garantem, com amor à função, majestade e glória a nos entregar um país cheio de uma alegria indizível. Podemos então registrar a alma do brasileiro com a paz que desejamos e o fundamento de uma pátria que une o seu povo. Setembro já está próximo.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Aos Pais o nosso abraço...

Dia dos Pais  -  Neles encontramos a sabedoria, apesar de muito pertos de nós, a sabedoria dos antigos. Esta não pode ser deixada de lado em momento algum, mesmo que nos pareça antiquada ou fora de moda. Ali buscamos os conceitos do bem e a alegria do bem viver. Nela encontramos a ciência do justo e o amor que elimina todo excesso, quando pensamos terem sido ultrapassados os limites do companheirismo ou a crença na vivência do bem.

            A experiência deles fala alto em todos os setores da vida, mesmo quando julgamos entender daquilo que eles não entendem. E por aqui vamos compreendendo a necessidade de os filhos prestarem atenção às observações colocadas pelos seus pais no jogo de viver o bem-estar e as sutilezas da vida. E quando lhes observamos, diante de alguma advertência, que água e conselhos só se dão a quem pede, damos aqui o primeiro passo de uma derrota em algum empreendimento nosso.

            O conselho de um pai e a advertência de uma mãe dão a tábua de salvação a qualquer situação em que os filhos se metem. É preciso que tenhamos uma luz para nos dizer que aquele que ama com sinceridade aos seus pais e compreende as suas intervenções em nós, filhos, vai acumulando pela vida afora os segredos do sucesso que nos é reservado pelo bom senso e pela certeza de que o mundo é do jeito que queremos e não do modo como nos é imposto.


            Parabéns aos pais!...  Que venham com sua sabedoria e sua experiência!...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Papa entre nós

            O Papa Francisco veio ao Brasil, chegou com simplicidade de quem é simples, sorriu com o sorriso de quem sabe sorrir, falou como ninguém sabe falar e se instalou mansamente em nosso coração. Deixou sua palavra de confiança na vida. Convidou-nos a uma coragem de quem não tem medo. Deu-nos a entender coisas de que até então não tínhamos conhecimento; Amou-nos com a ternura de   quem sabe amar. Trouxe-nos para dentro de um clima de santo de um modo que ninguém mais sabe fazer.
            Ficou o tempo acertado que deveria ficar. Não avançou barreiras nem desobedeceu ao que lhe foi proposto. Cumpriu o programa que lhe foi dado sem ultrapassar os limites do bom senso. Ganhou o carinho de um povo em expectativa e correspondeu ao que o coração lhe ditou em matéria de bondade. Foi muito mais do que esperávamos. Não chegou a ser o que se desejava fora dos limites da personalidade de um santo homem. Tudo foi bom e na medida do coração de um povo que sabe acolher e amar.
            Tomou de volta o caminho de  casa o avião que o devolveu ao Vaticano, lugar da morada de Pedro, o dono dos peixes, o animador das almas, o pescador de homens. O fruto da pesca o tempo dirá. E a contar pelo que se viu, e a falar pelo que deixou, e  a avaliar pelo que  sentiu aquele que com ele passou esses dias, experimentamos a presença de Deus em tudo que aconteceu, sentimos as bordas do céu, tocamos a invisível graça de Deus. Tudo ficou registrado, escrito, pintado na alma de uma juventude, que é menina dos olhos de um Deus, que gostou de estar aqui conosco.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Saber encontrar o caminho

Um dia ouvi alguém dizer que se, na eternidade, tivesse que ouvir sempre uma música de que  gosta aqui na terra, isso seria o inferno para ele. Há muito de pensável sabedoria no que foi dito.  Assim também há um leque de conclusões a que se pode chegar com esta afirmação. Infeliz talvez o juízo que se faz com o nosso modo de pensar daqui. Se fizermos isso o nosso comprometimento com as coisas que abdicamos seria insuportável.

Há na vida oportunidade que nos é dada uma só vez.  Se não a agarrarmos, ela se afasta, de vez, de nós e a chance fica perdida de maneira irreparável. Dizem também  (e isso  podemos comprovar por nós mesmos)  que o amor passa por nós algumas vezes  e não o buscamos no lugar certo onde o podemos encontrar.  E aí, por culpa nossa, procuramos inventar histórias para justificar a nossa infelicidade. E assim a vida não tem o sabor que deveria ter. E vamos vivendo o tempo a lamentar o ocorrido.


Por outro lado nos fazemos vizinhos de uma realidade permanente que deveria morar conosco. Dentro de nós. Na nossa casa. Envolver-nos-ia com sua intimidade. Tomaria posse de nossos corações. Marcaria nossa vida com alegria, porque está à nossa disposição se oferecendo em todas as situações. No entanto, nós a rechaçamos com certa veemência e desprezo. Basta que a acolhamos e estabeleçamos com ela uma relação viva e de profunda intimidade. Ela tem a propriedade de nos dar uma eternidade feliz numa música que  eterniza o nosso bem-estar : o paraíso.  É a santidade.  Ela  se oferece a nós em toda situação.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O tempo caducou

Não temos muito a pensar. O tempo de refletir caducou. As vozes estão nas praças, nos jardins, nas ruas, nas avenidas, nos cantos da cidade. O trânsito está parado. Muitos coletivos já se recolheram, porque não adianta.  Não vão nem para  frente nem para trás. Olho para os coretos não vejo ninguém. Subo nos palanques e os sinto calados. Ninguém com quem eu possa falar, debater, discutir e estudar soluções, a quem eu dar meu voto. A inquietação cresce a cada momento. A insatisfação continua também no rosto daqueles que ficaram em casa.  Pudera!...  Também não há como se reunir. O alarido está na porta.

