Caminhar juntos

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fim de ano


Fim de ano.  É tempo de reflexão e de um profundo exame de consciência. Somos conduzidos  a  recordar aquilo que fizemos, a rever o em que agimos corretamente ou a nos inteirar, para corrigir, daquilo em que falhamos quanto aos propósitos que assumimos no início do ano.

É o tempo de um profundo gesto penitencial que cubra todos, grandes e pequenos, os atos de nossa vida daquilo que deveríamos fazer e não fizemos.

É a hora mais certa para um pedido de perdão por não sermos aquilo a que nos propusemos  ser, quando na verdade não o fomos.

É a oportunidade de colocarmos para Deus, com sincera abertura de alma, as feridas do nosso pecado para recebermos dele o bálsamo da graça de seu perdão.

É o momento propício para abrirmos o nosso coração e deixarmos que Deus toque, com seu amor, aquele lugar onde não chegamos nem com o pensamento, por sermos desatentos e  distraídos, presos que estamos ao mundo das nossas insuficiências e misérias.

É a época certa de termos os olhos abertos  para vermos as belezas da vida ofuscadas pelas futilidades de nossas manifestações tão mesquinhas.

É um período de unção para sentirmos e avaliarmos a bondade das coisas e acordarmos do mal uso que delas fazemos, pensando termos vivido intensamente a vida que levamos.

É o ponto de um grande ensejo para colocarmos as coisas nos lugares, deixando nas mãos de Deus aquilo que a ele pertence e assumindo o que nos caracteriza e faz seres livres.

É a ocasião boa para praticarmos a humildade, reconhecendo com dignidade  a nossa ingratidão e a reduzida capacidade de nossa competência e a limitada grandeza de nossas ações.

É a hora humana de tirarmos de nós o que nos deixa divinamente longe de Deus.

É a hora divina de pedirmos a Deus o que nos faz humanamente mais próximos dele.

É a hora mais certa de nos desprendermos totalmente de nós mesmos, deixando para trás nossas petulâncias, nossos apegos, nossas cegas insistências, nossas ardências contaminadas, nossos desvios de inclinações, nossos incontidos desafios para nos abandonarmos por inteiros no colo de Deus.

É a hora de pedirmos a Deus que leve consigo nossos sonhos e os realize, se forem  aproveitáveis,  de acordo com sua vontade, na certeza de que por nós nada podemos e nada podemos sem ele. Assim sendo, basta-nos tão somente a sua graça.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Hora da Família


     Quem acompanha vê a beleza do Tempo Litúrgico se abrindo à sua frente. E vai sentindo a alegria da comunhão de almas se estreitando dentro de si que leva a uma felicidade indescritível. É o ser humano  se realizando em suas dimensões para cumprir o projeto do Criador, que o cria para a glória dos séculos sem fim.  Isso vai exigir de nós um esforço consciente  de vivência harmoniosa para que a paz reine na comunidade humana.

     Neste tempo que segue o Natal, somos chamados a viver valores que, nos planos humanos, fazem a nossa felicidade aqui neste mundo. A família, entre eles o maior, que, no dizer de Paulo VI, é a igreja doméstica a aninhar valores que o indivíduo não encontra em lugar algum.   São  dons que se constituem  e tomam corpo no seio da comunidade familiar.  Marcados por Deus nos levam  ao exemplo do amor e de cuidados que os homens devem cultivar no seu mundo, se quiserem ver o mundo  viver em paz.

     Em vista do amor, do diálogo e do perdão entre os homens, precisamos nos fortalecer apertando os laços familiares para que possamos identificar, num mundo tão conturbado, a esperança de dias melhores. Por isso urge a prática da serenidade no relacionamento dos pais com os filhos como importam o respeito e a obediência dos filhos para com os pais. Assim a família se torna,  com propriedade,  lugar e berço de um amor consistente e livre  da falsidade e miséria que acontecem entre nós.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ainda é tempo de bênção


Devagar já vai passando também o tempo do Natal. Luzes, cantos, presentes,  embrulhos em papéis coloridos vão ficando para trás. Novo clima se abre  para as almas ansiosas e cheias de expectativas. Palavras premonitórias se ouvem. O medo  do desconhecido muitas vezes prende nossos sentimentos numa caixinha misteriosa, sem que possamos vislumbrar  nada, ainda que agarrado às paredes de nosso mundo interior.
                Mas precisamos mesmo  conservar os lampejos de há pouco do acontecimento do amor, do gesto de misericórdia vindo em nossa direção, da feição de ternura aberta para nós. É disso que devemos continuar nos alimentando, é disso que precisamos nos nutrir,  é disso que queremos viver para ultrapassar todas as barreiras que nos preocupam, que nos fazem angustiados, trazendo-nos desilusões e pequenos sofrimentos.
                Ano Novo bate às portas, já na ponta dos pés, para tocar a campainha e ver a nossa casa aberta para invadir o nosso mundo  e nos obrigar a deixar os propósitos renovados diante de cada uma das situações por que devemos passar. Então ainda é tempo de rever o desenhado mapa de nossas atividades e pedir ao Menino-Deus da semana passada que não economize a sua bênção para durante todo o caminho que vamos começar a trilhar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Botão de Quaresmália.

É preciso e importante  que valorizemos os nossos companheiros. São pessoas como nós e merecem sempre, e em qualquer tempo, o nosso respeito. Vamos evidenciar isso sempre que o ambiente nos pedir equilíbrio e educação no tratamento com os outros. Todos ganham porque a causa é comum e os objetivos são os mesmos : a paz e o amor fraterno.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Que nossos mortos descansem em paz!...

Quando a saudade bate na porta de nosso coração, surge a lembrança presa nas amarras da imaginação, volta uma dor com os grilhões de sua maldade, enquanto a alma apara a chuva de bênçãos  que o céu faz cair sobre nós. Por que isso?  Porque o amor faz mudar nossos sentimentos, onde a coragem toma o lugar do medo, o encontro desfaz a solidão e a angústia é fecundada pela graça de Deus. Espantamos os fantasmas, reacendemos em nós a luz da esperança e eliminamos a distância que nos separa dos entes queridos. Dois de novembro, Dia de Finados,  nos devolve  os parentes, os amigos, os conhecidos, os vizinhos, os colegas e  todos aqueles que nos são caros. A imaginação retoca as imagens e o coração ganha volume para acolher o grande  amor que eles renovam em nós.
O cristão não vê hoje o 2 de Novembro  com ares de tristeza, mas como motivo de alegria  ao saber  que a sua fé na ressurreição de Jesus é garantia no caminho em direção à pátria celeste. É um consolo e uma certeza, pois o perdão que nos é oferecido traz a marca da misericórdia de Deus, que nos leva ao eterno descanso junto dele. O que mais podemos querer  e esperar se este penhor nos vem pelo Evangelho de São João :  Senhor, somente tu tens palavra de vida eterna. A certeza nos é dada por ele e dela não podemos abrir mão. O vazio corre por nossa conta se não quisermos saborear a plenitude de seu amor por nós.
A força de uma visita silenciosa e cheia de saudades e reflexões une, numa grande família, os frequentadores do campo sagrado, fazendo do cemitério um lugar de paz e reconciliação. A serenidade da fé deixa cair um olhar lento e indagador sobre aquelas lápides frias que cobrem os túmulos  de nossos  parentes e amigos  ali ainda depositados. As orações se fazem contritas e confiantes em comunhão com todos que ali estão. A alegria de estar ali pertinho dos nossos mortos amaina  as circunstâncias de  tristeza, supera a crise de nossa dor e investe nos louros de uma vitória final. Deus seja louvado por este gesto tão profundo e humano de respeito e amor aos nossos mortos. Ele que não rejeita as nossas orações nem retira de nós a grandeza de sua misericórdia.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Assinalados com o Selo de Deus

