Estou na dúvida se guardo ou não o retrato de meu pai. Hoje Finados, dia do seu aniversário. E ainda persiste, e não sei se por isso ou aquilo, a indecisão de ficar ou não com seu retrato ali na parede a me censurar ou aprovar tudo aquilo que ainda faço. Que lá está ele a me olhar, tenho absoluta certeza disso. Mas num outro plano, numa outra vida, na dimensão de um outro tempo, que também me espera para sentarmos juntos e falarmos das coisas que temos em comum.
Via meu pai chegar cansado e andando devagar. Pensava com meus botões, olhando para o meu filho : você ainda um dia vai me ver chegar cansado e andando devagar. O tempo passou e o dia chegou. Olhava para o meu filho, pensando no meu pai. E chegava devagar, mas não chegava cansado. E, olhando para o meu filho, pensava com meus botões que me falavam assim : eis aí a sua razão de viver.
Ainda hoje olho pra o meu filho, vendo a primavera de sua chegada. A terra é fecundada, tudo que se planta dá. A sementeira já está carregada, esperando a hora em que o semeador lança no chão a sua esperança. E na confiança... vê o Criador. Então, já decido com certeza de ali ficar o retrato, pois vai sair o fruto com muita beleza de uma nova terra e um novo céu. Já vai se vendo um outro horizonte, onde o alimento é novo leite e mel.
Acredito que sua dúvida seja atroz. Fica parecendo aquele retrato na parede lá de Itabira.
ResponderExcluirQuando pensamos em nosso estado de finalmente, começamos a enxergar os filhos numa etapa de cima, mas não vemos que nosso estado já está avançado e o fim vai chegando sem que acreditemos niosso. É momento de apreensão na vida da gente. Vemos, mas não queremos enxergar. Tem sentido esta dúvida, porque todos nós passamos por ela ou pelo menos vamos passar.
ResponderExcluirO dia de finados me deixa muito zangado, quando presencio a falta de respeito nas pessoas que vão ao cemitério. O tempo é de reflexão, de curtir uma saudade, de recordar coisas boas e não lembranças ruis, desagradáveis, de reprovação, de menção a coisas que denigrem a imagem daquele que ali está.Fico chateado quando vejo atitudes destas. É hora de fazer votos de bem-estar daquele defunto.
ResponderExcluirNão sou muito de finados, mas respeito profundamente este dia.
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