Caminhar juntos

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Como ver a renúncia do Papa


Quando superamos as dificuldades colocadas diante de nós, fazemos um profundo ato de fé nas coisas boas, que ainda  encontramos num mundo tão revolto e perturbado com as coisas do espírito. É um mistério, que se vive, ao ter de lidar com situações tão adversas e ao mesmo tempo tão próximas da realidade, mas que não  nos parecem reais por  advirem de um campo  cheio de surpresas e interrogações. Mas a realidade daquilo que se faz objeto de nossa crença, precisamos entender, é algo que está fora de nós e  que, ao mesmo tempo, está presente em nós, como  lugar de nosso agir e viver na certeza de saber que estamos fazendo o que é certo.

                Neste proceder, damos o nosso assentimento num gesto puramente humano que toma o caminho da certeza ou se resvala na encosta  da opinião. E sabemos bem que diante a da verdade não temos  como declinar, quando, diante da contingência,  a coisa pode ser ou não ser, porque colocamos a nossa confiança naquilo que pode ser ou não a verdade. São critérios humanos e ordenamentos divinos como fundamento de nosso ato de afirmar ou negar, de pôr ou abster-se de um ato, de falar ou silenciar, de avançar ou recuar diante da realidade. É pelo fato de a gente ver o mundo com os olhos de Deus, que eu ponho o meu ato  de fé. Daí ser diferente o fato para dois indivíduos que usam  de prismas diferentes.

                Por isso, não vivemos a fé em vista de segurança ou de atenção que alguém nos possa devotar. Temos nela a vivência de um mistério em que estamos envoltos e nos fazemos presentes no mundo, a partir daquilo que Deus espera de nós para   preencher validamente nossa função, naquele lugar da criação, que nos foi destinado por Deus. E aqui é bonito, neste Ano da Fé, o homem de hoje sentir a força e o  subjetivo de que  se reveste a renúncia de Bento XVI. Somente assim podemos ver a exigência da fé neste gesto de renúncia. Então, podemos perguntar qual o significado disto pra você, cristão ou não, letrado ou iletrado, frio cientista ou convicto filho de Deus? Ou reformulemos os nossos conceitos científicos ou as nossas frustradas razões de fé para compreender um pouco do que está acontecendo.  Ou então não vamos entender nada de nada.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Um santo ainda de pé


Estou na expectativa cristã. Sim, é uma expectativa com sentimento restrito, pois se trata de assunto  que não interessa, de maneira tão premente assim, a muitas pessoas.  Em verdade, o interesse nosso tem conotações diferentes e fala muito mais ao espírito que nos constitui do que ao espírito do mundo que tem sua marca num individualismo que não se importa com ninguém. O mundo quer poder. Tem necessidade de registrar sua identidade com o grito de uma razão que só lhe serve como instrumento de conquista. Objetiva-se no jogo de interesses escusos  e usa dos meios  de quem parece se envolver com algo que em nada quer e não lhe diz respeito.

No entanto, quer estar focando um quadro que ele acha não ter moldura, mas lhe interessa na medida de um fato que todos comentam e ele não pode ficar de fora para não dar ensejo ao alheamento sobre o mosaico de um mundo moderno. O papa vai se recolher aos moldes de uma vida monástica, vai entregar-se por inteiro ao clima da oração, a fim de doar-se em alma e espírito à comunhão de sua Igreja. Ao renunciar ao cargo de sucessor de Pedro, assume uma nova postura em função de um projeto maior que é a promoção de uma Igreja mais viva e dinâmica no anúncio do Evangelho.

