Caminhar juntos

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Esta é a minha. E sua maneira de ver a vida?

Quando vemos em alguém uma atitude, que nos desperta, ou ouvimos alguma coisa, que nos conforta, sentimos a leveza da alma.  Passamos, por momento, a acreditar num mundo  todo azul. Foi assim o que ouvi do apresentador de um programa de televisão,  quando, sem maiores pretensões, assim se expressou, referindo-se às dificuldades da vida  ao dizer que o sofrimento é uma ponte por onde você passa para chegar à outra margem e não  o rio para você naufragar nele. A vida do cristão passa por aí. Quando se coloca o problema nas mãos de Deus, a pessoa vê o mundo com outra dimensão.  Tudo é azul, tudo dá certo e tudo ganha outra conotação. No entanto, quando vemos um cristão sem a vivência da fé, sem a presença da oração na sua vida, sem a confiança naquele que é sua foça, sentimos que estamos diante de um cristão anêmico, fraco e que precisa de cuidados. É por isso que muitas coisas de nossa vida devem passar por um ritual ou se transformar numa atitude corriqueira de viver. Se abrirmos os olhos e deixarmos aberta a porta do coração, vamos enxergar outras dimensões não exploradas no mundo em que vivemos. Você concorda isso?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ética em Primeiro Lugar

Quando uma preocupação fica incomodando nossa cabeça, buscamos uma palavra para nos servir de guia ou um conselho que legitime nossas idéias. Assim em Ética da Publicidade, do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, encontramos o que buscávamos :
          A publicidade política tanto pode apoiar e ajudar o funcionamento do processo democrático como o pode dificultar. Isto verifica-se quando, por exemplo, o preço da propaganda limita a competição política a candidatos ou grupos abastados, e exige que os aspirantes a um cargo público comprometam a sua integridade e autonomia, dependendo dos fundos de grupos de interesse. Este entrave ao processo democrático também pode acontecer quando, em vez de ser um veículo para a exposição honesta das idéias e dos antecedentes do candidatos, a propaganda política procura deturpar as idéias e o passado dos adversários, desacreditando injustamente a sua reputação.  Isto verifica-se quando a propaganda desperta mais as emoções e os baixos instintos das pessoas, o egoísmo, a prevenção e a hostilidade em relação ao próximo, os preconceitos racial e étnico etc., em vez de focalizar um profundo sentido de justiça e o bem de todos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pensando e Dizendo

Coisas que não entendo. Há atitudes para as quais a gente, muitas vezes, não tem explicação. Assim, não batizar filho de pais que não são casados. É coisa que não dá pra entender. Até nem sei se a Igreja tem normas canônicas que me fazem assim negar o batismo para esta criança. Aproximar esta idéia àquela da criança que não pediu para nascer. Acho nisso coisas muito parecidas. E quem nega o direito do batismo a esta criança responderia a outras propostas muito graves, que estão em debate na sociedade e de consequências muito funestas? Não tem como se escusar.

Indo ao Mural de Recados

Obrigado, amigo, pelo seu pedido deixado na caixa de recados. No seu livro Dimensões da Fé (encontrado na Editora Vozes), Alsem Grün, logo na Introdução, nos diz que depara com dificuldades que lhe parecem muitos comuns : Eu  não consigo crer. Tenho dificuldades com a fé. Talvez não seja problema tão comum aqui entre nós e ficaria isso para além-mar. Lá na terra dele, a Alemanha.

É bom considerar a alegria de uma experiência que se pode ter num encontro com Deus. E a gente fica pensando naquela passagem do profeta Habacuc que diz : O justo viverá pela fé. Talvez, amigo, não seja uma preocupação sua, mas é bom a gente alinhar a vida com as coisas lá do alto.  O autor nos deixa neste livro uma observação muito apropriada   -   A fé não deixa de ser uma boa maneira de enfrentar os problemas da vida diária.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Resgate versus Ressurreição

Os mineiros do Atacama me deixaram na mente uma imagem forte, determinante e eloqüente. Deus se dá e se faz presente no tempo oportuno como fato básico de nossa fé. Sem depender do tempo nem da história para  a gente se familiarizar com ele, Deus se faz presente e atuante, a partir de agora, na alma de muitas pessoas, como força concreta de uma experiência, que nunca imaginaram viver nem provocar, um dia, aqueles mineiros,

Tudo estava sendo contado e mostrado pela televisão para o mundo inteiro, incluindo até mesmo o milagre como resultado das orações de tanta gente. Todos compreendiam que a maior prova da atuação de Deus estava ali naquele resgate.  Nenhuma prova mais se podia exigir a não ser o êxito daquela mega e arriscada operação. Havia uma confiança geral e comunicavam-se os gestos de esperança, que ligavam todos os detalhes de atos precisos dos homens que não podiam falhar.

