Caminhar juntos

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mãe, meu primeiro amor

Maio chegou. E com ele o dia das Mães. E, numa mesma festa, o dia das Noivas. A Igreja dedica também este mês a Nossa Senhora. Ela, que foi noiva e também Mãe. Homenageemos a uma, louvemos a outra e fiquemos  com o dia das Mães; Todas ganham, com direito, o nosso carinho. E se levarmos a conta na ponta do lápis, ficaremos com um grande saldo devedor. Cada filho que o diga, cada noivo que pense no seu caso, cada devoto que examine a sua consciência.

É um mês em que há motivos de sobra para a gente ficar alegre. Ninguém fica de fora desta festa nem do mês nem da obrigação de comemorar intensamente o momento certo de cada uma delas. E quando algum motivo parece não me deixar ser delicado, ainda assim é bom pensar e entrever, nas imagens e momentos da imaginação, a grandeza e a força de sua ternura a nos envolver com a beleza de sua generosidade. Seu gesto convence sempre. Ainda por isso, cada um, no seu pedaço, deve se sentir privilegiado. A natureza e a vida nos fizeram privilegiados.

Que bom!...  Que prêmio de Deus!... Parece que a medida do nosso desejo é menor do que aquilo que esperávamos para preenchê-lo. Vejo neste sentimento o cintilante elogio a cada uma delas que lhes prestam seu filho, seu noivo, seu devoto. E penso mais nas gostosas lembranças que nos proporcionaram. Elas, no fundo, sabem disso, porque sabemos o quanto nós as admiramos e amamos. Seu amor pela vida é grande. Para sermos justos, precisamos aprender a arte de saber amar. Somente assim lhes dedicaremos uma festa de sentimento correspondente com sentido de belo, de bonito, de atual, de moderno, de vida que corre. É um tempo com o carinho que ainda não aprendemos suficientemente a ter.

terça-feira, 17 de abril de 2012

11 de abril/2012 - Dia do anencéfalos

11 de abril/2012   -   Dia dos anencéfalos. Vi a beleza das palavras e não senti a convicção dos conceitos que elas pareciam encerrar. Talvez elas mesmas não trouxessem os conceitos que os autores queriam que elas trouxessem. Senti o desconforto do assento de quem julgava e imaginei a cadeira do réu que, sem nada ter feito, ocupava o centro das atenções. Aguardava irremediavelmente uma sentença condenatória. Onde estão os protagonistas? Aguardando na plateia um veredicto de morte de quem não é portador de vida. Se não julgo a vida, como julgar um cadáver!... Julgo sim um corpo humano que é portador de vida.  Se não julgo um cadáver, julgo a vida com todo o seu direito de existir, sua essência e sua realidade num corpo que, sem ela, seria  simplesmente um cadáver. E quando se tira a vida de um corpo humano, tem-se um cadáver. E não me venham me querer convencer.  O  fulcro do julgamento é a vida e não o cadáver. Por mais que haja eufemismo ao tratar do assunto e designá-lo!... E por que distinguir o cadáver de um aborto do cadáver de um eufêmico  cadáver de  um feto com gravidez interrompida?   E a vida, com sua mesma exuberância no ato de existir e acontecer, faz nascer, no colo do útero materno, um protagonismo entre dois seres ou duas pessoas, que se sentem no direito de viver. Mas como negar o direito de viver a um transferindo o seu direito para aumentar e tornar pujante o direito de outrem?...  Ou existe tamanho no direito? Ou ele pode ser reconhecido não por aquilo que ele é, direito, mas pela minha opinião de ele ser aquilo que eu quero.
Assisti, esses dias, a um documentário sobre o holocausto e fiquei com minhas interrogações na cabeça. Seria aquela a maneira certa de se apurar uma raça?  De onde vinha a autoridade àqueles lideres para tal procedimento? Experimentaríamos um sentimento frio e apático diante de semelhante atitude, não digo monstruosidade. É bem de se ver que nós humanos temos valores a preservar. Sendo um ser natimorto como quis o Relator da matéria, como poderia sobreviver, com possibilidade quase nula de sobreviver por mais de 24 horas. Então se reconhece a vida naquele corpinho humano como núcleo do julgamento!... E humano porque não está nascendo de um monstro. Ele não pode ganhar este conotativo porque não podemos dar esta conotação a quem o deu origem ou  de onde ele nasce e vem. Sua vida é vida que se compara com qualquer outra. E não vamos buscar qualificar a vida aqui para dar um veredicto. Senão bastaria olhar ao redor para nos abastecer o poder de julgar e decidir sobre a possibilidade de sobrevivência (e não delimitar o tempo).   Por menos e não por mais de 24 horas. Sou eu por acaso o autor da vida!?...  Sou eu quem marca a sua extensão sobre a terra para os viventes!... Para os mortos não é preciso, eles já estão mortos, se esta é responsabilidade de quem pratica o ato de julgar!...
Fico confrontando os conhecimentos da verdadeira realidade uns com os outros. E raciocinando...  Ao tempo do Código Penal não se conheciam recursos técnicos para se ter um conhecimento mais apurado dos anencéfalos. A vontade, em nome da honra mental e saúde da mulher, fez o Estado encontrar pseudo-razões para descriminalizar o aborto como  fruto de um estupro. E estas meias-razões se fizeram razões inteiras e o aborto, como a cabeça de João Batista, foi colocado na bandeja e entregue a Herodíase para satisfazer a sua petulância e rancor. O que dizer hoje, não da barriga, mas do útero alugado?  Satisfazer aos baixos e despudorados negócios de mulheres para conseguir  recursos e gastá-los  na compra de quinquilharias comercializadas nos shoppings?  E dizer que o Estado não tem conhecimento?  Nem meios ou normas que impeçam este crime, que é fato e verdade, espalhado, divulgado e abertamente pregado em nossas TVs, internet e meios de comunicação!..   Que maneira tão cruel de nos  fazer a barba ouriçada e malcheirosa?  Há uma profunda indignação, quando se trata destas coisas.  Coisas que visivelmente tocam e enriquecem uma minoria, afrontosamente privilegiada em detrimento da grande massa do povo.
Não quero apenas lamentar. Quero sim protestar em nome daqueles que se sentiram feridos sem nada poder fazer, quando não somos conduzidos por critérios de justiça.  Como  seres humanos são capazes muitas vezes de acertos, são capazes noutras tantas também de erro. E este foi mais que lamentável.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Páscoa, exigência do coração

