Caminhar juntos

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A cadeira de quem preside...



            Não foi sem temor que vi alguém assentar-se na cadeira presidencial que serve o culto eucarístico numa igreja que visitava. O seu nome, se quisermos sofisticar um pouco, é cathedra. É uma cadeira, geralmente com espaldar, onde se assenta aquele que preside a cerimônia. Com direito exclusivo naquele culto que preside, é dele o direito de tomar este lugar.
            Mas não é  condição assim tão mecânica e material. É coisa que importa uma dignidade e poder. É dali que o presidente dirige sua palavra, sua admoestação, seu ensinamento, sua doutrina. Aponta a direção e os rumos a seguir num convite de pai, pastor e responsável por uma instituição que nos leva a um Deus, recordando a origem e o começo de tudo.
            É uma palavra latina que nos dá um outro termo bem do nosso gosto e conhecimento : catedral, marcando a sede do governo de uma Igreja Particular. Matriz do lugar onde mora a autoridade eclesiástica ou epíscopo, responsável e representante de Cristo, cabeça da Igreja. Fonte da doutrina, sede do ensinamento de Deus entre os homens. Lugar privilegiado pelas graças e bênçãos concedidas ao Povo de Deus; Dali, portanto, a autoridade pode não só falar e pregar como deve proclamar as verdades do reino.
            É um lugar de destaque, um trono, um púlpito para onde estão voltados todos os holofotes da alma humana nos olhos ansiosos de quem busca crescer para melhor amar o seu Deus. Ali bebemos com sofreguidão daquela água viva que bebeu a samaritana lá em Sicar. Dai o respeito que devemos nutrir por esta cadeira. Mesmo fora do ofício divino, quando sua serventia está no silêncio e na sombra.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Milagre ou sinal em Caná


Ouvia, ainda há pouco, Moacir Franco cantando uma música com tema São Sebastião.  Isso me levou  ao santo do dia e me fez lembrar o Evangelho da eucaristia de hoje : Bodas de Caná.  A letra da música falava de um milagre recebido por alguém, numa hora extrema, quando o sujeito se imbuia da força da religião, em nossa vida, até então para ele como assunto indiferente. É significativo o evangelista João não usar o termo milagre, mas a palavra sinal, como a querer dizer coisas que não passam pela nossa cabeça.
                Sinal é uma palavra sacramental, que nos leva a  sentir e conhecer uma realidade subjacente ao seu significado corriqueiro; Quando vemos um borralho e nele não vemos brasas incandescentes nem fagulhas nem chamas, mesmo assim não tomamos aquilo na concha das mãos, pois sabemos que nos queimaremos fatalmente. E, observe-se, por certo não somos tão ousados nem nos sentimos tão desafiados para tomar uma atitude destas e sairmos dali  irremediavelmente  queimados.
                Nas bodas de Caná, o sinal é claro, o milagre é peremptório. Água transformada em vinho  e vinho da melhor qualidade. Nenhuma dúvida, nenhuma indiferença, mas uma realidade em que botamos fé. Deus nos ama com amor sem limite. Maria se faz nossa intercessora ousadamente  confiante no amor do Filho por nós. Lá na cruz Maria nos é dada por Mãe na certeza de que filho de Deus não fica órfão : eis aí tua Mãe. Se Jesus, na força de seu poder e na ardência de seu amor  se deixou crucificar por todos nós, o que ele não faria  àqueles pais e noivos para lhes devolver a alegria da festa do casamento de seus filhos com a falta do vinho?  Milagres é que não faltam  nos gestos de amor de Jesus. Eis a religião na vida da pessoa.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Sinal de pertença à Igreja


Festejando hoje o Batismo do Senhor, somos chamados a refletir sobre o nosso Batismo como sinal de pertença à Igreja de Jesus. Felizes somos todos que, pelo Batismo, fomos incorporados a Cristo.

É preciso  que  esta consciência nos remeta sempre  à  origem de nossa vocação primeira   -   a santidade.   Com isso emerge a nossa participação no sacerdócio comum de Cristo, a nossa plena pertença ao Povo de Deus, como membros da Igreja, sacramento enraizado na comunhão de vida trinitária de Deus.

Essa consciência nos ajuda a romper as barreiras que fazem da Igreja uma instituição aparentemente  ...emperrada e tomada como presa, distante, de idéias  presunçosamente tidas como modernas.

O Batismo nos faz invadidos pelo mesmo Espírito que anima a Igreja e a coloca como marca de uma pertença a Cristo, ressaltando a identidade de sua vocação evangelizadora :  anunciar... anunciar... anunciar Jesus Cristo em toda e qualquer situação.

Daí o compromisso do Cristão, advindo do Batismo, de fazer esta Igreja presente no mundo como sinal de salvação, sendo solidariedade para os seus membros e serviço entre irmão.

É preciso que nos deixemos enriquecer, sempre e cada vez mais, pelos dons dispensados por ela, que permite a seus filhos saciar a sede de verdade e de justiça que o Espírito de Deus suscita no coração de cada um para implantar seu reino no meio dos homens.

Para isso é significativo que saibamos acolher a graça de filhos de Deus, que nos confere o Batismo,  para condividir a fé da Igreja e fazer chegar a todos os frutos  de nossa atividade apostólica. Somos responsáveis uns pelos outros, uma vez que Cristo veio trazer a salvação a todo um povo e não  a um só indivíduo.

Assim a beleza e o poder de Deus, presentes em cada criatura, atestam a sua majestade e falam da sua santidade à qual somos chamados nas águas do Batismo.


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A paz, primeiro em nós


Celebramos, há pouco, a família de sangue, berço onde buscamos,  por direito, os valores que devemos cultivar. Mas a paz é um valor que ultrapassa as fronteiras de qualquer instituição para se espraiar, de maneira bastante aberta, nos sentimentos de todo indivíduo. Hoje é dia mundial da paz. Ninguém está dispensado de parar um pouco para pensar como pode ela acontecer entre nós.

Há um ditado antigo, sentido e vivido nas alas militares, que diz  -  si vis pacem para bellum   -   querendo nos mostrar que o seu acontecimento entre nós depende muito de cada um num convite a  estar sempre alerta e ligado aos fatos e ao mundo que nos envolvem. Verdade. Mas verdade também é que não se trata de olhar apenas o que está ao nosso redor. Depende  mais do nosso íntimo, do nosso aceitar o desafio,  da quebra de nosso egoísmo, de nosso orgulho.

É claro que se estabelecermos limites em nossos impulsos e pretensões, vivermos os sentimentos de respeito e amor ao semelhante e reconhecermos os direitos de cada um, seremos muito mais construtores da paz do que organizadores de esquemas de guerra. O voltar-se  de frente para as provocações desafiadoras e colocar-se em posição de confronto em situações que não levam à paz, mas à discórdia, à destruição e ao distanciamento entre indivíduos, grupos e nações é aceitar e conduzir à guerra por não exercer e controlar os próprios instintos baixos do desamor. Assim buscamos a guerra por não querermos a paz.