Quando chega novembro, chega também em mim o sentimento  da presença de uma áurea de santidade.  Tudo se vê tomado pela mística de um ideal que nos encanta, a nós cristãos, e nos faz fascinados pelo brilho de Deus. É uma alegria contagiante e envolvedora de todas as coisas.  Primeiro de novembro, festa de todos aqueles  santos, que nos precederam na fé e se fazem hoje meta de nossos anseios e objeto de nossas preocupações espirituais, vividas e experimentadas na realidade de nosso mundo cristão.
                A solenidade deste dia é abrangente, porque celebramos a festa dos santos conhecidos e dos que  passam despercebidos, na memória cristã, por não vê-los citados  nas rubricas da liturgia diária como membros da família de Deus. Neste dia convocamos todos eles a cantar um hino de louvor, conhecidos e desconhecidos,  pela vivência  e fidelidade às normas que nos fazem  na terra filhos e herdeiros do céu. Irmanados pela graça e tocados pelo amor ganharam a recompensa do face-a-face com Deus e muitos herdam aqui no mundo dos homens a glória dos altares.
                Sua participação nos acordes eternos de uma liturgia celeste desperta em nós, ainda peregrinos na terra dos mortais, o desejo de ser bons e cumpridores dos compromissos de fidelidade a Jesus. Se aqui nos servem como modelos de vida, no céu se fazem nossos intercessores para que a misericórdia divina chegue até nós, realizando  os desígnios da graça e do amor de Deus. Por isso nos alegramos e lhes prestamos um culto de veneração num gesto solene de nossa comunhão com eles, na trilha santa  de união da Igreja militante com a Igreja triunfante. Somos todos  a família dos assinalados com o selo do Espírito de Deus.

sábado, 20 de outubro de 2012

Estudada a Proposta de uma Nova Evangelização

Com a abertura do Ano da Fé, agora neste dia 11, Bento XVI convocou também  um Sínodo com o fim de  estudar e debater sobre uma Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã. Há um número muito grande de padres sinodais vindos dos quatro cantos da terra e muitos participantes de igrejas e comunidades que não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. É interessante observar a atuação ativa de pastores, autoridades, teólogos  e outros estudiosos, leigos e religiosos,  voltados para as coisas de Deus, debruçando-se sobre os problemas que dificultam a expansão da fé.
A situação pode até ser motivada por uma visão distorcida dos verdadeiros propósitos do Concílio Vaticano II com vistas a um maior diálogo com a sociedade de hoje. Mas não faltam aqueles que querem ver o circo pegar fogo e, em nome de um modernismo, cuja presença de Deus é relegada aos princípios de uma filosofia fora de moda, insistem e lutam por fazer Deus voltar ao seu mundo transcendente e nos deixar quietos a resolver os nossos próprios problemas. Então a fé fica assim esvaziada de seu conteúdo e o mundo envolto num caos de miséria e violência. Assim se impõe uma Nova Evangelização ao contexto atual  para que o homem reflita sobre a sua origem, o seu compromisso e a sua total dependência de um Deus que o criou.
Se as circunstâncias nos fazem ver uma situação de indiferença religiosa, também nos fazem forçosamente sentir o quanto de Deus precisamos para acertar nossas decisões  diante das encruzilhadas da vida. Verdade que temos experiências, as mais variadas, em todos os campos da atividade humana, mas é importante, para um crescimento na fé, que o homem tome consciência disso. Surgindo a necessidade de luz, surge na mente a imagem daquele que é a verdadeira luz, a verdadeira medida como forma  de nossos problemas. Por aqui passa o trabalho de uma Nova Evangelização se assim quiser o homem a solução de rejuvenescimento para o seu mundo anquilosado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Por ocasião do mês dos amigos

Alguém me observou, há alguns dias, que já não mais sabia escrever uma carta. Outra pessoa também me falou que fazia anos que não escrevia uma carta para ninguém. É verdade que os tempos mudaram.  Esse costume vem desaparecendo mesmo. A comunicação entre as pessoas tomou outra forma que não a do diálogo, arrastado no tempo, com alguém distante e ausente. Quanto a mim não me surpreendeu a conversa, pois mantenho um velho costume de escrever ainda cartas a pessoas que me são caras.  Há por vezes muito tempo que não as vejo nem com elas me encontro.
A carta é uma conversa de ocasião que revela uma saudade. Assinala um fato importante ou revela intimidade que não é dada a muitos. Ela nos dá informações sem grandes formalidades, onde deixamos de lado os protocolos e os excelentíssimos para ficar no assunto de um gesto privado. Não há como classificar correspondência entre pessoas próximas, que se fazem afetuosas e cheias de amizade. Não há forma nem estilo nem regras de mútuo tratamento.  Simplesmente respeito e amor.  Também a alegria de uma ansiedade e um jeito afoito e curioso de avançar na sua leitura.
Ora, o estilo de uma carta era cuidadoso, cerimonioso e cheio de respeito, vasado em  forma de uma linguagem polida e literária, fossem elas particulares, publicitárias, oficiais ou doutrinárias. Hoje, com a lente moderna de um espírito democrático, a carta aberta vem expressar uma maneira ousada de manifestar o livre pensamento ou de cobrar uma atitude de autoridade negligente ou de fazer pública uma posição, que se quer ver respeitada. A carta anônima jamais tem o aplauso das pessoas de bem, porque não aceitam a forma livre de expressar de um mau caráter. A carta como encontro de duas pessoas tem a força de comunicar o belo na poesia, na literatura, na pedagogia, na grandeza da alma humana. O estilo da Carta do Céu, no entanto, tem o dom de curar os corações que passam pelos revezes da vida. A todos a dedicatória de pessoa saudosista.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Abertura do Ano da Fé

Sou do tempo da convocação e da abertura do Concílio Vaticano II. Ele veio retomar o Vaticano I, de 1870,  interrompido com a tomada de Roma,  nas circunstâncias  da visão externa de uma Igreja autoritária.  O mundo avançava na prática de  uma mentalidade humanística. A Igreja tinha dificuldades de dialogar com uma sociedade,  que tentava um entendimento com ela,  na forma de sua maneira de pensar e julgar as coisas.
O Concílio Vaticano II, com o papa João XXIII,  veio inaugurar uma nova era,  para buscar uma abertura no processo de comunicação com o chamado mundo moderno. Então o Concílio Vaticano I procurou um caminho onde a fé católica pudesse se expressar não como realidade que se vincula a alguma determinada expressão cultural, mas como crença na mensagem evangélica que se comunica a todas as culturas,  sem deixar esta ou aquela de fora. Isso já deixava aberta,  naquele tempo,  a quem quisesse ver as chagas de uma fé em crise no mundo.
Hoje, dia 11-10, com alegria e respeito e em atitude de profunda ação de graças, em comemoração  do 50º aniversário do Vaticano II, com a riqueza de seus dezesseis documentos principais e outras centenas de manifestações escritas, também por ocasião dos 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, vejo e acompanho a solene abertura do Ano da Fé, proclamado por Bento XVI, de 11-10 a 2411-13, acontecendo em Roma e em todos os cantos da terra, como sopro do Espírito Santo e convite da Palavra de Deus. É um tempo de bênção e sinal da graça abundante de Deus.  Batam, sinos!...  Batam com vontade e determinação!...