Lá embaixo, no coração da terra, a fé unia os corações  e a esperança dissipava as dúvidas, aguardando os homens a hora precisa de Deus.  Vi nisso o acontecimento antigo da ressurreição, com um corpo morto num sepulcro, aguardando a hora do tempo. Aqui, não um, mas trinta e três corpos vivos, num sepulcro com profundidade de 620 metros, com um mundão de terra por cima, aguardando, confiantes, o tempo de Deus.

Por isso acreditamos no que nos foi ensinado. A hora dos homens não é a hora de Deus. O tempo de Deus não é  o tempo dos homens. Os projetos de Deus, se os homens deixarem, se tornam também projetos dos homens. Entendemos assim que a oração feita com fé salva, o amor experimentado em comunhão faz viver.

O resgate dos mineiros é o evento da ressurreição bem no meio de nós hoje. Muitas pessoas, a partir do resgate, vão entender porque a mina está vazia     -      os mineiros não estão lá mais        estão agora aqui em cima.  Ressuscitaram.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Em Tempo de Política

            Ainda outro dia um sobrinho, bastante jovem, me escreveu dizendo o seguinte : muita gente faz o jogo do  deixa-pra-lá nas eleições, dizendo que não gosta de política. Pensei comigo : este jovem quer chegar a algum lugar com esta observação. E não deu outra.  No final da carta, dizia que, depois, a pessoa fica a reclamar de um político corrupto. Ou que a cidade ficou entregue ao desmando. Ou que a Administração está à deriva.

            Com razão. Conclui com bastante facilidade o que o jovem queria dizer. Há pessoa adulta, com presteza de compreensão, bem apessoada e até de bom nível escolar que não vota ou anula o voto, pois seu voto não faz diferença alguma, observa ela.  Fulano já ganhou, dizendo que tudo é a mesma coisa. É farinha do mesmo saco. Não faz sentido votar hoje em dia.   Política é só coisa suja.

            Sem pedir, o jovem me deu a primeira lição de cidadania.  Dizia que se informava por todos os meios para conhecer um candidato e compará-lo com outro. Quer formar um conceito a respeito deles e ver quem é menos mentiroso ou que programa mais convém à sociedade. Ele me fez lembrar de uma coisa.  Há poucos dias, abordei um colega de faixa social privilegiada e ele me disse que anulava o voto. Fiquei estarrecido.

            Mas você...  Não, é tudo ruim. Não dá para escolher. A indignação me subiu à face e a voz já não teve mais tranqüilidade. Pensei e lhe passei a conversa. Entre dois palitos de fósforo da marca (...?)    -    não é possível que você não experimente um para acender a pira da honestidade de uma  Nação. Se você não tem nenhum critério para escolher, então arranje um critério.  Exemplo  :  a posição dos palitos (o da sua direita ou o da sua esquerda).

            A pira da nossa Olimpíada não pode estar apagada por sua causa. E não argumente : meu voto não faz diferença. Faz sim.  Imagine :  Somos 3.621 eleitores. Só falta você para votar. Cada candidato obteve, ainda ocultos, lá dentro da urna 1.810 votos. Quem está decidindo qual vai ser o Presidente do Brasil? Só falta você para votar.  E então?  Anulando seu voto, fica empatado e aí haverá novas eleições. Pois bem. Você se omitindo ou anulando seu voto, você poderia calcular a despesa de uma nova eleição por causa do empate? Imagine e me responda.