 Os lampejos de solução não podem ter faíscas mesquinhas. As explicações não brilham mais na inteligência. Hão de falar agora em gestos de vontade. O que poderia ter sido feito não ganha agora no tumulto explicação plausível.. Há um deslocamento de foco para a vontade do povo. Não vem como partido nem bandeira. A autoridade já não fala com vontade própria. Porque é isso que o povo quer. Ver suas necessidades atendidas. O seu sustento garantido. A sua luz acesa. Seu curativo ser trocado em tempo certo. Seu caderno anotado com ótimo. Tudo agora atesta que não é uma parte da população.


Que fazer? Pedir socorro aos céus?  Talvez seja uma boa saída para o impasse que deixa no ar o cheiro de uma fumaça negra que ninguém sabe onde vai dar. Tomara que levasse a um bom caminho, que ninguém confessa, mas sonha com ele. Onde estão os corifeus com suas falácias e sua palavra de ordem? Será que perderam as trombetas que escondiam seus últimos reais em seu intestino?  Ou querem se fazer também um de nós, com consciência limpa mas cara deslavada, cometendo a mesma afronta, que os coloca entre os algozes mais temíveis do povo?  Com certeza estão vivendo febre, calafrios e pesadelos políticos. Democracia neles!...

sábado, 1 de junho de 2013

O que penso e sinto...

Penso e acho que deve estar sendo desenvolvida uma atividade muito grande por este mundo afora sobre os conteúdos da fé cristã. Quando Bento XVI  propôs este ano como o Ano da Fé, teve sua visão muita mais voltada para a fé em si mesma, chamando a atenção dos cristãos para as preocupações com um comportamento que não desperta nem enriquece em nós esta virtude. Pode o fato  levar o cristão a uma situação de empobrecimento e até  mesmo chegar à perda   desta crença e confiança  na Palavra de Deus.  Ele falou de um tecido cultural unitário que já não mais faz sentido para o mundo de hoje.

Este modo de ver faz lembrar ainda um posicionamento do João Paulo II, que observou, numa manifestação ao Povo de Deus,  sobre a necessidade de se pregar novamente o querigma em muitos setores da sociedade, que já perderam os fundamentos de sua fé. Por quê?  Porque o homem já não se sente mais  um ser religioso, saído das mãos de Deus,  e, portanto, se diz sem religião. E vale dizer que não se sente mais compromissado com os fundamentos que pregam um Cristo como  Senhor da história. Ora, a nossa missão é nos tornar sal da terra e se perdemos o sabor deixa de existir o condimento necessário para cristianizar e deixar o mundo mais perto de Deus.


Então, o nosso batismo ficou esquecido e se tornou apenas um registro que não nos compromete.  Também não tem valor algum  neste mundo tão conturbado e sem a prática de valores duradouros. O nosso ato de fé já não aprofunda suas raízes no terreno invisível do coração de Deus, perdendo aquela relação nossa íntima e necessária com aquilo que declaramos aos nossos companheiros de caminhada. O que juramos professar diante dos outros Já se tornou vulgar e já não diz mais nada. Tanto faz como tanto fez. O mundo é de quem mais avança, de quem mais produz, de quem  for mais esperto.  Já não há mais porta que nos permita entrar em comunhão com Deus. Vivemos em convulsão.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A juventude é muito mais

Nós, jovens do tempo, somos muito visados . Há quem procura o nosso bem como há aqueles que buscam nos impingir coisas de que não somos donos.   Nem mesmo portadores de taras como querem.  Não aceitamos os desvios como elementos componentes de nossa personalidade. Mas o que se há de fazer?  Apenas vivemos como se nada estivesse a nos olhar. Como se ninguém procurasse arranjar coisas para nós. Não ficamos à parte, distraídos, alheios ao que acontece. Pelo contrário, estamos sempre muito ligados, atentos.  Não queremos deixar que nossos inimigos venham a nos roubar a paz de que gozamos.  Apesar de nos entenderem agitados e cheios de medo.

Na verdade,  nós gostamos do que fazemos. E o fazemos com alegria e prazer. Um jeito bonito de ver nossa juventude  é parar na avenida para sentir a vida vivida com sofreguidão. Ali desfilamos em carro aberto de último modelo . Cabelos soltos ao vento, olhos  fixos no arranjar da aventura.   Adrenalina na última marca do medidor. Tudo isso  nos faz alegres por demais ao vermos  a expectação de curiosos  ali  parados. É a sensação gostosa  para o jovem passar um pouco daquilo que vai na alma destes meninos afoitos e cheios de emoção. Ou, se quiser, olhar a disposição deles agarrados a um cabo de guerra, mostrando os músculos buscados numa academia para exibir às garotas seu corpo másculo de atletas.


E, por estes caminhos e modos de ser na vida, vão dramatizando a generosidade e  encenando a bondade  que trazem na alma. É  a certeza de um grande amor. Marcam o tempo e deixam na história sua imagem gravada, como sinal de uma geração, que passa enriquecendo a vida daqueles que não sabem viver. Vejam o sorriso contagiante de sua sinceridade. Olhem a ousadia que deixam estampada espontaneamente em seu rosto.  Não há maldade alguma ou traços de tristeza a carregar o seu semblante comunicando  sentimentos de derrota ou pessimismo. A vida brota com naturalidade deles, como brota a planta de um chão rico, sempre que estão presentes em nossos ambientes. É sua maneira de semear a vida.  É  a alegria explosiva  no seu tempo de viver.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

No Tempo de Pentecostes


Estamos às portas do Pentecostes.  Para muitos é uma palavra esquisita. Para outros ela é cheia de unção, de verdade e de luz.  É uma palavra de fogo que faz arder de amor os corações dos cristãos. É uma palavra que transforma, mudando o medo em uma coragem ousada com uma carga de vida e energia incomparável no meio dos homens. O Espírito de Deus, o Paráclito, tão prometido em vida de Jesus na terra, é agora derramado  em forma de dons nos corações dos cristãos. A Igreja, que somos nós, aguardou o que poderia acontecer em obediência à ordem de Jesus,  para que os seus amigos não se afastassem de Jerusalém.