Alguém, no mundo de hoje, teria um desprendimento deste!... A sua mensagem com este gesto, longe de ser um fracasso, é um ato de pura coragem, fruto insofismável das luzes do Espírito de Deus e da certeza de sua presença nos caminhos da Igreja. A serenidade com que encarou uma situação, tão inusitada quanto pessoal e de pureza de responsabilidade, fez a Igreja balançar na tradição de seus fundamentos e sentir que o Cristo, mais do que nunca, fala alto e com autoridade no seu trabalho evangelizador nos campos de um mundo que se quer moderno. Seu contato com Deus, nos moldes de uma vida contemplativa recolhida às medidas  e paredes de um mosteiro no Vaticano, dá-nos uma visão, quase material e física,  de um homem de Deus diante de seu Criador. Ad majorem gloriam Dei.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um outro modo de sentir a graça de Deus


O Papa renunciou. Como o forte e estridente som de uma bigorna, a notícia me feriu com muita dor e corte profundo na carne da minha sensibilidade. E olhe que ouvi  o relato de uma freira num local mais do que privilegiado : o santuário da Serra da Piedade. Fato que jamais poderia pensar em receber  de uma religiosa e num lugar onde fui cumprir o propósito de uma peregrinação ao celebrar o Ano da Fé como gesto e exercício de piedade cristã. Ano proclamado pelo papa renunciante.
Ouvi mil coisas, umas reprovando e outros aplaudindo como decisão sábia e corajosa. Os motivos não ficaram bem claros ou não convenceram muito. Pode haver motivos maiores escondidos debaixo desta cinza. Mas quem somos nós para tal julgamento, quem para avaliar e fundamentar este proceder. Verdade que a maneira interna da Igreja de ver as coisas é diferente e muito do modo de enxergarem os olhos do mundo, Por quê? Porque o leitmotiv da Igreja de se conduzir é totalmente diverso do que o mundo pratica.
                Seja como for  ou seja como querem interpretar, todos têm sua razão e seu modo de sentir e se  expressar. Valores do mundo : poder, honra , cargo, autoridade, sucesso, presença marcante e reconhecida...  talvez não seja este o modo como um religioso vê as coisas. Dizem de ato de grandeza e de coragem. Digam o que quiserem, mas também vejo, à minha maneira, como cristão inserido num mundo de valores confrontantes. A lição que Bento XVI nos deixa ou melhor ministra  aos homens da Igreja de nosso tempo é muito  grande e de ensinamento muito forte de amplitude e abrangência mesmo milenar.
Vale pedir e lembrar  :  Oremus pro pontífice nostro.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O caminho é pra todos


Sempre que a gente vê a vida dos santos ou participa de uma festa em homenagem   a algum deles, a gente começa a acreditar que a santidade está ao alcance de todos nós. Folheio sobre a vida de um, repasso a história de outro e vou me convencendo mais de que é realmente possível ser santo, apesar de estar o mundo  procurando puxar o nosso tapete a cada momento. Outro dia mesmo, dia 25, foi a festa de São Paulo. Eh... aquele que caiu do cavalo, quando, perseguindo os cristãos, se viu irremediavelmente envolvo nos braços de Jesus. Santo temperamental, mas de profunda sensibilidade.
                31 último foi dia de celebrar São João Bosco. Eu me lembro do tempo de garoto. Quando via os meninos salesianos correrem atrás de uma bola, eu me punha  a pensar  sobre o que levou o santo a  uma pedagogia tão certeira que fez meninos desalojados na vida a se enquadrarem num esquema educacional tão eficiente como aquele. A luz de Deus bate na alma, revelando  todos os seus cantinhos para realçar valores que podem ser de grande valia para a sociedade, quando praticados e vivenciados na prática do amor cristão.
                Vemos exemplos e continuamos cegos a valores que permeiam entre nós como a sobrar e não ter deles o que fazer. Os cristãos conhecem muito do que muitos não conhecem e querem levar ao mundo aquilo que o mundo ainda não conseguir enxergar nem perceber ao que fomos chamados  :  à santidade. Esta é um processo que caracteriza o caminho de quem procura a Deus. Por isso há muitos que querem ser santos, mas não conseguem trilhar no mundo o caminho da santidade. É importante não desistir, porque é um construir constante do caminho. Deus, de braços abertos, nos aguarda na ponta deste caminho.