Senti-me, no mínimo, indelicado senão injusto, quando o mundo se arvorou e eu me calei na morte de João Paulo II. Tantos ensinamentos ali bebi, como água pura daquela fonte cristalina que foi, em vida, este peregrino da esperança. Por certo o meu espírito não possui aquela acuidade das almas fortes que marca os verdadeiros filhos de Deus.
Aprendi a admirá-lo naquele encontro com as famílias, lá no Maracanã, em 1977. Vi de perto e quase toquei aquele santo, que passava perto de nós. Ali estava, diante dos meus olhos, um homem desperto, inteligente, entusiasta e santo, impescindível ao equilíbrio humano e mental da gente brasileira.
Enquanto o povo esperava uma reprovação enérgica e impiedosa às filosofias que embruteciam a alma do povo brasileiro, ela não veio. Enquanto o povo aguardava a acusação condenatória à fermentação criminosa de uma minoria organizada e agressiva da gente brasileira, a acusação não se deu. Enquanto o povo buscava justificativa para descaracterizar o movimento em favor do aborto, da eutanásia, do tráfico de órgãos, o pito não veio. Enquanto o povo dimensionava a condescendência insana aos serviços médicos oferecidos para uma morte tranquila e agradável dos doentes terminais, a comiseração não veio.
O João de Deus apontou caminhos que levam à construção de um mundo melhor no seio da família, sem ao menos tanger a ansiedade do povo, deixando sua consciência arrefecida com um impiedoso balde de água fria. O assunto era família com novas dimensões abertas para sua reconstrução.
Eu me calei. Minha casa silenciou. O mundo tem caminhos ínvios e nós, como não acreditando, paramos estupefatos, esperando não sabemos o quê. E João Paulo tomou a iniciativa para seguir a proposta do caminho mostrado por Deus. E nós o seguimos. E aqui, quando a justiça se esvai aos nossos olhos e nos sentimos sem entender certas coisas da vida, é porque ela entrou noutra porta que Deus abriu para nós. Agora João Paulo é o nosso mais novo beato já que acreditou nos critérios, naquele momento, revelados por Deus.
É assim a vida dos que temem a Deus.
Há homens mesmo gigantes na santidade de vida. Também admirava João Paulo II.
ResponderExcluirInteressante é pensar como penso de vez em quando : quando quero ficar mais perto de Deus fico reparando estes santos que andam nas ruas perto de nós. E agora a alegria de ver uma pessoa que coneci e vi em carne e osso na avenida Afonso Pena em 1980 e já é objeto de nosso culto. Isso faz a gente pensar.
ResponderExcluirA vida vai andando e vamos sentindo Deus cada vez mais perto da gente. É questão de abrir os olhos e querer enxergar. Sentir o que se passa ao nosso redor.
ResponderExcluirQue surjam mais homens de fibra assim em nossos dias. O mundo parece virado de cabeça pra baixo e só gente assim é capaz de abrir caminhos para novos horizontes.
ResponderExcluirFicava impressionado com atividade deste papa na preparação do dois mil ano de JC. O jubileu pra mim, se já era um acontecimento fora do comum,era uma coisa extraordinária, tendo à frente este papa com aquela disposição toda. E foi bonito e cheio de celebrações que deixaram muita gente a pensar na importância do momento celebrado. Senti-me tocado por tudo aquilo, pois era tempo de muita reflexão e este papa soube conduzir tudo com a garra de um homem de Deus.
ResponderExcluirNunca imaginei que o mundo tivesse uma transformação tão grande com a presença deste papa. Geralmente são pessoas que não falam muito, mas agem com coragem e ousadia. Penso que a igreja teve à sua frente não apenas um santo, mas um homem com poder de decisão.
ResponderExcluirO mundo se transforma toda vez que encontramos também uma irmãzinha como aquela Dulce que foi beatificada ontem. Aquela sim, irmã dos pobres, faz toda a diferença no nosso meio.
ResponderExcluirO mundo só pode melhorar é mesmo com apresença de gente assim. E se não tomarmos consciência disto ele acaba explodindo de tanta coisa atrapalhada por aí.
ResponderExcluir"A casa do pai tem muitas moradas" O Papa meu, da minha predileção é João XXIII que abriu as janelas do Vaticano para deixar o ar entrar. Mas quem sou eu para julgar os designios de Deus, quando coloca pessoas tão diferentes na cátedra de Pedro? Reconheço em João Paulo II um homem que dedicou sua vida à Igreja de Jesus Cristo e que peregrinou pelo mundo inteiro levando a Boa Nova do amor do Pai. Entristece-me o silenciamento de tantos homens que também buscavam propagar o evangelho por outros caminhos. Deus sabe o que faz. Ildeu
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