Quando o Espírito, em forma de línguas de fogo, pousa sobre a cabeça de seus discípulos, o maravilhoso espetáculo de um inusitado acontecimento se dá.   E eles se põem a falar em línguas de tal modo que os diversos povos, de idiomas diferentes, ali reunidos, ouvem e entendem com perfeição, como se fosse, na sua própria língua de origem,   um ensinamento que lhes é transmitido. Muitos maravilhados buscavam entender o que significava tudo aquilo.  Todavia não faltavam as interpretações conflituosas de outros,  diante do ocorrido  por má vontade ou por não possuírem a mesma idêntica medida de luz.

A Igreja, ali reunida, transcende toda realidade terrena e se faz agora reunida  no coração de Deus. Homens todos  se sentem agora renovados pela força do alto e entram num processo de caminhada  para levar a missão de Jesus aos quatro cantos da terra, para que todos possam invocar o nome do Senhor e ganhar assim a salvação. Com o coração repleto da graça de Deus e um fogo devorador a lhe purificar a alma de suas indelicadezas e desvios de conduta, partem todos em missão, movidos por um sentimento profundo de alegria, ardor e luz.  Se assim o fizermos também nós, estaremos manifestando a glória do Senhor ressuscitado.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Redes Sociais e frequentadores


Domingo próximo  a Igreja celebra a Ascensão do Senhor. Quarenta dias depois da Páscoa, daquele domingo da Ressurreição  de Jesus. Mas é também celebrado neste domingo próximo o  47º Dia Mundial das Comunicações Sociais. O Papa sempre dirige ao Povo de Deus e a todos de boa vontade uma mensagem especial para este Dia. Ela traz um tema e o deste ano é  :  Redes Sociais :  portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização.  A Igreja empenhada no trabalho de uma nova evangelização encontra nestas redes aquela ágora onde  os cidadãos atenienses se punham a partilhar suas idéias, seus pontos de vista e suas estratégias para os problemas da Polis.

                A preocupação era a de os homens do tempo partilharem seus conhecimentos, sua ciência, seus projetos, sua doutrinas, suas filosofias.  Havia a preocupação de uma transcendência de assuntos meramente egoístas e de pouca monta, exercendo uns sobre os outros uma influência de persuasão no sentido de se comunicarem bem ao transmitirem  sentimentos e conhecimentos para a prática de uma vida prazerosa e de nível cultural. Ali iam buscar uma informação que perpassava os indivíduos como uma força de coesão e ao mesmo tempo de satisfação sem machucar nem ofender os sentimentos dos outros.

                Para que possam atender a objetivos mais altos é preciso que seus frequentadores procurem assumir o compromisso de estabelecer relações que enobreçam as aspirações do ser humano, valendo-se de expressões e discurso aceitáveis ao comum de todos. A medida é o diálogo para que se evidenciem as diferenças em proveito de uma cultura e da dignidade das pessoas.  Por isso a Comunicação Social tem ingredientes  mais humanos que levam a satisfazer às necessidades mais fundamentais da sociedade sem vulgarizar e pôr a perder um patrimônio a que tem direito toda pessoa de bem.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O de que é capaz a Juventude


A Jornada Mundial da Juventude se aproxima mais e mais. E vem bastante rapidamente. Apostar nos jovens é ganhar respostas certas, rápidas e bonitas. João Paulo II teve a feliz idéia de convocá-los para um encontro, em âmbito mundial,  numa demonstração clara de carinho e lembrança de sua importância na  construção da história. É um evento ao alcance de jovens de todas as  crenças com  pretensões  na aquisição de valores capazes de sustentar uma sociedade equilibrada, sadia e de maior esperança para os homens.

                Cada vez que ela acontece um tema é desenvolvido, debatido e estudado com afinco em meio a trabalhos incansáveis, que seus responsáveis  realizam em clima de alegria e muita festa. Este ano a festa vai ser brasileira, acontecendo na cidade do Rio de Janeiro, com o tema tirado do finalzinho do Evangelho de Mateus  : Ide e  fazei discípulos entre todas as nações. Ganhou um hino muito bonito de autoria do Pe José Cândido da Paróquia de São Sebastião do Barro Preto, em Belo Horizonte, com a mensagem de um convite para serem amigos  de Deus.

                A Cruz Peregrina ou Cruz dos Jovens, símbolo da fé católica, vem sendo levada pelos jovens aos quatro cantos da terra, desde 1983, com uma recomendação do papa de que  eles a carregassem pelo mundo  como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, Desde então os jovens acolheram entusiasticamente a proposta de João Paulo II. Ela é acompanhada também por um ícone de Nossa Senhora que é uma cópia contemporânea de um antigo e sagrado ícone encontrado na primeira e maior basílica para Maria a Mãe de Deus, no ocidente, Santa Maria Maior. E é bom lembrar :  o que têm feito os jovens brasileiros para a Jornada que vai acontecer no Rio merece o nosso respeito e admiração.

domingo, 28 de abril de 2013

Foi diferente o dia


Hoje foi um dia diferente para mim. Um grupo grande de casais se reunia em uma igreja. Mas um número grande mesmo de casais. E não era um desses encontros comuns e espalhados por aí com uma dinâmica própria e já preparada de antemão. Não.  E a cura pelo amor foi o tema proposto, mas que não viesse com esquemas nem com tarefas preparadas e organizadas, dessas que servem e se aplicam  frequentemente nos  grupos de casais. Queriam apenas surpreender a minha maneira de pensar e refletir sobre o assunto. Ampla liberdade na exposição do assunto.