Simplesmente deslumbrante este tempo de Páscoa. Estamos vivendo a preciosidade de sua oitava.  A Páscoa aconteceu. A pedra do sepulcro foi removida. O Cristo ressurgiu. Saiu das garras da morte. Deixou as trevas do túmulo. Veio para a luz. Passou a viver uma vida nova. Um novo tempo.  Não é fábula. Nem sonho. Nem  um fantasma de nossa imaginação. Nem mesmo uma conversa para encher o tempo. Nem motivação para se criar um fato. Ela é um acontecimento real incrustrado na História.

Ressurreição de Jesus. Ressurgir é sair de um para outro tipo de vida. Não esta nossa conhecida. Com seus contratempos, com suas  limitações, preocupações, dificuldades. Sua história. Mas outra maneira, outro tipo de vida. Outro jeito de ser e estar.  É mudar de lugar, de tempo, de espaço, de conviver. É estar fora do alcancem da morte, do pecado, das trevas, da prisão e do sepulcro. É ter o espaço aberto, ter as certezas, as verdades, o ser aquilo que é.  É sair de uma história, de um caminho, de ganhar uma nova estrada.

Cabe a nós agora acolher este Cristo. Ele, que venceu as barreiras. Ele, que nos convida a um novo ser. Acolher é trazer para dentro de nós. Não é deixa-lo fora.  A vagar sozinho. No sereno. Sem companhia. Acolher é um gesto de coração. Uma atitude de aceitação. Uma ousadia de deixar-se transformar. Mudar. Seguir, daqui para a frente, um novo caminho. É ter a certeza de que ele caminha com cada um de nós. Acreditar. Viver. Deixar-se soltar na alegria. Sair da prisão e fazer-se inteiramente livre. Sair da escuridão e passar para a luz.  Sufocar as tristezas com a alegria da festa. Apagar o rancor e jogar-se cordialmente na fraternidade.  Aceitar a consciência de que o amor tudo vence. Deixar para trás o que não constrói nem deixa a vida acontecer. 

A oitava da Páscoa é preciosa.  Vivamo-la intensamente. Assim nos convida o Cristo. A vida nova, exigência do coração.