Hoje é dia de festa

A Igreja  está  hoje  toda  em  festa.  É festa da Mãe. É festa de todos nós.  Nosso coração se faz aberto para sentirmos  a alegria de estar juntos na mesma casa, com o sorriso nos lábios e a vida nos olhos cheios de fraternidade. Neste dia da Mãe,  há uma palavra que ecoa no mais profundo do coração como a pedir que ouçamos e coloquemos em prática a Palavra de Deus : fazei tudo o que Ele vos disser. Há,  pois,  uma sensibilidade profunda nesta convite de Mãe : o nosso bem-estar, a nossa alegria de viver. Mostra-nos  a maneira certa que temos de levar à frente os nossos projetos.
Ela nos quer vencedores nas vicissitudes da vida, na realização de nossos trabalhos, na conquista de nossos ideais. Por isso o nosso caminho deve estar ungido por esta proposta da palavra de Mãe. Devemos estar próximos e nos manter  unidos pelo amor e obediência a Deus, que nos sustenta e nos leva à plena beleza de viver. Nisto tudo faz sentido, tudo muda, tudo se faz diferente daquilo que estamos vendo e vivendo. É um caminho de mudança. Muda nossa indiferença à violência.  Muda o quadro dos jovens e daqueles que não encontram o sentido da vida.  Mudam as condições precárias de saúde social,  que vivemos e experimentamos. É,  portanto,  a oportunidade de escutar a Palavra de Deus, de sentir o coração leve e cheio de significado  na vida da comunidade.
Hoje é dia de festa.  Dia de sentir o gosto de ser bom. De experimentar a alegria de ter fé. De fazer cada um crescer ainda mais na vida.  É um convite a ouvir Cristo num diálogo que leva a um entendimento fraterno entre os homens. Escutar o que Ele tem a nos dizer. Aprender que o segredo de nossa família e o sustento de uma comunidade em comunhão é escutar o que Ele  nos diz e experimentarmos assim  a força amorosa de sua palavra. Nele a força  de nosso caminhar, nele o jeito de fazer a fraternidade crescer no mundo. Mudar a organização social, mudar nossa condição de cidadãos indiferentes ao bem comum, mudar nosso coração apático no compromisso de colocar Deus no centro de nossa vida.

domingo, 7 de outubro de 2012

Só aplaudo o verdadeiro compositor



Se há um dia, penso, para o qual a gente deveria ter a atenção voltada é o de hoje. Não chego mesmo a destacar as eleições, por se tratar de um  fato, que organizamos para despertar a nossa participação na escolha dos dirigentes e governantes de nossa sociedade  e,  que uma vez acontecido, nos limita a um ato de consciência para satisfazer o nosso ego, ficando a coisa pelo que foi e pelo que será. Esquecemo-nos dele com facilidade.  Tanto assim é que não nos lembramos mais do fato nem cobramos um feedback no sentido de apaziguar uma consciência que não se fez nem se faz  irrequieta.
Também não falo do dia internacional do rosário, essa marca da espiritualidade cristã, tão evidenciada nos milhões  de atitudes de oração devotadas a Nossa Senhora, num gesto de amor e fidelidade à ternura de seu coração. Mas paro para pensar e meditar no mais profundo da alma sobre a atual música que entra pelos meus e por tantos outros ouvidos, maculando os nossos sentimentos e ferindo, quase de morte, nossa sensibilidade musical e artística. Nossa maneira de perceber a beleza  das coisas vai se petrificando e embotando ao mesmo tempo que se faz nebulosa para nos impedir de reconhecer a arte e reagir a esta coisa feia.
Por quê? Não sei se minha resposta o afasta  do marasmo desta enxurrada de formas musicais pilaozadas que nos trazem a surdez e a consciência do mau gosto. Pior ainda quando banalizadas pelo comércio baixo que as leva para a rua na padronização de uma categoria de gente sem gosto e desprovida dos  dons artísticos. Já não falo das letras que param no tum-tum-tum e, se vão além, esbarram no tic-tac-toc-toc-tic-tic. Se um desvairado letrista avança os limites, ele se espraia nos versos turrões que nem a lata de lixo aceita sua composição. Há por trás disso o esquema de uma grande depravação e da anulação de toda arte. Valha-nos Deus!... Que passe o quanto antes a geração responsável por tão grande desplante...
Dia do compositor, data amarga pelo que de ruim se produz, fazendo-nos mergulhar na inércia de um marasmo em produzir coisa boa!...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ORAÇÃO DE UM POLÍTICO

ORAÇÃO    DE   UM   POLÍTICO

Senhor Deus, creio em vós
Como origem de toda autoridade na terra.
Vós que chamais alguns homens
A estabelecer um modo correto, honesto e racional
De convivência harmoniosa entre indivíduos, grupos e nações,
Fundada nos princípios da natureza  humana,
Com vista à realização de um bem
Que atenda às exigências essenciais,
Próprias de todo homem,

Dai-me, Senhor,
Luzes e força para superar os entraves de ordem egoísta,
Argumentos e coragem para fazer conhecida a verdade do poder,
Equilíbrio e decoro para o pleno exercício do mandato,
Moderação e respeito para tratar as coisas públicas,
Sentido de justiça e trabalho para empenhar
A vontade de Deus no meio do povo.

Que eu coloque, efetivamente, Senhor,
Minhas energias, meu tempo e meu trabalho
À disposição da comunidade a que sirvo,
Com a dedicação de quem só quer realizar o bem comum.

Por isso, Senhor, que, em momento algum,
Minhas pretensões fiquem acima das necessidades do povo,
Meu comportamento traga decepção para aqueles que me sufragaram,
Influência econômica alguma manche minha consciência viva de bom cidadão.

Senhor, dai-me juízo
E que um trabalho sério e honesto
Seja sempre minha resposta à confiança do povo.  Amém.   (JMN)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Anjo da Guarda

Quando ainda bem criança, minha mãe me ensinou a rezar o Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...   Ela se inclinava sobre a minha cama e dizia : vamos rezar para dormir. Ali, contrito e cheio de unção, repetia, inocentemente mas confiante,  as suas palavras. Zelo de mãe!...  Aconchego da família!...  Carinho de pais que se preocupavam com a formação cristã dos seus filhos. Por isso e mais, sou-lhes grato, porque assim aprendi a amar a Deus.
Hoje é dia dos Santos Anjos. A nossa fé vive  a crise movida pelas dificuldades do tempo que enfrenta.  Muitas vezes ela é reduzida a uma vaga ideia da crença num ser superior que não se define nem se manifesta nem se apresenta com seu poder, que fica diluído em imaginações rarefeitas de superstições sem nada mostrar de concreto. Daí não lhe ser dado o respeito que lhe é devido. O motivo desta fé é buscado nos apetrechos de um mercado espiritual encontrados nos Shoppings, nos horóscopos, nos duendes e na fala opaca de especialistas em discursos de  mercancia. É o lugar onde buscam fundamentar  e dar suporte à sua fé.
Esquecem-se de que Deus confiou aos Anjos a tarefa de nos guardar os caminhos da vida.  São os seres, de perto de Deus, encarregados de conduzir e guardar a vida de cada um de nós. São mensageiros que nos vêm dizer que Deus nos ama e são mandados para nos proteger e nos conduzir de maneira segura nas nossas andanças e afazeres pela vida afora. Não podemos correr atrás de ilusões, mas precisamos ser pessoas conscientes de que, quando buscamos a sua proteção, somos pessoas já visitadas por Deus e presenteadas com a força de sua graça e misericórdia.

domingo, 30 de setembro de 2012

Hora das eleições

É  tempo de eleições. O modelo de administração  que está aí responde às aspirações concretas de minha vida? Se responde, é tempo de avaliar onde mais favoreceu minhas experiências e necessidades, fazendo-me realizar  humanamente naquilo que é essencial  no meu projeto de vida. A reinterpretação do quadro político não me leva a aceitar tudo e concordar com a situação das coisas que estão aí. E se a gente tivesse de reinterpretar o quadro social não significa isso que deveria eu aceitar tudo.
Não posso como não devo aceitar as coisas como estão. Mas, de imediato, devo procurar saber se preciso mudar, porque depois vou questionar a mim mesmo se as alternativas que me foram propostas foram boas ou não. Não posso vir a lamentar nem externar queixas por não ter feito nada quando tudo estava ao meu alcance. É preciso que eu me questione agora, porque só depende de mim  resolver agora as lamúrias futuras. Portanto, não posso desperdiçar a oportunidade nem dispender energias desnecessariamente.
O tempo é agora. Não posso como não devo deixar que a situação exerça poder sobre mim, causando-me apatia sem que haja uma reação que me leve a posicionar ativamente. Meus sentimentos e emoções não podem me trair. Nada de contemporizar nem uma posição intermediária que não poderia me fazer feliz. É tempo de escolha e escolha implica em deixar algo para trás. Isso nos faz sofrer. No entanto, é preciso sentir que o sofrimento é passageiro e nos levará por certo à vitória que é de todos. Não podemos nos acovardar. Eleições são eleições. De lado os ajeitamentos, os interesses pessoais, as manobras e os medos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Igreja que aprendi a amar

