Caminhar juntos

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

De Finados para Finados

Estou na dúvida se guardo ou não o retrato de meu pai. Hoje Finados, dia do seu aniversário. E ainda persiste, e não sei se por isso ou aquilo, a indecisão de ficar ou não com seu retrato ali na parede a me censurar ou aprovar tudo aquilo que ainda faço. Que lá está ele a me olhar, tenho absoluta certeza disso. Mas num outro plano, numa outra vida, na dimensão de um outro tempo, que também me espera para sentarmos juntos e falarmos das coisas que temos em comum.

            Via meu pai chegar cansado e andando devagar. Pensava com meus botões, olhando para o meu filho : você ainda um dia vai me ver chegar cansado e andando devagar. O tempo passou e o dia chegou. Olhava para o meu filho, pensando no meu pai. E chegava devagar, mas não chegava cansado. E, olhando para o meu filho, pensava com meus botões que me falavam assim :  eis aí a sua razão de viver.

            Ainda hoje olho pra o meu filho, vendo a primavera de sua chegada. A terra é fecundada, tudo que se planta dá. A sementeira já está carregada, esperando a hora em que o semeador lança no chão a sua esperança. E na confiança... vê o Criador. Então, já decido com certeza de ali ficar o retrato, pois vai sair o fruto com muita beleza de uma nova terra e um novo céu. Já vai se vendo um outro horizonte, onde o alimento é novo leite e mel.

4 comentários:

  1. Acredito que sua dúvida seja atroz. Fica parecendo aquele retrato na parede lá de Itabira.

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  2. Quando pensamos em nosso estado de finalmente, começamos a enxergar os filhos numa etapa de cima, mas não vemos que nosso estado já está avançado e o fim vai chegando sem que acreditemos niosso. É momento de apreensão na vida da gente. Vemos, mas não queremos enxergar. Tem sentido esta dúvida, porque todos nós passamos por ela ou pelo menos vamos passar.

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  3. O dia de finados me deixa muito zangado, quando presencio a falta de respeito nas pessoas que vão ao cemitério. O tempo é de reflexão, de curtir uma saudade, de recordar coisas boas e não lembranças ruis, desagradáveis, de reprovação, de menção a coisas que denigrem a imagem daquele que ali está.Fico chateado quando vejo atitudes destas. É hora de fazer votos de bem-estar daquele defunto.

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  4. Não sou muito de finados, mas respeito profundamente este dia.

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