                Confrontei logo com eles sobre o poder que a alma tem de pensar, querer e amar. Verbos que indicam ações ligadas diretamente às faculdades superiores do homem : inteligência, vontade e sentimentos que brotam no coração humano. Foi um caminho a construir com eles, tentando criar uma aura de espiritualidade por meios comuns do nosso dia-a-dia. Pensamos num futuro que nós não conhecemos, mas nos deixa confusos sobre aquilo que queremos. Firmamos a idéia de um porvir que é algo consciente e nos faz tomar uma decisão manifestada naturalmente pela vontade firme em decidir as coisas. Matéria que depois é apresentada ao coração, onde ganha a forma de sentimento, que pode nos ferir a alma ou causar hematomas irremediáveis no coração.

                Isso pode trazer conflitos, atritos e desentendimentos para duas pessoas que se dispõem a caminhar juntas pela vida, construindo a montagem e organização de uma família. Trocamos idéias sobre a influência da  comunicação moderna em nossa vida, como a televisão, os jornais, as revistas, o rádio, as redes de comunidades formadas na internet, que pensam por nós, agem por nós, programam por nós, mas não amam por falta de coração.  Muitas vezes não ajudam, mas atrapalham a vivência e a formação equilibrada de um núcleo-família. Propusemos a aquisição de princípios sólidos, estáveis e verdadeiros que faltam  na sociedade de hoje como remédio para curar os males modernos. Onde encontrá-los? Foi quase por unanimidade a resposta : na oração e no perdão. Fiquei satisfeito porque não foi uma imposição, mas uma conclusão de quem queria uma conversa séria.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O que há, amigo!...


Olho com certa desconfiança o FB. Praça de amigos, praça de comunicadores!...Ali todos aparecem, alguns se mostram, outros se impõem. Querem nos fazer falar a qualquer preço. E a gente vai fazendo uma avaliação silenciosa, usando critérios honestos e cheios de unção pra uns, crocantes pra alguns e vazios pra outros, que nada dizem para muita gente. Observem que alguns lhe pedem amizade e uma vez ganhada nunca lhe dirigem uma palavra de companheirismo ou uma curtição que lhe dê mais vida e mais aproximação. Fica pra gente aquela sensação de que os inimigos nos decepcionam, mas os amigos nos traem.

Não deveria ser assim, mas é a maneira mais humana de fazer um julgamento. Um gesto discreto ou um conselho manso podem revolucionar os sentimentos de alguém e levá-lo a uma avaliação mais profunda no mais completo silêncio de seu interior. É preciso pensar que cada pessoa  vai encontrar a forma mais apropriada de reagir a uma indiferença que não tinha por onde acontecer. Devemos entender  que é importante  a gente encontrar ali, na praça do coração, todas as pessoas que conquistamos como amigas. E quando as tomamos por amigas, nosso carinho e nossa atenção não podem ser limitados a um olhar que claramente  fala de indiferença.

Quem estiver com uma alma vazia de sentimentos não chame para sua sala de conversa alguém que você propositadamente não quer ver incluído como destinatário de suas confidências, de seus arroubos de alma, da  musicalidade de seu bem viver. Talvez sozinho você possa viver melhor sem provocar no espírito do outro o desgaste de um mal-estar e não se sentir culpado por aquilo que a ninguém faz bem. Chamar alguém para perto é a forma mais simples de mostrar uma amizade, Mas fazer-se indiferente, quando o outro se põe a ouvir, pensando-se amigo, é uma maneira cruel de não retribuir em nada aquilo que gentilmente conquistou.

domingo, 7 de abril de 2013

Domingo da Divina Misericórdia


A vida tem as peças e as pessoas em seus lugares. Há peças e pessoas com distintivos tão fortes que a gente se põe a pensar como isso acontece. E porque assim acontece. Assim também há pessoas que  aparecem no mundo com uma missão grandemente específica e determinada. Acreditamos estar diante de um papel que a pessoa deve desempenhar na certeza de seu destino e de uma tarefa de que ela não pode se esquivar. E o mundo ganha porque  são coisas boas da vida e a vida se qualifica porque a bondade ganha dimensões no coração do homem.

Hoje é o segundo domingo da Páscoa. E Santa Faustina é uma destas mulheres privilegiadas a quem Jesus  expressou o seu desejo : a Festa da Divina Misericórdia. Uma revelação simples, mas peremptória como gesto de amor e compaixão por aqueles que olham o túmulo vazio e sentem o corpo de seu Senhor levado para lugar onde não sabem onde é. E ficamos indagando sobre o que vem a ser Misericórdia. Bondade, como aquela inclinação natural do coração humano a fazer o bem?  Clemência, como sentido de perdão que deixa bem tanto quem perdoa como quem é perdoado?  Ou indulgência como uma capacidade que tem o homem de boa vontade em ser tolerante com os defeitos e as fraquezas do outro?

A misericórdia pedida na revelação de Jesus à Santa não tem limites nem medida nem preço. Ela não passa pelos conduites humanos, quando estes  guardam resquícios de punição. Um coração que vive o clima da clemência, da piedade, da compaixão sabe colocar para outro coração a dor, a tristeza, a fraqueza de que é capaz de sofrer.  Não quer isso para si mesmo nem para o outro. Quer tão somente se comunicar.  Quer viver a alegria de os dois se amarem em plenitude. Quer ver a vida se desabrochar em todo o seu esplendor e grandeza. Mas tudo se faz no dom da gratuidade de Deus que é infinitamente misericórdia e proteção. A Festa da Divina Misericórdia tem outros ingredientes e todos fundados no amor (de Jesus).