Interessante, porque velha e secular  investida.  Irritante, porque despudorada  e desprovida a  covardia  de alguns inimigos da Igreja. Fazem de tudo inescrupulosamente para denegrir a sua imagem.  Lançam mãos  de artifícios cuidadosamente elaborados, que se tornam armas em riste.  Trazem-nos intimamente escondidos, para parecer verdade,  em acusar valores que a Igreja defende na postura de sua beleza e eles não conhecem. Buscam minimizar (e até negar)  a vida que ela faz acontecer e difundir e eles não sabem ver.
Continuam hoje elencando investigações, esquentando as marmitas de ontem, dependurando comentários nas páginas de nossa imprensa, já por si ávida de defuntos frescos,  para jogar a beleza da Igreja na arena dos modernos tempos e vender sua notícia, como matéria de grande descoberta, no tabuleiro lodacento de seu inexplicável ódio contra ela.   Por que olhos tão embaçados  por remelas de mau humor?  Por que lhes faltam  o sentido da história e o banho de civilidade capaz de lhes dar o respeito à fraqueza cultural de tantos humanos como eles?
Continuam,  ainda em nossos dias,  esses engraçadinhos e  experimentadores de bombas de ensaio para ver se descolam algum minuto de fama e prestígio num mundo que procuram escurecer para tornar aceitas e fazer prevalecer ideias putrefatas  de que eles, por si mesmos, já não suportam o mau odor. Ora, é zona de perigo humano a frequentada por estes que se  julgam moderninhos com propostas tão anticientíficas, quando a vertiginosa ascensão da sabedoria humana depara com poderosas  câmeras espaciais, dando os primeiros cliques em busca de uma explicação da expansão do nosso espaço.
E esses caras ainda rastejando com propostas tão estapafúrdias!...  Façam-me um favor!...  (A propósito da decoberta de papiros que andam por aí. Estão querendo ver o santo fazer sua estátua mexer...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Meninos!... alegria. Dia de São Cosme e São Damião

Não fui muito ligado a São Cosme  e São Damião, quando criança, mas me causam simpatia e os tenho em grande conta. Por quê? O sorriso dos meninos neste dia, para nós todos, de festa, quando são prazerosamente abundantes, por todo canto,  as balas e doces que se distribuem por ocasião desta comemoração. Acho isso bonito e alegre, pois me faz bem e me deixa feliz.
Imagino  e dou azo à imaginação, quando penso no São Cosme como sendo aquele jovem enfeitado, alegre e desinibido, fazendo feliz a criançada ao seu redor. Ao clima mesmo de palhaço, no sentido de alegrar e fazer felizes  os meninos nas brincadeiras de rua. Isso me leva ao tempo de minha infância e me traz as marcas da saudade na alma.   São Damião!... é tanta grandeza ligada ao seu nome e tantos trejeitos juntados à sua pessoa, apesar  do peso e  severidade do nome Damião, que o fazem popular e querido demais pela meninada.
Então os grandes e adultos não entram e participam da festa? Entram sim.  Podem  as forças não mais ajudarem nem o espinho de uma diabete penetrado no corpo impedir de saborear as guloseimas, mas não ficam de fora e ganham a função paternalista de distribuir, comemorando e celebrizando o dia, as balas e os doces às crianças que encontram pelo caminho. Os costumes marcam a festa e dão dinamismo e alegria ao dia. É uma história leve e bonita vista sob a diferente ótima religiosa.  E é claro, estão alegres também farmacêuticos e médicos, que estão protegidos pela poderosa intercessão destes dois santos irmãos-gêmeos, no céu,  juntos de Deus.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fatos, apenas fatos

Quando a gente se põe diante de uma folha em branco, com um lápis na mão, logo vem a vontade de escrever alguma coisa que está a incomodar. Já não foi à-toa, ontem, o dia de São João Crisóstomo, o boca de ouro. Dizem os alfarrábios que era um grande devoto da Santíssima Eucaristia. Até aqui tudo bem, não fossem as circunstâncias de um quadro a que presenciei numa de nossas igrejas.  A imagem de Nossa Senhora, tirada de seu altar costumeiro, deu lugar à exposição do Santíssimo Sacramento, naquela tarde, numa custódia dourada e luzes e velas acesas, chamando a atenção da presença eucarística de Nosso Senhor.
                Chega uma cristã fiel, certamente dessas que visitam os santos nas igrejas, e procurou por Nossa Senhora e não a encontrou no lugar. Olhou despretensiosamente o seu lugar, ali momentaneamente ocupado, esboçou um jeito de decepção e saiu procurando sua imagem preferida pela igreja afora. Não a encontrando, num primeiro momento, fez jeito de sair, mas retornou  a procurá-la,  localizando-a num altar lateral. Depois de uma pequena oração, de uma vênia profunda e uma meia genuflexão, procurou e mandou beijinhos para São José, que estava ali por perto e saiu satisfeita a continuar a sua vida.
                Suas palavras, orações e sentimentos certamente chegaram lá ao pés do Santíssimo, porque toda súplica e oração não param em Nossa Senhora, mas chega até seu Filho. E eu fiquei ali repreendido pela minha maneira de pensar e querer julgar,  lembrando-me de uma passagem da Carta aos Romanos : Acolhei aquele que é fraco na fé, com bondade,  sem discutir as suas opiniões. E, quase de imediato,  lembrei-me de uma história que ouvi, quando menino, de um santo, também muito devoto da Eucaristia.  Um fiel recebeu a comunhão das mãos do padre e saiu direto para a porta da igreja a ganhar a rua. Imediatamente, o santo correu ao altar, tomou dos castiçais e mandou que os coroinhas fossem ao lado daquele fiel, pois ali ia o Santíssimo Sacramento. Fatos, apenas  fatos. Histórias novas de pensamentos velhos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Setembro, mês da Bíblia

Setembro, mês da Bíblia. Isso não quer dizer que somente durante o  mês de setembro vamos ler a Palavra de Deus. Temos de nos alimentar dela todos os dias. Assim como temos necessidade de nos alimentar para sustentar o nosso corpo, nós também temos necessidade de alimentar a nossa alma. E uma das maneiras de alimentar a nossa alma é lendo  a Palavra de Deus de forma orandi, ou seja, rezar a Palavra de Deus.
Não sei se há uma maior percepção entre nós de que  os textos sagrados e de modo particular o Livro de Deuteronômio, assim como o Evangelho, nos remetem exatamente a esta realidade de que a Palavra de Deus  deve governar a vida de qualquer ser humano, de qualquer nação, de qualquer povo. Há uma passagem bíblica que diz   -   Ele não veio abolir a  Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento, ou seja, Ele veio dar a sua novidade à Lei.  Os antigos viviam a Lei pela lei. Não deixavam que a Lei transformasse e modificasse sua vida. E muitas vezes o povo vive assim até hoje. Só vive da tradição.
Ora, acontecem muitas coisas em nossa vida às quais nos apegamos sem que deixem a gente ir para  frente. Ficamos estagnados por nos apegarmos a coisas insignificantes, a coisas que estão na periferia da religião e o que está nos centro a gente acaba deixando. E quem é que está no centro da religião?  Cristo  -  Aquele que veio não para abolir a Lei, mas dar a ela sua novidade. Por exemplo, está lá na Lei de Moisés : amarás o teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e teu entendimento. Jesus veio e disse a mesma coisa de modo diferente, dando a sua novidade : que devemos amar a Deus , a nós mesmos e ao nosso próximo como a nós mesmos.      
Deixemos, pois, a Palavra de Deus nos interpelar e façamos dela a força que Deus nos dá para o prosseguimento de nossa caminhada.

