Caminhar juntos

sábado, 14 de maio de 2011

Você não esteve no mural

Tive um colega com o nome de Diomedes, jovem renitente, insistente e de temperamento impulsivo. Um dia, quando, juntos, assistíamos a uma peça teatral, sem que eu esperasse, me veio com essa pergunta : você sabe o que é Atlantes? Para não desviar minha atenção sobre o eloqüente diálogo que se desenvolvia no palco entre os atores, respondi não por responder. E Cariátide, insistiu ele, como a querer minha atenção sobre o seu desinteresse sobre a peça. Também não, respondi secamente sem ao menos voltar-me para ele, preso que estava à cena desenvolvida no palco. E você sabe...

Interrompi-o, já com os nervos à flor da pele, deixando-o no ar com uma pergunta minha, expressando um sentimento de desaforo : você sabe o que significa Diomedes? Ele olhou para mim bastante confuso e mergulhou num profundo silêncio como a querer procurar no fundo da cabeça uma explicação e balbuciou vencido : não sei e você? Sabe? Neste ínterim eu já havia perdido toda a trama que se passava no palco e o interroguei :

Sua mãe por acaso se chama Deípila? Não, respondeu. E seu avô tem o nome de Adrasto? Não, voltou a responder. Você é casado com Egialéia, não? Nãaaooo.. Ora, amigo, você sabe que sou solteiro. Sei não. Mas você esteve na guerra de Tróia? Que isso, companheiro!... Então, quem tomou os cavalos de Reso? Foi você sim, fui categórico. Então ele levantou a voz, insurgindo-se contra mim : você está fazendo hora com minha cara!.. De jeito nenhum. Ora, Diomedes, se você tivesse prestando atenção, entenderia por que estão dizendo lá no palco que você sumiu misteriosamente... Neste momento, Diomedes resmungou e saiu pisando duro, abandonando o teatro...

4 comentários:

  1. Eu me lembro de ter entrado numa igreja histórica uma vez no meio de uins turistas e o guia ter falado pra turma sobre Atlantes e Cariátides como fgiguras que sustentavam pilastras, qualquer coisa neste sentido. Hoje ouço novamente estes termos, mas não ligo bem o significado destas figuras.

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  2. Eu ainda não estive no mural...

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  3. Até parece história do Olimpo. Mas comigo se deu coisa parecida com uma família nada tinha de indígena. Todos com nomes de índio e um filho lá do meio dos doze ganhou o nome de Geraldo. Pra mim que era menino na época não havia coisa mais esquisita. Vamos pra frente.

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  4. Interessante quando a gente ouve coisas assim. Uma coisa puxa outra. Tenho também um companheiro com esse nome. Ele é canhoto e toca violão. Tudo ele faz com a mão esquerda, mas na hora do violão ele dedilha as cordas com a mão direita. Contadições entre os próprios procedimentos. Quando comento ele diz que não é capaz de tocar com a mão esquerda. São peças da vida.

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