Caminhar juntos

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sentido do alimento

Ontem, diante da TV, ouvi alguém fazendo algumas considerações sobre o alimento e como se deve alimentar. E fiquei como a ruminar a minha maneira de ver as coisas : há um tipo de alimento que dá vida ao corpo, há outro que dá vida ao espírito. O homem tem necessidade dos dois. Sempre que falta um, o homem perde sua identidade. O alimento do corpo cria essa vida que aí vemos e sentimos. Sem ela a definição de um vivente não se resolve.

Por pão denominamos tudo aquilo que leva não só à sustentação da vida, mas a alimenta e promove. Por extensão, passa a simbolizar a palavra, que mantém e exercita as atividades do espírito, representadas no homem pela sua inteligência e vontade. Pelo espírito, o corpo se manifesta com a força do pão material, enquanto, pelo corpo, o espírito se transporta para os costumes de uma comunidade de mesa. Assim sublinhamos as qualidades ou marcamos grosseiramente a cumplicidade de nossas fraquezas humanas, quando a palavra que nos deveria ativar o espírito cria um patamar de degradação e amofina o homem.

O pão da palavra é dado por inteiro. Não faz partilha nem há economia. Ele satisfaz na medida de cada um e cria condições para que todo ele possa ser aproveitado. O bom ou mau uso vai depender de quem o toma. O que não acontece com o alimento material que segue as regras da natureza e fica nas limitações de sua necessidade. Com os outros, os dois devem ser divididos e multiplicam a vida na generosidade de sua partilha. Ambos ganham a força de um grande amor, quando oferecidos com desprendimento e desinteresse.

5 comentários:

  1. Eu me entristeço profundamente quando vejo alguém jogar fora um pedaço de pão. Fico com aquilo na cabeça, remuendo, remuendo por muitos dias. É preciso respeitar o alimento.

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  2. Estou entendendo que o pão que dá vida ao corpo não pode estar estragado, mofado, duro. Assim seria prejudicial à saúde do indivíduo. Mas a palavra como pão do espírito também não pode estar contaminada, caso contrário, sendo agressiva, fora de propósito e que machuca causa tanto mal quanto algo que mata. Dirigir-se a alguém de forma grosseira pode ferir com força de morte.

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  3. Quando se fala de pão, vem água na boca... Mas precisa ser novo, quentinho e crocante... Eh...

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  4. O meu amigo fala do pão que alimenta o corpo que é feito de muitos grãos de trigo buscado no campo. E fala também da palavra que alimenta o espírito. Este pode ser feito com a farinha da ternura, do zelo, da alegria buscada no coração das pessoas. É bom ouvir isso e sentir que podemos fortalecer os fracos com a nossa palavra boa de conforto e vida na hora certa. Vale pensar e mostrar que queremos bem aos outros, levando-lhes a nossa palavrea.

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  5. Nós somos iguaizinhos àquilo que comemos. Se nos alimentamos de palavras fortes, agressivas ou de palavras ocas e vazias viramos indivíduos mau-humorados ou então pessoas fúteis e de nenhuma expressão. Gostei de ler o que li.

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