sábado, 18 de agosto de 2012

Alegrias Vicentinas

As Olimpíadas já ficaram para trás. Um novo horizonte já se desenha em nossa frente, cheio de acontecimentos a preencher os nossos  anseios e nos dispor os olhos sempre curiosos. Podemos apontar,  uma  a uma, estas realidades, que são queridas e nos fazem felizes de nelas pensar. Mas uma, pelo  imediatismo e sem perda  de tempo, dá o tom da festa,  saltando à frente para nos encher a alma com sua surpresa carregada de beleza e emoções. E não precisamos correr nem nos preparar para sentir a subida do  calor que desperta  em nós.
Por isso, imagino o íntimo  da família vicentina do Brasil, que deixa transparecer a força contagiante da sua alegria  diante das relíquias peregrinas de Vicente de Paulo, o santo dos pobres. A peregrinação dos confrades e dos seus admiradores   se faz na mente e no corpo ao meditar e se aproximar dos abismos misteriosos de uma criatura com o seu Deus. Com frequência vemos destilarem  lágrimas os olhos de gente piedosa em meio aos apupos de entusiasmo pela presença  destas relíquias. Não é uma maneira piegas de julgar o que vemos, querendo obscurecer a  luz da esperança cristã, mas o perpasse de alma generosa que quer mergulhar nos mistérios de Deus.
É a possibilidade que tem a pessoa de crer, de maneira livre e consciente, na glória de Deus, manifestada através das criaturas. É a expressão de nossa afinidade com Deus e a similitude com as criaturas, onde se revela a extensão do seu amor infinito por nós. Isso nos leva a sair de nosso comodismo e partir para obras meritórias como as que os vicentinos desenvolvem por todo o mundo. É um convite a não ficar de longe imaginando isso ou aquilo, mas o poder de decisão para fazer o bem aos desvalidos que não têm amigos de coração magnânimo e generoso que não gente como os vicentinos. Nossa paróquia está sendo  por elas visitada. É uma grande bênção para todos nós.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Vem aí 15 de agosto.

E não me diga que não sabe, não sente nem percebe ou não lhe passa pela cabeça a força poderosa de sua mística. Chame a Senhora do dia de Assunção, de Saúde, de Glória ou lhe arranje um nome tão significativo quanto o divino, mas não deixe de comemorar e celebrar a grandeza do dia e a beleza da homenagem, que lhe deve ser prestada. Muitas vezes aplaudimos e vivemos um feriado, como se tudo de bom estivesse nele condensado, com propósito íntimo de descanso.
Mas é a vivência íntima de um momento fervoroso a me solicitar a atenção e me pôr a meditar as grandezas e as glórias de Nossa Senhora, que me chama a reconsiderar a posição de cada um na sua condição de filho de Deus. Nisso  devo a alguém os sentimentos de que  Trago no coração um símbolo de fé que torna para mim todas as coisas luminosas e sagradas neste dia. Tudo ganha profundo significado.  As coisas se fazem cheias de luz. Seus movimentos traduzem  a harmonia de uma orquestra celeste, onde os desafinados não perdem o encanto da voz nem os racionalistas e distraídos se fazem resistentes à sua fascinação.
É bom pensar no seu tempo aqui na terra, quando os sofrimentos, as humilhações e todo o processo de um continuado martírio a lhe sacrificarem a alma não conseguiram demovê-la da sua consciência de ser a Mãe de Deus e de sua missão co-redentora subordinada à de seu Filho Jesus. Por isso, hoje, chega o seu momento de receber a nossa homenagem  de alegria e de glória por ser  elevada aos céus, no seu corpo e na sua alma, nesta festa, que chamamos de Assunção de Nossa Senhora. Que seu corpo agora florescente de uma vida, que se eterniza, tornou-se para nós uma verdade de fé, que Pio XII, em 1º de novembro de 1950, definiu de maneira pomposa e solene.

sábado, 21 de julho de 2012

Ardor Missionário

É forte a emoção que sentimos,  quando nos apercebemos preparando o Ano da Fé. Em outubro próximo  vai começar  este tempo de bênção para todos nós.  Enquanto não chega, os preparativos para o acontecimento se multiplicam por todo canto. Grupos de estudos se organizam, equipes de trabalho se formam.  São tomadas posições de animação, atitudes de compromisso, experiências vivenciais, gestos  celebrativos, reuniões programáticas, estudos sistematizados e todo um conjunto de medidas e  articulações em vista de um proveitoso aprofundamento no nosso relacionamento com Deus.
O homem de coração forte e generoso se põe a caminho da vinha, atendendo ao chamado de Deus para ir ao campo de trabalho. O convite é feito a todos, mas alguns ainda são resistentes  e fazem ouvidos de mercador à voz de quem chama. Outros, decididos e entusiasmados, logo se posicionam em atitude de em posição de serviço, arregaçando as mangas e aguçando os ouvidos para  a palavra de ordem quem vem. A catequese desperta os indivíduos e faz o Reino de Deus acontecer entre nós. O movimento de quem acolhe ao chamado, a fermentação das idéias,  o frenesi  das equipes, num processo de construção, tomam conta dos ambientes e se espalham contagiando aqueles que ficam à beira do caminho ainda indecisos e incrédulos quanto aos resultados.
Todos, na sala com Jesus, sentem a presença do Senhor. Descobrem que um grande ardor os queima por dentro, sentindo a eclosão de um entusiasmo contagiante e entrando no burburinho de atividades cheias de Deus. É hora de antecipar o gozo de um encontro mais íntimo com ele. É o tempo, que se aproxima, de um mergulho mais profundo nos mistérios de nossa salvação. Então os mimos vêm à  superfície da alma em gestos de um grande amor a Deus.  É o gesto de aceitar, é a hora de contabilizar os saldos de  um encontro de maior intimidade, numa conversa consciente e sincera com Deus.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Quem me dera!...

          Os dias passam, os anos se completam e a gente vai não tendo muito o que dizer e falar. No entanto, alguma coisa ainda salta ao campo da imaginação e a vida passa novamente da cor de burro fugido para um esmaecido langor de alma depenada. Certamente os fantasmas-lombrigóides disputam uma abertura, na barra do tempo, para respirar um pouco. Assim é que, quando se ouve falar de nariz, muita coisa vem à tona.  A primeira pra mim são as páginas de um livro.  Sobretudo os de Histórias, onde a gente fica vendo e comparando aqueles narizes mais escalafobéticos e espipiofóticos
        Nariz europeu é lembrado logo. Reconhecido em qualquer exposição de quadros misinfim. Não sei se espanhol, italiano ou algum outro pode receber a faixa do título. Certo é que o grego é sempre comentado e tem o seu estandarte dependurado bem na entrada do circo. Diziam que é imponente. Não, não, não disse impotente para um espirro. Mas imponente mesmo, devo repetir, que tem seu lugar reservado em qualquer galeria que se preze. Por isso é bom filosofar sobre o lado de lá. Do lado de cá nem pensar. O indivíduo já chega sem o direito de comprar ingresso.
       Cada um tem o seu.  Uns bonitos, outros sensíveis  a qualquer imagem de caverna. O meu está entre os regulares. De comportamento bastante razoável. Também, (pudera!..) nunca tiro a mão do bolso. E aí a sua caverna fica velada. Pode ser cheia de muitos fantasmas, mas inviolável e inviolada. Quem dera que todo mundo fosse assim zeloso com seus pertences. Precisamos ser assim mesmo. Porque se não gostamos deles, não podemos tirá-los. Até, pensando bem, pra uns é uma ajuda boa no visual. E o sujeito assim fica com uma beleza equilibrada. É mesmo bonito aquele rosto expondo um conjunto harmonioso de peças de museu, abrigando os sentidos todos. O pior de tudo é se não funcionar.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vida que passou, mas que ficou...

