Caminhar juntos

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vida dos que temem a Deus

Senti-me, no mínimo, indelicado senão injusto, quando o mundo se arvorou e eu me calei na morte de João Paulo II. Tantos ensinamentos ali bebi, como água pura daquela fonte cristalina que foi, em vida, este peregrino da esperança. Por certo o meu espírito não possui aquela acuidade das almas fortes que marca os verdadeiros filhos de Deus.

Aprendi a admirá-lo naquele encontro com as famílias, lá no Maracanã, em 1977. Vi de perto e quase toquei aquele santo, que passava perto de nós. Ali estava, diante dos meus olhos, um homem desperto, inteligente, entusiasta e santo, impescindível ao equilíbrio humano e mental da gente brasileira.

Enquanto o povo esperava uma reprovação enérgica e impiedosa às filosofias que embruteciam a alma do povo brasileiro, ela não veio. Enquanto o povo aguardava a acusação condenatória à fermentação criminosa de uma minoria organizada e agressiva da gente brasileira, a acusação não se deu. Enquanto o povo buscava justificativa para descaracterizar o movimento em favor do aborto, da eutanásia, do tráfico de órgãos, o pito não veio. Enquanto o povo dimensionava a condescendência insana aos serviços médicos oferecidos para uma morte tranquila e agradável dos doentes terminais, a comiseração não veio.

O João de Deus apontou caminhos que levam à construção de um mundo melhor no seio da família, sem ao menos tanger a ansiedade do povo, deixando sua consciência arrefecida com um impiedoso balde de água fria. O assunto era família com novas dimensões abertas para sua reconstrução.

Eu me calei. Minha casa silenciou. O mundo tem caminhos ínvios e nós, como não acreditando, paramos estupefatos, esperando não sabemos o quê. E João Paulo tomou a iniciativa para seguir a proposta do caminho mostrado por Deus. E nós o seguimos. E aqui, quando a justiça se esvai aos nossos olhos e nos sentimos sem entender certas coisas da vida, é porque ela entrou noutra porta que Deus abriu para nós. Agora João Paulo é o nosso mais novo beato já que acreditou nos critérios, naquele momento, revelados por Deus.
É assim a vida dos que temem a Deus.

9 comentários:

  1. Há homens mesmo gigantes na santidade de vida. Também admirava João Paulo II.

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  2. Interessante é pensar como penso de vez em quando : quando quero ficar mais perto de Deus fico reparando estes santos que andam nas ruas perto de nós. E agora a alegria de ver uma pessoa que coneci e vi em carne e osso na avenida Afonso Pena em 1980 e já é objeto de nosso culto. Isso faz a gente pensar.

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  3. A vida vai andando e vamos sentindo Deus cada vez mais perto da gente. É questão de abrir os olhos e querer enxergar. Sentir o que se passa ao nosso redor.

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  4. Que surjam mais homens de fibra assim em nossos dias. O mundo parece virado de cabeça pra baixo e só gente assim é capaz de abrir caminhos para novos horizontes.

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  5. Ficava impressionado com atividade deste papa na preparação do dois mil ano de JC. O jubileu pra mim, se já era um acontecimento fora do comum,era uma coisa extraordinária, tendo à frente este papa com aquela disposição toda. E foi bonito e cheio de celebrações que deixaram muita gente a pensar na importância do momento celebrado. Senti-me tocado por tudo aquilo, pois era tempo de muita reflexão e este papa soube conduzir tudo com a garra de um homem de Deus.

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  6. Nunca imaginei que o mundo tivesse uma transformação tão grande com a presença deste papa. Geralmente são pessoas que não falam muito, mas agem com coragem e ousadia. Penso que a igreja teve à sua frente não apenas um santo, mas um homem com poder de decisão.

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  7. O mundo se transforma toda vez que encontramos também uma irmãzinha como aquela Dulce que foi beatificada ontem. Aquela sim, irmã dos pobres, faz toda a diferença no nosso meio.

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  8. O mundo só pode melhorar é mesmo com apresença de gente assim. E se não tomarmos consciência disto ele acaba explodindo de tanta coisa atrapalhada por aí.

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  9. "A casa do pai tem muitas moradas" O Papa meu, da minha predileção é João XXIII que abriu as janelas do Vaticano para deixar o ar entrar. Mas quem sou eu para julgar os designios de Deus, quando coloca pessoas tão diferentes na cátedra de Pedro? Reconheço em João Paulo II um homem que dedicou sua vida à Igreja de Jesus Cristo e que peregrinou pelo mundo inteiro levando a Boa Nova do amor do Pai. Entristece-me o silenciamento de tantos homens que também buscavam propagar o evangelho por outros caminhos. Deus sabe o que faz. Ildeu

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