Caminhar juntos

sábado, 20 de outubro de 2012

Estudada a Proposta de uma Nova Evangelização

Com a abertura do Ano da Fé, agora neste dia 11, Bento XVI convocou também  um Sínodo com o fim de  estudar e debater sobre uma Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã. Há um número muito grande de padres sinodais vindos dos quatro cantos da terra e muitos participantes de igrejas e comunidades que não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. É interessante observar a atuação ativa de pastores, autoridades, teólogos  e outros estudiosos, leigos e religiosos,  voltados para as coisas de Deus, debruçando-se sobre os problemas que dificultam a expansão da fé.
A situação pode até ser motivada por uma visão distorcida dos verdadeiros propósitos do Concílio Vaticano II com vistas a um maior diálogo com a sociedade de hoje. Mas não faltam aqueles que querem ver o circo pegar fogo e, em nome de um modernismo, cuja presença de Deus é relegada aos princípios de uma filosofia fora de moda, insistem e lutam por fazer Deus voltar ao seu mundo transcendente e nos deixar quietos a resolver os nossos próprios problemas. Então a fé fica assim esvaziada de seu conteúdo e o mundo envolto num caos de miséria e violência. Assim se impõe uma Nova Evangelização ao contexto atual  para que o homem reflita sobre a sua origem, o seu compromisso e a sua total dependência de um Deus que o criou.
Se as circunstâncias nos fazem ver uma situação de indiferença religiosa, também nos fazem forçosamente sentir o quanto de Deus precisamos para acertar nossas decisões  diante das encruzilhadas da vida. Verdade que temos experiências, as mais variadas, em todos os campos da atividade humana, mas é importante, para um crescimento na fé, que o homem tome consciência disso. Surgindo a necessidade de luz, surge na mente a imagem daquele que é a verdadeira luz, a verdadeira medida como forma  de nossos problemas. Por aqui passa o trabalho de uma Nova Evangelização se assim quiser o homem a solução de rejuvenescimento para o seu mundo anquilosado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Por ocasião do mês dos amigos

Alguém me observou, há alguns dias, que já não mais sabia escrever uma carta. Outra pessoa também me falou que fazia anos que não escrevia uma carta para ninguém. É verdade que os tempos mudaram.  Esse costume vem desaparecendo mesmo. A comunicação entre as pessoas tomou outra forma que não a do diálogo, arrastado no tempo, com alguém distante e ausente. Quanto a mim não me surpreendeu a conversa, pois mantenho um velho costume de escrever ainda cartas a pessoas que me são caras.  Há por vezes muito tempo que não as vejo nem com elas me encontro.
A carta é uma conversa de ocasião que revela uma saudade. Assinala um fato importante ou revela intimidade que não é dada a muitos. Ela nos dá informações sem grandes formalidades, onde deixamos de lado os protocolos e os excelentíssimos para ficar no assunto de um gesto privado. Não há como classificar correspondência entre pessoas próximas, que se fazem afetuosas e cheias de amizade. Não há forma nem estilo nem regras de mútuo tratamento.  Simplesmente respeito e amor.  Também a alegria de uma ansiedade e um jeito afoito e curioso de avançar na sua leitura.
Ora, o estilo de uma carta era cuidadoso, cerimonioso e cheio de respeito, vasado em  forma de uma linguagem polida e literária, fossem elas particulares, publicitárias, oficiais ou doutrinárias. Hoje, com a lente moderna de um espírito democrático, a carta aberta vem expressar uma maneira ousada de manifestar o livre pensamento ou de cobrar uma atitude de autoridade negligente ou de fazer pública uma posição, que se quer ver respeitada. A carta anônima jamais tem o aplauso das pessoas de bem, porque não aceitam a forma livre de expressar de um mau caráter. A carta como encontro de duas pessoas tem a força de comunicar o belo na poesia, na literatura, na pedagogia, na grandeza da alma humana. O estilo da Carta do Céu, no entanto, tem o dom de curar os corações que passam pelos revezes da vida. A todos a dedicatória de pessoa saudosista.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Abertura do Ano da Fé