Junho, o mês de tantos santos festeiros, passou. Agora vivemos julho, o das férias, do descanso, do sítio, dos passeios a cavalo, das praias (neste friozinho?!...), de viagens. Tudo a nos fazer lembrar o tempo de criança, quando os pais, fazendo coincidir seu tempo de descanso, nos levava, para cá e para lá,  a dedicar, com exclusividade, aos filhos  aqueles tempos gostosos e tão esperados.
            Não sei do que mais dizer sobre a minha vida feliz  de criança. Mas guardo e saboreio aquele mês, hoje reduzido a poucos dias, de uma vida que passou cheia de recordações e imagens, todas elas carregadas de emoções que me faziam viver com  intensidade, gastando as energias nas mais variadas aventuras de um mundo de ilusão. Verdade que não poderiam ser eternas aquelas vibrações, mas hoje ainda, se não têm a extensão que pode ser alcançada pelo corpo, ganham a largueza de uma alma que sabe reconhecer o seu passado de felicidade.
            Estou de partida. E quem fica não me dê adeus, porque, num pouco e muito pouco tempo, voltarei para estar novamente envolvido com nossas atividades costumeiras que preparam a vida para aventuras talvez maiores do que aquelas que não me deram vôo para alcançar a altitude desejada no meu tempo de criança. Doce vida a minha de terra branca, enquanto hoje a idade avança com uma inveja branca dos meninos que não podem porque não sabem querer aquilo que faz alguém feliz.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Por quê isso?

Não sei porque algumas pessoas precisam ter sua atenção chamada para as coisas. Vivemos uma vida inteira passando pelos mesmos caminhos. Vendo as mesmas coisas todos os dias. Repetindo o que falamos ontem e anteontem.
No entanto, não nos damos conta de que o mundo se abre à nossa frente. Coloca-se à nossa disposição. Ele nos encanta.  Fala de coisas feias e bonitas.  Muda a cada minuto a sua paisagem.  Troca de roupa a cada momento e continuamos com os olhos baixados para o chão. Não o percebemos.
A todo instante, Deus nos fala em suas obras. Pinta o céu de cores variadas. Multiplica seus quadros de arte para nos sensibilizar. Retorna à sua arquitetura, retocando-a para nos chamar a atenção. E continuamos na mesma sem ao menos nos manifestar
Por quê isso?.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Já não estava escura a manhã do novo dia....

Ainda não eram sete horas. A notícia veio com sua forma de desconcertar a alma de qualquer um. Não tinha arrumado a cara para começar o dia, mas logo o espírito acordou sem saber o rumo a tomar. Aquele jovem, tão cheio de vida, com tantos planos na cabeça, com a fantasia, em evoluções, de um término de faculdade a lhe consumir todo o tempo nos preparativos para a colação de grau, estava sendo retirado dos meios da ferragem arregaçada de um carro em colisão com outro na rodovia da morte que leva a Monlevade.
Os pais como não deveriam estar arrasados!...  Também nós, parentes, uns mais perto outros mais distantes, mas todos a ele ligados pelos laços de ternura ou de beleza do temperamento de uma pessoa comunicativa e de sorriso contagiante!...  A vida prega certas peças na gente!...  Pois bem, logo logo todos estavam envolvidos buscando mais notícias em telefonemas que se cruzam e deixavam ocupados os nossos aparelhos. O ar de tristeza estava denso e cheio de mistérios.
O jovem, passando pela Medicina Legal, foi para longe. Foi descansar na terra dele, junto de seu  avô, tão querido, e de seu infante irmão também lembrado, de há muito tempo. Parecia não haver espaço para tanta gente, tamanha a multidão de admiradores e de amigos. Nada para Deus é fora de hora e Ele chama.  Quando precisa de seus filhos ali junto dele, não há como deixar de atender o chamado. Nós não entendemos, mas o mistério um dia se revelará e saberemos então que Ele é sempre o Senhor.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mãe, meu primeiro amor

Maio chegou. E com ele o dia das Mães. E, numa mesma festa, o dia das Noivas. A Igreja dedica também este mês a Nossa Senhora. Ela, que foi noiva e também Mãe. Homenageemos a uma, louvemos a outra e fiquemos  com o dia das Mães; Todas ganham, com direito, o nosso carinho. E se levarmos a conta na ponta do lápis, ficaremos com um grande saldo devedor. Cada filho que o diga, cada noivo que pense no seu caso, cada devoto que examine a sua consciência.

É um mês em que há motivos de sobra para a gente ficar alegre. Ninguém fica de fora desta festa nem do mês nem da obrigação de comemorar intensamente o momento certo de cada uma delas. E quando algum motivo parece não me deixar ser delicado, ainda assim é bom pensar e entrever, nas imagens e momentos da imaginação, a grandeza e a força de sua ternura a nos envolver com a beleza de sua generosidade. Seu gesto convence sempre. Ainda por isso, cada um, no seu pedaço, deve se sentir privilegiado. A natureza e a vida nos fizeram privilegiados.

Que bom!...  Que prêmio de Deus!... Parece que a medida do nosso desejo é menor do que aquilo que esperávamos para preenchê-lo. Vejo neste sentimento o cintilante elogio a cada uma delas que lhes prestam seu filho, seu noivo, seu devoto. E penso mais nas gostosas lembranças que nos proporcionaram. Elas, no fundo, sabem disso, porque sabemos o quanto nós as admiramos e amamos. Seu amor pela vida é grande. Para sermos justos, precisamos aprender a arte de saber amar. Somente assim lhes dedicaremos uma festa de sentimento correspondente com sentido de belo, de bonito, de atual, de moderno, de vida que corre. É um tempo com o carinho que ainda não aprendemos suficientemente a ter.