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Aleluia!... um grito de amor


O aleluia é todo um hino de louvor, completo, sonoro, solene, cheio de vida, retumbante ao nosso Deus. É uma palavra carregada de um sentimento tal que a alma não se contém. E fica a repetir, por muito tempo, como a viver em transe pela beleza daquilo que ela quer traduzir. Exclamação vibrante e de uma luminosidade tão grande a nos enlevar, quase em êxtase, diante do nosso Ressuscitado. Os anjos cantaram glória em Belém, nós  gritamos aleluia em Jerusalém com a surpresa de Deus aos nossos olhos na ressurreição de seu Filho.

Que expressão mais esfuziante você teria para falar de sua impactação à beira do túmulo vazio? É a hora de atualizar a palavra do Senhor Jesus, ainda em vida, quando disse que ressuscitaria no terceiro dia. Sair dos grilhões da morte e romper as barreiras!... Elas  amarravam, por já não participar do movimento de vida, os elementos até então imóveis e aniquilados. É a hora de fazer brotar a vida e recobrar o sopro que impulsiona ao movimento reconhecedor das situações do mundo. É ganhar condições e forma permanente de nova vida e novo ser.

Não dá para a alma ficar em silêncio, alimentando a concepção de alguma coisa que não mais pode ser. A novidade deste acontecimento inusitado faz surpreendente também o aparecimento incontrolável de uma emoção a agitar fortemente nossas cordas vocais num grito alucinante de alegria : Aleluia!...  aleluia!...  aleluia!... É um grito que inesperadamente ganha raízes profundas de uma renovada crença no Cristo que revive entre nós. Há variantes na manifestação básica deste aleluia, mas há concordância substancial no gesto inflamado de gritar o amor, de falar da vida.

sábado, 30 de março de 2013

Páscoa Santa


Que a Páscoa seja um tempo bonito em sua vida!...  Pense no Sábado Santo como um dia de profundo silêncio e de grande recolhimento. A alma alimenta a expectativa de uma grande luz no final da noite. As luzes apagadas, a natureza confusa e quase imóvel auscultando o surgimento de algo diferente que está por acontecer : a ressurreição de Jesus e nela o nosso renascimento para a vida em Deus. Logo mais, neste Sábado,  a Bênção do Fogo novo, do Círio Pascal, a leitura solene das Profecias, a renovação das promessas do nosso Batismo. Enfim, o túmulo vazio : a vitória de Jesus sobre a morte e o pecado.

                Cabe-nos agora não temer o novo que se abre à nossa frente. Caminhar com Jesus, porque seu amor nos envolve com uma nova vida. Que caiam os céus ou se derretam as geleiras polares ou se revolte o mar ou se cubra toda a terra de batalhas ou se engalfinhem as nações em lutas renhidas, nada devemos temer. Jesus, o vencedor, aquele que espancou as trevas se faz nosso aliado e nos estende sua mão toda vez que dele a gente precisar. É a noite que se fez misteriosa, mas que se fez também penhor de nossa segurança e certeza de que somos amados.

                Cabe-nos ainda a alegria de que não vivemos mais na solidão, embora pulsem nossos corações por não entender a grandeza deste mistério. Mesmo que o mundo nos fale outra linguagem ou os assédios da maldade queiram romper a seriedade de nosso ser, somos felizes porque temos um grande amigo, autor da vida e comunicador da luz que nos deixa sãos e salvos dos grilhões da escravidão. Assim podemos cantar, com todas as fibras da alma, o solene : Exulte de alegria dos anjos a multidão, exultemos, também nós, por tão grande libertação e toda a criação, na voz de um só coro, responder : Bendito seja Cristo Senhor que é do Pai imortal esplendor.

sábado, 23 de março de 2013

O tônus da espiritualidade


Ouvimos por esses dias muitas palavras e atitudes  que nos levaram a pensar e a falar sobre espiritualidade.  A  eleição do novo Papa vem despertando em muita gente um clima de Deus não pelo fato de ser ele um religioso, um homem de personalidade marcante, mas por ser uma pessoa que olha a vida sob um ângulo diferente.  Tem um agir que vem encantando a  todos. Verdade que a gente vê nesse jeito de o indivíduo se conduzir  certa dose de ascese.  Um esforço capaz de superar muitos atrativos do mundo ofertados à nossa sensibilidade humana.

Muitos perguntam e a gente observa essa maneira de ser que toca o coração e a mente de tantos. Deixa no ar uma questão que não sabemos responder, mas somos capazes de entender. O que é uma espiritualidade? Em que se funda e a que pode levar? Podemos sentir que há muitas maneiras que nos fazem ver e distinguir com clareza uma espiritualidade. A franciscana, inaciana, beneditina ou mesmo alguma de abrangência diferente com um matiz  social, comunitário, familiar e mesmo individual. Quando nos pomos a construir o caminho por onde devemos passar, vamos perceber o viés de cada uma.

