Caminhar juntos

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O tempo caducou

Não temos muito a pensar. O tempo de refletir caducou. As vozes estão nas praças, nos jardins, nas ruas, nas avenidas, nos cantos da cidade. O trânsito está parado. Muitos coletivos já se recolheram, porque não adianta.  Não vão nem para  frente nem para trás. Olho para os coretos não vejo ninguém. Subo nos palanques e os sinto calados. Ninguém com quem eu possa falar, debater, discutir e estudar soluções, a quem eu dar meu voto. A inquietação cresce a cada momento. A insatisfação continua também no rosto daqueles que ficaram em casa.  Pudera!...  Também não há como se reunir. O alarido está na porta.

 Os lampejos de solução não podem ter faíscas mesquinhas. As explicações não brilham mais na inteligência. Hão de falar agora em gestos de vontade. O que poderia ter sido feito não ganha agora no tumulto explicação plausível.. Há um deslocamento de foco para a vontade do povo. Não vem como partido nem bandeira. A autoridade já não fala com vontade própria. Porque é isso que o povo quer. Ver suas necessidades atendidas. O seu sustento garantido. A sua luz acesa. Seu curativo ser trocado em tempo certo. Seu caderno anotado com ótimo. Tudo agora atesta que não é uma parte da população.


Que fazer? Pedir socorro aos céus?  Talvez seja uma boa saída para o impasse que deixa no ar o cheiro de uma fumaça negra que ninguém sabe onde vai dar. Tomara que levasse a um bom caminho, que ninguém confessa, mas sonha com ele. Onde estão os corifeus com suas falácias e sua palavra de ordem? Será que perderam as trombetas que escondiam seus últimos reais em seu intestino?  Ou querem se fazer também um de nós, com consciência limpa mas cara deslavada, cometendo a mesma afronta, que os coloca entre os algozes mais temíveis do povo?  Com certeza estão vivendo febre, calafrios e pesadelos políticos. Democracia neles!...

sábado, 1 de junho de 2013

O que penso e sinto...

Penso e acho que deve estar sendo desenvolvida uma atividade muito grande por este mundo afora sobre os conteúdos da fé cristã. Quando Bento XVI  propôs este ano como o Ano da Fé, teve sua visão muita mais voltada para a fé em si mesma, chamando a atenção dos cristãos para as preocupações com um comportamento que não desperta nem enriquece em nós esta virtude. Pode o fato  levar o cristão a uma situação de empobrecimento e até  mesmo chegar à perda   desta crença e confiança  na Palavra de Deus.  Ele falou de um tecido cultural unitário que já não mais faz sentido para o mundo de hoje.

Este modo de ver faz lembrar ainda um posicionamento do João Paulo II, que observou, numa manifestação ao Povo de Deus,  sobre a necessidade de se pregar novamente o querigma em muitos setores da sociedade, que já perderam os fundamentos de sua fé. Por quê?  Porque o homem já não se sente mais  um ser religioso, saído das mãos de Deus,  e, portanto, se diz sem religião. E vale dizer que não se sente mais compromissado com os fundamentos que pregam um Cristo como  Senhor da história. Ora, a nossa missão é nos tornar sal da terra e se perdemos o sabor deixa de existir o condimento necessário para cristianizar e deixar o mundo mais perto de Deus.


Então, o nosso batismo ficou esquecido e se tornou apenas um registro que não nos compromete.  Também não tem valor algum  neste mundo tão conturbado e sem a prática de valores duradouros. O nosso ato de fé já não aprofunda suas raízes no terreno invisível do coração de Deus, perdendo aquela relação nossa íntima e necessária com aquilo que declaramos aos nossos companheiros de caminhada. O que juramos professar diante dos outros Já se tornou vulgar e já não diz mais nada. Tanto faz como tanto fez. O mundo é de quem mais avança, de quem mais produz, de quem  for mais esperto.  Já não há mais porta que nos permita entrar em comunhão com Deus. Vivemos em convulsão.