            Podemos mandar esta despesa para você pagar? Não venha depois dizer que o lixo está acumulado na sua porta, ou as estradas esburacadas, ou a saúde uma droga, ou a educação falida, ou a segurança é uma questão de violência institucionalizada. Não, meu amigo, não ponha a culpa nos políticos. O irresponsável, o corrupto, o desumano é você que sabe disso e não exerce o seu direito de escolher.  É você que anulou o seu voto.  Sim, você é livre, eu sei.  Mas é o mais corrupto de todos os brasileiros.  Só por omissão?  Não sei..   Mas por covardia?   Tenho certeza,  Sim.    Pense nisso.!...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Santa do Andor

     Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Sei que todo o povo brasileiro se coloca aos pés da Virgem. Claro, com exceção de alguns poucos, que resistem, por preconceito. Recusam  atender ao chamado daquela Mãe que reune os filhos sob o carinhoso olhar de quem ama, acolhe e protege.

     É dia de festa e de oração. E os fogos ao meio-dia dão conta da temperatura do que se passa no coração do brasileiro. Na alma de uma gente que se sente escolhida para um gesto de amor. Na mente de quem se desdobra para tocar o andor que a leva pelos diversos lugares e rincões do nosso país. Nas mãos que pulsam um coração agradecido àquela que lhe vem com ternura ao seu encontro.

     É sempre o tempo que se faz doce na alma desta gente que sabe amar. O calor que aprimora a fé de um povo que caminha com os olhos fixos nas bênçãos que se desprendem de suas mãos. O povo não é bobo, porque sabe que Nossa Senhora não é uma senhora esquecida. Nem uma Mãe que abandona. Nem alguém que chega para cumular com os presentes do céu.

Cantemos com quem canta sempre :  Viva a Mãe de Deus e nossa.

Dia 12 - O próprio do dia

            Gosto de falar do terço como gosto muito de rezá-lo. Mas para bem rezar o terço, preciso meditar os mistérios que perpassam esta oração. E o contemplá-los ao rezar me faz gostar mais daquilo que faço.
            E de que mistérios está envolvido o terço?  São os tempos fortes da vida, que Jesus veio trazer para nós, ao desenvolver seu plano de salvação sobre os caminhos que a humanidade vem trilhando e que não devem ser trilhados sem o esforço de o compromisso de uma profunda e íntima reconciliação com Deus.
            Contemplar os mistérios do terço é procurar colocar-se dentro deste raio da ação ativa de Deus em nossa vida. Contemplar então é tomar alguns quadros ou passagens da vida de Jesus, trazendo-os à memória e imaginação para considerá-los com admiração e com amor. São fatos e acontecimentos reais, que nos fazem experimentar sentimentos de alegria, quando saboreamos a doçura de uma fé exultante, ao meditar fatos como a anunciação e nascimento de Jesus.  São os mistérios gozosos rezados às segundas-feiras e aos sábados.
            Também a elevação da alma às alturas de uma mística leve e suave com a certeza de uma vida  feliz, que nos espera no final dos tempos, nos é dada com a recitação dos mistérios gloriosos fundados na ressurreição de Cristo que venceu a morte, o que fazemos sempre às quartas-feiras  e domingos. Mas se nos condoermos com os sofrimentos de Jesus, que nos amou apaixonadamente a ponto de morrer por nós numa cruz, estamos nos valendo dos mistérios dolorosos rezados toda terça-feira e sexta. Ora se o assunto é me abrir para entrar uma forte luz que invade todo o meu ser, estou na quinta-feira recitando os mistérios luminosos ao ser transportado ao Monte Tabor, onde juntamente com Pedro, Tiago e João, me coloco para entrever a glória e a felicidade de quem já está diante de  Deus.
            É um convite à prática das bem-aventuranças para se viver uma vida cheia de força, sabedoria e paz. Contemplar os mistérios do terço é invocar as passagens da vida de Jesus para experimentar com ele as diversas estações de seu plano de amor. Ele nos dá a oportunidade de recordar sua vida para nos tornar felizes. A contemplação dos mistérios é o ingrediente forte daquela sequência pedagógica das ave-marias, que busca fixar em nosso coração o seu ato de um grande amor por nós.
            Com isso você se lança na corrente ativa do amor sagrado de Deus, antecipando para o seu hoje os momentos eternos de uma alegria sem fim a que somos resgatados. Sem contemplá-los a oração perde muito de sua beleza para ficar numa repetição enfadonha de ave-marias. E para conhecer um pouco mais é só ler o documento 183 de João Paulo II sobre o Rosário da Virgem Maria.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Álbum de Família

Os lugares me marcam com seus espaços, as pessoas me oferecem conflitos com suas idéias, as cerimônias me decepcionam com seus motivos políticos e culturais.