Importante é entender que não vamos deixar a abertura deste caminho por conta de outrem. Ali nos descobrimos a nós mesmos, caminhando com a vontade de acertar e sentindo com amabilidade  a presença do outro. Ali está o amor que é a regra do nosso bem viver. Se deixarmos que a máquina pense, trabalhe e programe o que devemos fazer  por nós, por certo romperemos com tudo que nos é caro e de valor indiscutível.  É a frieza pela ausência do amor. Máquina não tem coração nem sentimentos. Então, surgem os desentendimentos, as divisões, as querelas, as brigas, as dissenções. Por quê? Porque falta-nos  a  regra fundamental da vida : o amor. Faltam-nos princípios, normas, padrões de comparação. E a vida está a nos exigir hoje normas sadias de comportamento. A sobriedade, a ternura, a bondade, o perdão, a disponibilidade para o outro se põem  como fundamento de uma boa construção. E aí você pode ver a força de um bem-viver e sentir o tônus da espiritualidade de uma vida.

domingo, 17 de março de 2013

O Papa Francisco


Acredito que nunca passou pela cabeça de alguém o nome Francisco com cara de Papa. Também penso que,  até então, ninguém tenha  sentido um Papa com o nome de Francisco.  Não soava antes como soa hoje, de maneira estranha e até misteriosa,  ver aparecer na janela do Vaticano o Papa Francisco. É uma realidade com que temos de nos acostumar.  Mas a dúvida logo se dissipou. Qual Francisco?  O de Assis, o tão conhecido e festejado pelos cristãos ou o Xavier, missionário da Índia, o Apóstolo do Oriente?

Agora vemos que o confronto  é o jogo mais acertado. Tem traços tanto de um quanto  do outro. De grande espírito missionário de um como amigo dos pobres, herança do outro. Já demonstrou pelas poucas horas de pontificado que se trata de um grande homem de Deus. Homem de oração, de humildade, amigo dos que sofrem. Homem do povo. De um amor sensível por aqueles que são filhos de Deus, sem deixar de lado a pessoa humana como obra divina. Homem respeitado e de profunda  cultura religiosa e teológica.

Seu gesto de pedir que o povo rezasse sobre ele, antes de sua bênção papal, ao inclinar profundamente a cabeça no balcão da janela  da Praça São Pedro, diz  da profunda e teológica  dimensão do enraizamento de seu batismo na sua vida  ao proclamar a força do sacerdócio comum dos fiéis ganhado nas águas batismais. Assim, a cada momento, somos surpreendidos com gestos e atitudes proféticas que já estão marcando a nossa Igreja  bem  como apontando a direção que ganhará o seu pontificado.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Como ver a renúncia do Papa


Quando superamos as dificuldades colocadas diante de nós, fazemos um profundo ato de fé nas coisas boas, que ainda  encontramos num mundo tão revolto e perturbado com as coisas do espírito. É um mistério, que se vive, ao ter de lidar com situações tão adversas e ao mesmo tempo tão próximas da realidade, mas que não  nos parecem reais por  advirem de um campo  cheio de surpresas e interrogações. Mas a realidade daquilo que se faz objeto de nossa crença, precisamos entender, é algo que está fora de nós e  que, ao mesmo tempo, está presente em nós, como  lugar de nosso agir e viver na certeza de saber que estamos fazendo o que é certo.

                Neste proceder, damos o nosso assentimento num gesto puramente humano que toma o caminho da certeza ou se resvala na encosta  da opinião. E sabemos bem que diante a da verdade não temos  como declinar, quando, diante da contingência,  a coisa pode ser ou não ser, porque colocamos a nossa confiança naquilo que pode ser ou não a verdade. São critérios humanos e ordenamentos divinos como fundamento de nosso ato de afirmar ou negar, de pôr ou abster-se de um ato, de falar ou silenciar, de avançar ou recuar diante da realidade. É pelo fato de a gente ver o mundo com os olhos de Deus, que eu ponho o meu ato  de fé. Daí ser diferente o fato para dois indivíduos que usam  de prismas diferentes.

                Por isso, não vivemos a fé em vista de segurança ou de atenção que alguém nos possa devotar. Temos nela a vivência de um mistério em que estamos envoltos e nos fazemos presentes no mundo, a partir daquilo que Deus espera de nós para   preencher validamente nossa função, naquele lugar da criação, que nos foi destinado por Deus. E aqui é bonito, neste Ano da Fé, o homem de hoje sentir a força e o  subjetivo de que  se reveste a renúncia de Bento XVI. Somente assim podemos ver a exigência da fé neste gesto de renúncia. Então, podemos perguntar qual o significado disto pra você, cristão ou não, letrado ou iletrado, frio cientista ou convicto filho de Deus? Ou reformulemos os nossos conceitos científicos ou as nossas frustradas razões de fé para compreender um pouco do que está acontecendo.  Ou então não vamos entender nada de nada.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Um santo ainda de pé


Estou na expectativa cristã. Sim, é uma expectativa com sentimento restrito, pois se trata de assunto  que não interessa, de maneira tão premente assim, a muitas pessoas.  Em verdade, o interesse nosso tem conotações diferentes e fala muito mais ao espírito que nos constitui do que ao espírito do mundo que tem sua marca num individualismo que não se importa com ninguém. O mundo quer poder. Tem necessidade de registrar sua identidade com o grito de uma razão que só lhe serve como instrumento de conquista. Objetiva-se no jogo de interesses escusos  e usa dos meios  de quem parece se envolver com algo que em nada quer e não lhe diz respeito.

No entanto, quer estar focando um quadro que ele acha não ter moldura, mas lhe interessa na medida de um fato que todos comentam e ele não pode ficar de fora para não dar ensejo ao alheamento sobre o mosaico de um mundo moderno. O papa vai se recolher aos moldes de uma vida monástica, vai entregar-se por inteiro ao clima da oração, a fim de doar-se em alma e espírito à comunhão de sua Igreja. Ao renunciar ao cargo de sucessor de Pedro, assume uma nova postura em função de um projeto maior que é a promoção de uma Igreja mais viva e dinâmica no anúncio do Evangelho.