Sou do tempo da convocação e da abertura do Concílio Vaticano II. Ele veio retomar o Vaticano I, de 1870,  interrompido com a tomada de Roma,  nas circunstâncias  da visão externa de uma Igreja autoritária.  O mundo avançava na prática de  uma mentalidade humanística. A Igreja tinha dificuldades de dialogar com uma sociedade,  que tentava um entendimento com ela,  na forma de sua maneira de pensar e julgar as coisas.
O Concílio Vaticano II, com o papa João XXIII,  veio inaugurar uma nova era,  para buscar uma abertura no processo de comunicação com o chamado mundo moderno. Então o Concílio Vaticano I procurou um caminho onde a fé católica pudesse se expressar não como realidade que se vincula a alguma determinada expressão cultural, mas como crença na mensagem evangélica que se comunica a todas as culturas,  sem deixar esta ou aquela de fora. Isso já deixava aberta,  naquele tempo,  a quem quisesse ver as chagas de uma fé em crise no mundo.
Hoje, dia 11-10, com alegria e respeito e em atitude de profunda ação de graças, em comemoração  do 50º aniversário do Vaticano II, com a riqueza de seus dezesseis documentos principais e outras centenas de manifestações escritas, também por ocasião dos 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, vejo e acompanho a solene abertura do Ano da Fé, proclamado por Bento XVI, de 11-10 a 2411-13, acontecendo em Roma e em todos os cantos da terra, como sopro do Espírito Santo e convite da Palavra de Deus. É um tempo de bênção e sinal da graça abundante de Deus.  Batam, sinos!...  Batam com vontade e determinação!...

Hoje é dia de festa

A Igreja  está  hoje  toda  em  festa.  É festa da Mãe. É festa de todos nós.  Nosso coração se faz aberto para sentirmos  a alegria de estar juntos na mesma casa, com o sorriso nos lábios e a vida nos olhos cheios de fraternidade. Neste dia da Mãe,  há uma palavra que ecoa no mais profundo do coração como a pedir que ouçamos e coloquemos em prática a Palavra de Deus : fazei tudo o que Ele vos disser. Há,  pois,  uma sensibilidade profunda nesta convite de Mãe : o nosso bem-estar, a nossa alegria de viver. Mostra-nos  a maneira certa que temos de levar à frente os nossos projetos.
Ela nos quer vencedores nas vicissitudes da vida, na realização de nossos trabalhos, na conquista de nossos ideais. Por isso o nosso caminho deve estar ungido por esta proposta da palavra de Mãe. Devemos estar próximos e nos manter  unidos pelo amor e obediência a Deus, que nos sustenta e nos leva à plena beleza de viver. Nisto tudo faz sentido, tudo muda, tudo se faz diferente daquilo que estamos vendo e vivendo. É um caminho de mudança. Muda nossa indiferença à violência.  Muda o quadro dos jovens e daqueles que não encontram o sentido da vida.  Mudam as condições precárias de saúde social,  que vivemos e experimentamos. É,  portanto,  a oportunidade de escutar a Palavra de Deus, de sentir o coração leve e cheio de significado  na vida da comunidade.
Hoje é dia de festa.  Dia de sentir o gosto de ser bom. De experimentar a alegria de ter fé. De fazer cada um crescer ainda mais na vida.  É um convite a ouvir Cristo num diálogo que leva a um entendimento fraterno entre os homens. Escutar o que Ele tem a nos dizer. Aprender que o segredo de nossa família e o sustento de uma comunidade em comunhão é escutar o que Ele  nos diz e experimentarmos assim  a força amorosa de sua palavra. Nele a força  de nosso caminhar, nele o jeito de fazer a fraternidade crescer no mundo. Mudar a organização social, mudar nossa condição de cidadãos indiferentes ao bem comum, mudar nosso coração apático no compromisso de colocar Deus no centro de nossa vida.