terça-feira, 17 de abril de 2012

11 de abril/2012 - Dia do anencéfalos

11 de abril/2012   -   Dia dos anencéfalos. Vi a beleza das palavras e não senti a convicção dos conceitos que elas pareciam encerrar. Talvez elas mesmas não trouxessem os conceitos que os autores queriam que elas trouxessem. Senti o desconforto do assento de quem julgava e imaginei a cadeira do réu que, sem nada ter feito, ocupava o centro das atenções. Aguardava irremediavelmente uma sentença condenatória. Onde estão os protagonistas? Aguardando na plateia um veredicto de morte de quem não é portador de vida. Se não julgo a vida, como julgar um cadáver!... Julgo sim um corpo humano que é portador de vida.  Se não julgo um cadáver, julgo a vida com todo o seu direito de existir, sua essência e sua realidade num corpo que, sem ela, seria  simplesmente um cadáver. E quando se tira a vida de um corpo humano, tem-se um cadáver. E não me venham me querer convencer.  O  fulcro do julgamento é a vida e não o cadáver. Por mais que haja eufemismo ao tratar do assunto e designá-lo!... E por que distinguir o cadáver de um aborto do cadáver de um eufêmico  cadáver de  um feto com gravidez interrompida?   E a vida, com sua mesma exuberância no ato de existir e acontecer, faz nascer, no colo do útero materno, um protagonismo entre dois seres ou duas pessoas, que se sentem no direito de viver. Mas como negar o direito de viver a um transferindo o seu direito para aumentar e tornar pujante o direito de outrem?...  Ou existe tamanho no direito? Ou ele pode ser reconhecido não por aquilo que ele é, direito, mas pela minha opinião de ele ser aquilo que eu quero.
Assisti, esses dias, a um documentário sobre o holocausto e fiquei com minhas interrogações na cabeça. Seria aquela a maneira certa de se apurar uma raça?  De onde vinha a autoridade àqueles lideres para tal procedimento? Experimentaríamos um sentimento frio e apático diante de semelhante atitude, não digo monstruosidade. É bem de se ver que nós humanos temos valores a preservar. Sendo um ser natimorto como quis o Relator da matéria, como poderia sobreviver, com possibilidade quase nula de sobreviver por mais de 24 horas. Então se reconhece a vida naquele corpinho humano como núcleo do julgamento!... E humano porque não está nascendo de um monstro. Ele não pode ganhar este conotativo porque não podemos dar esta conotação a quem o deu origem ou  de onde ele nasce e vem. Sua vida é vida que se compara com qualquer outra. E não vamos buscar qualificar a vida aqui para dar um veredicto. Senão bastaria olhar ao redor para nos abastecer o poder de julgar e decidir sobre a possibilidade de sobrevivência (e não delimitar o tempo).   Por menos e não por mais de 24 horas. Sou eu por acaso o autor da vida!?...  Sou eu quem marca a sua extensão sobre a terra para os viventes!... Para os mortos não é preciso, eles já estão mortos, se esta é responsabilidade de quem pratica o ato de julgar!...
Fico confrontando os conhecimentos da verdadeira realidade uns com os outros. E raciocinando...  Ao tempo do Código Penal não se conheciam recursos técnicos para se ter um conhecimento mais apurado dos anencéfalos. A vontade, em nome da honra mental e saúde da mulher, fez o Estado encontrar pseudo-razões para descriminalizar o aborto como  fruto de um estupro. E estas meias-razões se fizeram razões inteiras e o aborto, como a cabeça de João Batista, foi colocado na bandeja e entregue a Herodíase para satisfazer a sua petulância e rancor. O que dizer hoje, não da barriga, mas do útero alugado?  Satisfazer aos baixos e despudorados negócios de mulheres para conseguir  recursos e gastá-los  na compra de quinquilharias comercializadas nos shoppings?  E dizer que o Estado não tem conhecimento?  Nem meios ou normas que impeçam este crime, que é fato e verdade, espalhado, divulgado e abertamente pregado em nossas TVs, internet e meios de comunicação!..   Que maneira tão cruel de nos  fazer a barba ouriçada e malcheirosa?  Há uma profunda indignação, quando se trata destas coisas.  Coisas que visivelmente tocam e enriquecem uma minoria, afrontosamente privilegiada em detrimento da grande massa do povo.
Não quero apenas lamentar. Quero sim protestar em nome daqueles que se sentiram feridos sem nada poder fazer, quando não somos conduzidos por critérios de justiça.  Como  seres humanos são capazes muitas vezes de acertos, são capazes noutras tantas também de erro. E este foi mais que lamentável.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Páscoa, exigência do coração

Simplesmente deslumbrante este tempo de Páscoa. Estamos vivendo a preciosidade de sua oitava.  A Páscoa aconteceu. A pedra do sepulcro foi removida. O Cristo ressurgiu. Saiu das garras da morte. Deixou as trevas do túmulo. Veio para a luz. Passou a viver uma vida nova. Um novo tempo.  Não é fábula. Nem sonho. Nem  um fantasma de nossa imaginação. Nem mesmo uma conversa para encher o tempo. Nem motivação para se criar um fato. Ela é um acontecimento real incrustrado na História.

Ressurreição de Jesus. Ressurgir é sair de um para outro tipo de vida. Não esta nossa conhecida. Com seus contratempos, com suas  limitações, preocupações, dificuldades. Sua história. Mas outra maneira, outro tipo de vida. Outro jeito de ser e estar.  É mudar de lugar, de tempo, de espaço, de conviver. É estar fora do alcancem da morte, do pecado, das trevas, da prisão e do sepulcro. É ter o espaço aberto, ter as certezas, as verdades, o ser aquilo que é.  É sair de uma história, de um caminho, de ganhar uma nova estrada.

Cabe a nós agora acolher este Cristo. Ele, que venceu as barreiras. Ele, que nos convida a um novo ser. Acolher é trazer para dentro de nós. Não é deixa-lo fora.  A vagar sozinho. No sereno. Sem companhia. Acolher é um gesto de coração. Uma atitude de aceitação. Uma ousadia de deixar-se transformar. Mudar. Seguir, daqui para a frente, um novo caminho. É ter a certeza de que ele caminha com cada um de nós. Acreditar. Viver. Deixar-se soltar na alegria. Sair da prisão e fazer-se inteiramente livre. Sair da escuridão e passar para a luz.  Sufocar as tristezas com a alegria da festa. Apagar o rancor e jogar-se cordialmente na fraternidade.  Aceitar a consciência de que o amor tudo vence. Deixar para trás o que não constrói nem deixa a vida acontecer. 

A oitava da Páscoa é preciosa.  Vivamo-la intensamente. Assim nos convida o Cristo. A vida nova, exigência do coração.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Caminhando juntos

A Semana Santa vem aí. A Semana Maior. É bem provável que o seu interesse, para muitos, fique apenas na oportunidade de um passeio, uma retirada para o sítio, uma esticada até a praia e coisas deste gênero. Para outros é tempo de reflexão. Uma parada, como um oásis, para refrescar um pouco a alma. Colocar as coisas do espírito em dia. Pedir a Deus que sua vinda ao mundo e que culminou com sua morte em benefício da humanidade não seja em vão. Por isso nos voltamos para ele, num face-a-face, olhando-o bem dentro dos olhos. Tentar com nossos olhos humanos enxergar seus olhos com a misericórdia e a ternura que encerram.


            Para estes últimos não fica bem o afastamento deste centro  de atividades religiosas, pois a hora é oportuna. Não se contentam em parar nas festividades de um solene Domingo de Ramos. O avanço da semana tem o propósito de chegar ao Domingo de Páscoa, quando o Cristo, vencendo a morte e o pecado, dá sua prova de que é verdadeiramente o prometido nas antigas escrituras, a fim de restituir ao homem a sua verdadeira amizade com Deus. E todos que, de espírito convicto e de aceitação, se põem a caminhar com ele o caminho da perfeição, passando antes pelo sofrimento de uma cruz.


            A ele entregamos o nosso espírito, o nosso comportamento, as nossas atividades, as nossas vaidades, as nossas preferências humanas, as nossas preocupações, os nossos contratempos, as nossas presunções e tudo que nos faz deitar sobre ele um olhar distante, sem maiores atenções em atitudes que não sinalizam a nossa fé. Deixamos,  por negligência ou impiedade, passar por nós o momento da graça de Deus. É um tempo muito bom para rever  princípios, reformular propósitos, retomar um caminho ou decidir por uma perspectiva de vida que nos faça verdadeiramente felizes.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Habilidosa, porque inteligente.

Dia  8 de março. Não pode, mas também não vai passar despercebido. O dia da mulher é mais sagrado do que qualquer outra coisa. Quando jogamos sobre ela um olhar  furtivo, sabemos tudo o que vai ali, mas não conhecemos o mínimo suficiente para dizer que conhecemos tudo  que se passa dentro dela, da sua cabeça, do seu coração. Nem somos capazes de avaliar a carga de ciência e amor  que tem a sua alma.
            A mulher é uma cientista das formas e dos detalhes, é uma moldadora das palavras e dos sentimentos.  Há aquelas que são femininas, porque a vida lhes dá esse direito e há aquelas que nem tanto porque as circunstâncias lhes tomam este direito. Mesmo assim são equilibradas e da postura de alto nível. Mulher não cai do pedestal a menos que despreze o seu valor e  por isso se entrega nas mãos de uma realidade que a faz megera por não saber se cuidar ao tirar o seu brilho e ao deixar-se enfumaçar pelas misérias que  essa procura.
            As mulheres são inteligentes e sabem o que querem e, neste particular, os homens que se cuidem. O seu olhar é indagador. Sua alma é profunda, enquanto seus olhos são penetrantes e capazes de chegar ao âmago da alma alheia antes mesmo de se sentir envolvida por algo sombrio ou por um iluminado sentimento de amor.  É preciso sonhar de olhos abertos o sonho que sente a mulher. É importante para todos que a mulher ganhe o respeito que é de direito. A sociedade se equilibra e se faz organizada com o respeito que a mulher ganhar. Mas entrará em crise se ela mesma, mulher, não se valorizar pelo que ela tem e é. A elas o nosso respeito e carinho.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sem perder a esperança

