Não temos
muito a pensar. O tempo de refletir caducou. As vozes estão nas praças, nos
jardins, nas ruas, nas avenidas, nos cantos da cidade. O trânsito está parado.
Muitos coletivos já se recolheram, porque não adianta. Não vão nem para frente nem para trás. Olho para os coretos não
vejo ninguém. Subo nos palanques e os sinto calados. Ninguém com quem eu possa
falar, debater, discutir e estudar soluções, a quem eu dar meu voto. A
inquietação cresce a cada momento. A insatisfação continua também no rosto
daqueles que ficaram em casa. Pudera!...
Também não há como se reunir. O alarido está na porta.
Os lampejos de solução não podem ter faíscas
mesquinhas. As explicações não brilham mais na inteligência. Hão de falar agora
em gestos de vontade. O que poderia ter sido feito não ganha agora no tumulto
explicação plausível.. Há um deslocamento de foco para a vontade do povo. Não
vem como partido nem bandeira. A autoridade já não fala com vontade própria.
Porque é isso que o povo quer. Ver suas necessidades atendidas. O seu sustento
garantido. A sua luz acesa. Seu curativo ser trocado em tempo certo. Seu
caderno anotado com ótimo. Tudo agora
atesta que não é uma parte da população.
Que fazer?
Pedir socorro aos céus? Talvez seja uma
boa saída para o impasse que deixa no ar o cheiro de uma fumaça negra que
ninguém sabe onde vai dar. Tomara que levasse a um bom caminho, que ninguém
confessa, mas sonha com ele. Onde estão os corifeus com suas falácias e sua
palavra de ordem? Será que perderam as trombetas que escondiam seus últimos
reais em seu intestino? Ou querem se
fazer também um de nós, com consciência limpa mas cara deslavada, cometendo a
mesma afronta, que os coloca entre os algozes mais temíveis do povo? Com certeza estão vivendo febre, calafrios e
pesadelos políticos. Democracia neles!...