domingo, 7 de outubro de 2012

Só aplaudo o verdadeiro compositor



Se há um dia, penso, para o qual a gente deveria ter a atenção voltada é o de hoje. Não chego mesmo a destacar as eleições, por se tratar de um  fato, que organizamos para despertar a nossa participação na escolha dos dirigentes e governantes de nossa sociedade  e,  que uma vez acontecido, nos limita a um ato de consciência para satisfazer o nosso ego, ficando a coisa pelo que foi e pelo que será. Esquecemo-nos dele com facilidade.  Tanto assim é que não nos lembramos mais do fato nem cobramos um feedback no sentido de apaziguar uma consciência que não se fez nem se faz  irrequieta.
Também não falo do dia internacional do rosário, essa marca da espiritualidade cristã, tão evidenciada nos milhões  de atitudes de oração devotadas a Nossa Senhora, num gesto de amor e fidelidade à ternura de seu coração. Mas paro para pensar e meditar no mais profundo da alma sobre a atual música que entra pelos meus e por tantos outros ouvidos, maculando os nossos sentimentos e ferindo, quase de morte, nossa sensibilidade musical e artística. Nossa maneira de perceber a beleza  das coisas vai se petrificando e embotando ao mesmo tempo que se faz nebulosa para nos impedir de reconhecer a arte e reagir a esta coisa feia.
Por quê? Não sei se minha resposta o afasta  do marasmo desta enxurrada de formas musicais pilaozadas que nos trazem a surdez e a consciência do mau gosto. Pior ainda quando banalizadas pelo comércio baixo que as leva para a rua na padronização de uma categoria de gente sem gosto e desprovida dos  dons artísticos. Já não falo das letras que param no tum-tum-tum e, se vão além, esbarram no tic-tac-toc-toc-tic-tic. Se um desvairado letrista avança os limites, ele se espraia nos versos turrões que nem a lata de lixo aceita sua composição. Há por trás disso o esquema de uma grande depravação e da anulação de toda arte. Valha-nos Deus!... Que passe o quanto antes a geração responsável por tão grande desplante...
Dia do compositor, data amarga pelo que de ruim se produz, fazendo-nos mergulhar na inércia de um marasmo em produzir coisa boa!...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ORAÇÃO DE UM POLÍTICO

ORAÇÃO    DE   UM   POLÍTICO

Senhor Deus, creio em vós
Como origem de toda autoridade na terra.
Vós que chamais alguns homens
A estabelecer um modo correto, honesto e racional
De convivência harmoniosa entre indivíduos, grupos e nações,
Fundada nos princípios da natureza  humana,
Com vista à realização de um bem
Que atenda às exigências essenciais,
Próprias de todo homem,

Dai-me, Senhor,
Luzes e força para superar os entraves de ordem egoísta,
Argumentos e coragem para fazer conhecida a verdade do poder,
Equilíbrio e decoro para o pleno exercício do mandato,
Moderação e respeito para tratar as coisas públicas,
Sentido de justiça e trabalho para empenhar
A vontade de Deus no meio do povo.

Que eu coloque, efetivamente, Senhor,
Minhas energias, meu tempo e meu trabalho
À disposição da comunidade a que sirvo,
Com a dedicação de quem só quer realizar o bem comum.

Por isso, Senhor, que, em momento algum,
Minhas pretensões fiquem acima das necessidades do povo,
Meu comportamento traga decepção para aqueles que me sufragaram,
Influência econômica alguma manche minha consciência viva de bom cidadão.

Senhor, dai-me juízo
E que um trabalho sério e honesto
Seja sempre minha resposta à confiança do povo.  Amém.   (JMN)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Anjo da Guarda

Quando ainda bem criança, minha mãe me ensinou a rezar o Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...   Ela se inclinava sobre a minha cama e dizia : vamos rezar para dormir. Ali, contrito e cheio de unção, repetia, inocentemente mas confiante,  as suas palavras. Zelo de mãe!...  Aconchego da família!...  Carinho de pais que se preocupavam com a formação cristã dos seus filhos. Por isso e mais, sou-lhes grato, porque assim aprendi a amar a Deus.
Hoje é dia dos Santos Anjos. A nossa fé vive  a crise movida pelas dificuldades do tempo que enfrenta.  Muitas vezes ela é reduzida a uma vaga ideia da crença num ser superior que não se define nem se manifesta nem se apresenta com seu poder, que fica diluído em imaginações rarefeitas de superstições sem nada mostrar de concreto. Daí não lhe ser dado o respeito que lhe é devido. O motivo desta fé é buscado nos apetrechos de um mercado espiritual encontrados nos Shoppings, nos horóscopos, nos duendes e na fala opaca de especialistas em discursos de  mercancia. É o lugar onde buscam fundamentar  e dar suporte à sua fé.
Esquecem-se de que Deus confiou aos Anjos a tarefa de nos guardar os caminhos da vida.  São os seres, de perto de Deus, encarregados de conduzir e guardar a vida de cada um de nós. São mensageiros que nos vêm dizer que Deus nos ama e são mandados para nos proteger e nos conduzir de maneira segura nas nossas andanças e afazeres pela vida afora. Não podemos correr atrás de ilusões, mas precisamos ser pessoas conscientes de que, quando buscamos a sua proteção, somos pessoas já visitadas por Deus e presenteadas com a força de sua graça e misericórdia.