Na medida em que as coisas andam, umas vão passando, enquanto outras, talvez mais interessantes, vão chegando. Ontem foi  o carnaval, tempo de muita agitação que parecia não ter  fim.  A Quaresma chegando,  ocupou  o espaço com um tema de interesse para todos : a saúde.  A Igreja sempre prega, neste tempo, uma mensagem  abrangente e de proveito para todos. Só não entra neste clima quem não tem, ou foge para não ter, compromisso com a nossa comunidade dos homens. 
Mas se você,  que abre os olhos para a realidade desta sociedade política em que vivemos, quer e está disposto a enxergar, vai aplaudir esta iniciativa por saber que o tema discutido durante este período de quarenta dias é candente e do interesse de muitos , apesar de ser do desagrado de um reduzido número de pessoas que não estão nem aí pelo assunto, mas fingem estar. E ficamos meio boquiabertos por ver que prevalece a vontade deste grupinho de pessoas que se imaginam doutoras no assunto.
Que grupo é este tão falacioso que não dá conta de  seu compromisso com a sociedade? Se você adivinhar, eu lhe serei honesto para dizer que você acertou. Pense nas medidas que foram tomadas, anos atrás, e tiveram seus recursos desviados e desencaminhados sem que se pudessem alcançar os objetivos, cujas verbas e percentuais não chegaram ao meio do caminho. Perderam-se nos primeiros passos de seu caminhar. É claro, temos sistemas bonitos  e pomposos de saúde pública por aí e até mesmo planos de saúde ostentados por iniciativa privada, mas que acabam todos na panela da mesma mexida.
A Quaresma está aí fazendo seu levantamento, suas discussões, seus debates e agitando as consciências para que acordem e façam a vida acontecer nestas filas intermináveis, nestas ruas cheias de doentes,  nestes planos de assistência a que nada assistem. Gritemos por mais saúde. Quem sabe, talvez nossas autoridades possam acordar e nossos políticos sentir vergonha  por não fazer aquilo que é dever seu de fazer.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Em outubro, o Ano da fè

Fiquei feliz com a notícia de que o Ano da Fé acontecerá na Igreja Católica  toda,  de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013.  Será   grande a alegria ao  comemorar os 50 anos do Concílio Vaticano II. É buscando, celebrando e festejando  que a gente encontra. É batendo insistentemente que se tem a porta aberta. Em todo caso, vale lembrar, é precioso persistência.
A nossa  confiança em Deus está muito diluída e,  por isso, descolorida. Não tem a força de realização. Não sabemos pedir. Nem mesmo esperar. Ficamos lamentando a demora de Deus, sua distância, seu silêncio.  Mas quem  se colocou nesta situação crítica foi o homem mesmo, que virou as costas ao  Criador.  Implantou  formas de regimes totalitários, ousando assim governar o povo  e viver uma liberdade desconsiderando os favores divinos.  E daí é  fácil  entender que, numa condição de pouca intimidade com Deus, ao nosso pedido não segue o gesto de colher o fruto.  Há nisso um sentimento frio de possível desapontamento por nossa falta de fé. O Ano da Fé certamente vem convidar o homem de hoje a buscar,  com humildade,  uma visão mais  clara das coisas nas mãos de Deus.
É verdade que, no século XX, o homem se viu com uma nuvem embaçando o seu espírito. A mente ficou sem força para aguçar. O espírito perdeu seu poder de penetração.  E veio cedo a decepção batendo à sua porta para entrar.  Em bom tempo,  vem o Ano da Fé evitar este retardamento na perda de  dividendos na mesa de nosso Deus. Não podemos abandonar os seus desígnios e querer buscar fora aquilo que está aqui bem junto de nós. O Ano da Fé vem convidar o homem de hoje a retomar o caminho. A  livrar-se da friagem. A fugir da vertigem. A deixar o afastamento de Deus. A sentir o desencontro em que está.   O homem de hoje é convidado a partir para a vitória. Porque não é possível  viver  sem ninguém.  É impossível manter-se distante  dele  -  Deus.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vindo a bênção...

Bênção é render graças e isso se faz por meio de uma atitude concreta nossa.  Atendendo ao culto devido a ele, assim nos colocamos em todas as nossas ações, gestos, atitudes, acontecimentos e situações por que passamos. A bênção é uma lembrança constante das realizações divinas em nosso proveito. A cada pedido de bênção Deus se faz presente junto de nós, comunicando-nos a sua vida e o seu desvelo.  Subimos a ele na manifestação de um culto de gratidão, que lhe prestamos.  Há, portanto, um compromisso de nossa parte com o bem, que desejamos e praticamos.  Do contrário, a bênção cairia no vazio e se reduziria a uma simples palavra e de nenhum sentido nem conteúdo. Vê-se que é preciso um empenho de nossa vontade no sentido de  reconhecer as maravilhas de Deus.   É preciso lhe prestar o culto que somente a ele é devido.
A bênção se faz oração e nos põe unidos a Cristo. Ela nos faz reconhecer a bondade de Deus nas pessoas, nas coisas, nos acontecimentos e nos fatos históricos da humanidade. Com isso nós, num pequeno gesto, valorizamos os nossos pais como instrumentos-ponte entre nós e o Criador, na prática de constante e repetido elogio, dizendo glória a Deus por tudo o que ele nos concede.
Então, não vejo porque não celebrar uma bênção manifestada numa pequena expressão de pedir a bênção ao nosso pai da terra. É uma maneira bonita de celebrizá-lo,  fazendo visível Deus se tornando presente entre nós com sua força e seu amor. Se os pais hoje atentarem para o conteúdo de uma pedagogia, que faça seus filhos mais felizes e de maior respeito, saberão que constroem um futuro melhor e mais solidário para a humanidade. A família se sentirá feliz e cada um ocupará o seu lugar, na comunidade dos homens, que lhe é destinado por direito.
A bênção, meu pai!...  A bênção, minha mãe!...
Deus te abençoe, meu filho...  e te faça feliz!...

Que venha a bênção...

Ontem, o filho pedia bênção ao pai. Hoje, o pai já não mais abençoa o filho. Por que será? Ainda sou do tempo em que o filho tomava a bênção ao pai. Talvez por causa da consciência da imagem de um Deus que se formava dentro de mim.  Era uma pedagogia familiar que me queria ver feliz. Meus pais me ensinavam, porque compreendiam assim.  Em toda bênção Deus está presente com a sua graça e seus benefícios a nos manter e sustentar na vida.  E era uma maneira simples e pedagógica, na pobreza de seus conhecimentos,  de  atualizar em mim a grande obra da criação. Com este jeito me  faziam ver a importância do ser humano no ápice desta criação. E como conhecemos a grandeza e extensão de sua obra, achamos tudo bonito e qualificamos de maravilha aquilo que Deus fez em nosso favor.
Mas o que vem a ser bênção? A palavra tem origem num verbo latino benedicere que significa dizer bem, fazer elogio de uma pessoa que fez coisas boas para nós e nos cumulou de bens de maneira gratuita.  É claro que tudo isso se dá num contexto de fé, que nós colocamos no que Deus fez para nós. Daí uma aura de respeito às coisas criadas, através de sua Palavra criadora, desde o início dos tempos. Então é de fundamento bíblico a bênção, porque vamos buscar o seu conteúdo na Palavra de Deus.  E esta crença se manifesta por uma  atitude concreta nossa ao fazer o nosso pedido de bênção. Se então peço a bênção ao meu pai, é claro que esta bênção me vem carregada de Deus, que é o criador de todas as coisas.  Ele é o fundamento de todo bem colocado em minhas mãos para dele me servir e usufruir como uma dádiva que nada fiz por merecer.