Alguém, no mundo de hoje, teria um desprendimento deste!... A sua mensagem com este gesto, longe de ser um fracasso, é um ato de pura coragem, fruto insofismável das luzes do Espírito de Deus e da certeza de sua presença nos caminhos da Igreja. A serenidade com que encarou uma situação, tão inusitada quanto pessoal e de pureza de responsabilidade, fez a Igreja balançar na tradição de seus fundamentos e sentir que o Cristo, mais do que nunca, fala alto e com autoridade no seu trabalho evangelizador nos campos de um mundo que se quer moderno. Seu contato com Deus, nos moldes de uma vida contemplativa recolhida às medidas  e paredes de um mosteiro no Vaticano, dá-nos uma visão, quase material e física,  de um homem de Deus diante de seu Criador. Ad majorem gloriam Dei.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um outro modo de sentir a graça de Deus


O Papa renunciou. Como o forte e estridente som de uma bigorna, a notícia me feriu com muita dor e corte profundo na carne da minha sensibilidade. E olhe que ouvi  o relato de uma freira num local mais do que privilegiado : o santuário da Serra da Piedade. Fato que jamais poderia pensar em receber  de uma religiosa e num lugar onde fui cumprir o propósito de uma peregrinação ao celebrar o Ano da Fé como gesto e exercício de piedade cristã. Ano proclamado pelo papa renunciante.
Ouvi mil coisas, umas reprovando e outros aplaudindo como decisão sábia e corajosa. Os motivos não ficaram bem claros ou não convenceram muito. Pode haver motivos maiores escondidos debaixo desta cinza. Mas quem somos nós para tal julgamento, quem para avaliar e fundamentar este proceder. Verdade que a maneira interna da Igreja de ver as coisas é diferente e muito do modo de enxergarem os olhos do mundo, Por quê? Porque o leitmotiv da Igreja de se conduzir é totalmente diverso do que o mundo pratica.
                Seja como for  ou seja como querem interpretar, todos têm sua razão e seu modo de sentir e se  expressar. Valores do mundo : poder, honra , cargo, autoridade, sucesso, presença marcante e reconhecida...  talvez não seja este o modo como um religioso vê as coisas. Dizem de ato de grandeza e de coragem. Digam o que quiserem, mas também vejo, à minha maneira, como cristão inserido num mundo de valores confrontantes. A lição que Bento XVI nos deixa ou melhor ministra  aos homens da Igreja de nosso tempo é muito  grande e de ensinamento muito forte de amplitude e abrangência mesmo milenar.
Vale pedir e lembrar  :  Oremus pro pontífice nostro.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O caminho é pra todos


Sempre que a gente vê a vida dos santos ou participa de uma festa em homenagem   a algum deles, a gente começa a acreditar que a santidade está ao alcance de todos nós. Folheio sobre a vida de um, repasso a história de outro e vou me convencendo mais de que é realmente possível ser santo, apesar de estar o mundo  procurando puxar o nosso tapete a cada momento. Outro dia mesmo, dia 25, foi a festa de São Paulo. Eh... aquele que caiu do cavalo, quando, perseguindo os cristãos, se viu irremediavelmente envolvo nos braços de Jesus. Santo temperamental, mas de profunda sensibilidade.
                31 último foi dia de celebrar São João Bosco. Eu me lembro do tempo de garoto. Quando via os meninos salesianos correrem atrás de uma bola, eu me punha  a pensar  sobre o que levou o santo a  uma pedagogia tão certeira que fez meninos desalojados na vida a se enquadrarem num esquema educacional tão eficiente como aquele. A luz de Deus bate na alma, revelando  todos os seus cantinhos para realçar valores que podem ser de grande valia para a sociedade, quando praticados e vivenciados na prática do amor cristão.
                Vemos exemplos e continuamos cegos a valores que permeiam entre nós como a sobrar e não ter deles o que fazer. Os cristãos conhecem muito do que muitos não conhecem e querem levar ao mundo aquilo que o mundo ainda não conseguir enxergar nem perceber ao que fomos chamados  :  à santidade. Esta é um processo que caracteriza o caminho de quem procura a Deus. Por isso há muitos que querem ser santos, mas não conseguem trilhar no mundo o caminho da santidade. É importante não desistir, porque é um construir constante do caminho. Deus, de braços abertos, nos aguarda na ponta deste caminho.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A cadeira de quem preside...



            Não foi sem temor que vi alguém assentar-se na cadeira presidencial que serve o culto eucarístico numa igreja que visitava. O seu nome, se quisermos sofisticar um pouco, é cathedra. É uma cadeira, geralmente com espaldar, onde se assenta aquele que preside a cerimônia. Com direito exclusivo naquele culto que preside, é dele o direito de tomar este lugar.
            Mas não é  condição assim tão mecânica e material. É coisa que importa uma dignidade e poder. É dali que o presidente dirige sua palavra, sua admoestação, seu ensinamento, sua doutrina. Aponta a direção e os rumos a seguir num convite de pai, pastor e responsável por uma instituição que nos leva a um Deus, recordando a origem e o começo de tudo.
            É uma palavra latina que nos dá um outro termo bem do nosso gosto e conhecimento : catedral, marcando a sede do governo de uma Igreja Particular. Matriz do lugar onde mora a autoridade eclesiástica ou epíscopo, responsável e representante de Cristo, cabeça da Igreja. Fonte da doutrina, sede do ensinamento de Deus entre os homens. Lugar privilegiado pelas graças e bênçãos concedidas ao Povo de Deus; Dali, portanto, a autoridade pode não só falar e pregar como deve proclamar as verdades do reino.
            É um lugar de destaque, um trono, um púlpito para onde estão voltados todos os holofotes da alma humana nos olhos ansiosos de quem busca crescer para melhor amar o seu Deus. Ali bebemos com sofreguidão daquela água viva que bebeu a samaritana lá em Sicar. Dai o respeito que devemos nutrir por esta cadeira. Mesmo fora do ofício divino, quando sua serventia está no silêncio e na sombra.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Milagre ou sinal em Caná


