Não
foi sem temor que vi alguém assentar-se na cadeira presidencial que serve o
culto eucarístico numa igreja que visitava. O seu nome, se quisermos sofisticar
um pouco, é cathedra. É uma cadeira, geralmente com espaldar, onde se assenta
aquele que preside a cerimônia. Com direito exclusivo naquele culto que
preside, é dele o direito de tomar este lugar.
Mas
não é condição assim tão mecânica e
material. É coisa que importa uma dignidade e poder. É dali que o presidente
dirige sua palavra, sua admoestação, seu ensinamento, sua doutrina. Aponta a
direção e os rumos a seguir num convite de pai, pastor e responsável por uma
instituição que nos leva a um Deus, recordando a origem e o começo de tudo.
É
uma palavra latina que nos dá um outro termo bem do nosso gosto e conhecimento
: catedral, marcando a sede do governo de uma Igreja Particular. Matriz do
lugar onde mora a autoridade eclesiástica ou epíscopo, responsável e
representante de Cristo, cabeça da Igreja. Fonte da doutrina, sede do
ensinamento de Deus entre os homens. Lugar privilegiado pelas graças e bênçãos
concedidas ao Povo de Deus; Dali, portanto, a autoridade pode não só falar e
pregar como deve proclamar as verdades do reino.
É
um lugar de destaque, um trono, um púlpito para onde estão voltados todos os
holofotes da alma humana nos olhos ansiosos de quem busca crescer para melhor
amar o seu Deus. Ali bebemos com sofreguidão daquela água viva que bebeu a
samaritana lá em Sicar. Dai o respeito que devemos nutrir por esta cadeira.
Mesmo fora do ofício divino, quando sua serventia está no silêncio e na sombra.