Ouvia, ainda há pouco, Moacir Franco cantando uma música com tema São Sebastião.  Isso me levou  ao santo do dia e me fez lembrar o Evangelho da eucaristia de hoje : Bodas de Caná.  A letra da música falava de um milagre recebido por alguém, numa hora extrema, quando o sujeito se imbuia da força da religião, em nossa vida, até então para ele como assunto indiferente. É significativo o evangelista João não usar o termo milagre, mas a palavra sinal, como a querer dizer coisas que não passam pela nossa cabeça.
                Sinal é uma palavra sacramental, que nos leva a  sentir e conhecer uma realidade subjacente ao seu significado corriqueiro; Quando vemos um borralho e nele não vemos brasas incandescentes nem fagulhas nem chamas, mesmo assim não tomamos aquilo na concha das mãos, pois sabemos que nos queimaremos fatalmente. E, observe-se, por certo não somos tão ousados nem nos sentimos tão desafiados para tomar uma atitude destas e sairmos dali  irremediavelmente  queimados.
                Nas bodas de Caná, o sinal é claro, o milagre é peremptório. Água transformada em vinho  e vinho da melhor qualidade. Nenhuma dúvida, nenhuma indiferença, mas uma realidade em que botamos fé. Deus nos ama com amor sem limite. Maria se faz nossa intercessora ousadamente  confiante no amor do Filho por nós. Lá na cruz Maria nos é dada por Mãe na certeza de que filho de Deus não fica órfão : eis aí tua Mãe. Se Jesus, na força de seu poder e na ardência de seu amor  se deixou crucificar por todos nós, o que ele não faria  àqueles pais e noivos para lhes devolver a alegria da festa do casamento de seus filhos com a falta do vinho?  Milagres é que não faltam  nos gestos de amor de Jesus. Eis a religião na vida da pessoa.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Sinal de pertença à Igreja


Festejando hoje o Batismo do Senhor, somos chamados a refletir sobre o nosso Batismo como sinal de pertença à Igreja de Jesus. Felizes somos todos que, pelo Batismo, fomos incorporados a Cristo.

É preciso  que  esta consciência nos remeta sempre  à  origem de nossa vocação primeira   -   a santidade.   Com isso emerge a nossa participação no sacerdócio comum de Cristo, a nossa plena pertença ao Povo de Deus, como membros da Igreja, sacramento enraizado na comunhão de vida trinitária de Deus.

Essa consciência nos ajuda a romper as barreiras que fazem da Igreja uma instituição aparentemente  ...emperrada e tomada como presa, distante, de idéias  presunçosamente tidas como modernas.

O Batismo nos faz invadidos pelo mesmo Espírito que anima a Igreja e a coloca como marca de uma pertença a Cristo, ressaltando a identidade de sua vocação evangelizadora :  anunciar... anunciar... anunciar Jesus Cristo em toda e qualquer situação.

Daí o compromisso do Cristão, advindo do Batismo, de fazer esta Igreja presente no mundo como sinal de salvação, sendo solidariedade para os seus membros e serviço entre irmão.

É preciso que nos deixemos enriquecer, sempre e cada vez mais, pelos dons dispensados por ela, que permite a seus filhos saciar a sede de verdade e de justiça que o Espírito de Deus suscita no coração de cada um para implantar seu reino no meio dos homens.

Para isso é significativo que saibamos acolher a graça de filhos de Deus, que nos confere o Batismo,  para condividir a fé da Igreja e fazer chegar a todos os frutos  de nossa atividade apostólica. Somos responsáveis uns pelos outros, uma vez que Cristo veio trazer a salvação a todo um povo e não  a um só indivíduo.

Assim a beleza e o poder de Deus, presentes em cada criatura, atestam a sua majestade e falam da sua santidade à qual somos chamados nas águas do Batismo.


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A paz, primeiro em nós


Celebramos, há pouco, a família de sangue, berço onde buscamos,  por direito, os valores que devemos cultivar. Mas a paz é um valor que ultrapassa as fronteiras de qualquer instituição para se espraiar, de maneira bastante aberta, nos sentimentos de todo indivíduo. Hoje é dia mundial da paz. Ninguém está dispensado de parar um pouco para pensar como pode ela acontecer entre nós.

Há um ditado antigo, sentido e vivido nas alas militares, que diz  -  si vis pacem para bellum   -   querendo nos mostrar que o seu acontecimento entre nós depende muito de cada um num convite a  estar sempre alerta e ligado aos fatos e ao mundo que nos envolvem. Verdade. Mas verdade também é que não se trata de olhar apenas o que está ao nosso redor. Depende  mais do nosso íntimo, do nosso aceitar o desafio,  da quebra de nosso egoísmo, de nosso orgulho.

É claro que se estabelecermos limites em nossos impulsos e pretensões, vivermos os sentimentos de respeito e amor ao semelhante e reconhecermos os direitos de cada um, seremos muito mais construtores da paz do que organizadores de esquemas de guerra. O voltar-se  de frente para as provocações desafiadoras e colocar-se em posição de confronto em situações que não levam à paz, mas à discórdia, à destruição e ao distanciamento entre indivíduos, grupos e nações é aceitar e conduzir à guerra por não exercer e controlar os próprios instintos baixos do desamor. Assim buscamos a guerra por não querermos a paz.