Há muitos anos atrás, a história do pensamento registrou a força do Existencialismo como uma dimensão filosófica a pontuar a nossa liberdade e a conseqüente responsabilidade de nosso posicionamento diante da vida. Vinha tocando o mundo imanente do ser humano sem perpetrar o ato com o gesto de um desafio.
Dos seus expoentes, Jean Paul Sartre é um nome forte. Heidegger, Kierkegaard e outros muitos faziam parte desta plêiade. E me lembro de olhar com certa temeridade para as mãos de uma colega, levando o livro de Albert Camus. Ficando raízes em Arthur Shopenhauer, deste aprendi uma definição pessimista de vida, que repito, ainda hoje, aos quatro ventos como recordação melancólica e jocosa dos tempos da Faculdade.
A relação do Existencialismo, envolvendo o mundo religioso, era uma linha freqüente e acentuada no modo de filosofar da época. E a gente sentia que a consciência, como dial da nossa existência, podia muito bem ampliar a voz do nosso ser. No entanto não se vislumbrava aparentemente caminho algum diante de nós. Entretanto dava para fazer um contato do nosso mundo concreto com o mundo da transcendência de Deus, mas as idéias andavam tão diluídas... Acreditávamos na consciência, em nós, como um elemento irredutível, que punha no eu, que se manifestava externamente, toda a sua individualidade.
No livro A Presença Ignorada de Deus, de Viktor E. Frankl, as lições do professor, no campo da Logoterapia, ganham importância maior nos dias de hoje, face ao pluralismo religioso em que vivemos. São largos seus passos na direção da transcendência. Leia, Silvana, porque a Psicologia tem muitos rostos e alguns são muito bonitos.
Jair que bom ter mais um cantinho para ler suas reflexoes. Adorei!
ResponderExcluirMuito bom mesmo!
Abraços
Entendo que é por tudo isso que o mundo de hoje, envolvido pela idéia de globalização e de encurtamento das distâncias, vem perdendo a sua ligação com a esfera da transcendência de um ser que ultrapassa os nossos próprios limites.
ResponderExcluirSe tivermos um olhar crítico para ver o que se passa hoje no mundo e formos sinceros em querer enxergar aquilo que vemos, temos de reconhecer que estamos nos movendo em diversas direções. Parece até que estamos perto de um abismo,cuja profundidade e assombro não sabemos avaliar. Por que não sabemos? Talvez por não sabermos decifrar a incógnita dos desdobramentos que o futuro vai nos trazerr. É verdade que não podemos fugir disso. Ainda assim o remédio a aplicae é permanecer no nosso lugar e encarar com coragem aquilo que tocar para nós. E não podemos fugir nem fazer corpo mole.
ResponderExcluirOlhe, gesnte, há muita literatura sedutora nas prateleiras das livrarias. Não vejo com bons olhos algumas que não levam a sério os conhecimentos que já adquirimos com o passar do tempo. Não podemos ir aceitando muita coisa que certos autores vão passando por cima pra nos fazer reféns das certezas que eles nos apresentam. Quando me mostram de onde tiraram ou onde nasceram suas idéias até que fico satisfeito, porque eu sou destes que correm atrás para conferir, quando me interesso pelo assunto. Mas se não dizem de onde partiram, deixo pra lá e não me envolvo com eles. Aprendi ainda na escola que a fonte é tudo para a gente aceitar as idéias de um autor. Ou a sua verdade que nos é passada de graça.
ResponderExcluirAté que vejo também por este lado do Giscala, mas não devemos achar que tudo é tirado do bolso como num passo de mágica. Não podemos concordar é com o leitor subserviente que aprova tudo que vê. Parece que não tem opinião própria e fica a concordar com tudo que estes livros apresentam. Há pessoas que não sabem ou não querem valorizar o que já foi conquistado com o esforço e o queimar pestanas de tanta gente dedicada. Pra esses vender livros é o que interessa. É o grande compromisso que eles têm. De certa maneira somos responsáveis pelo bem ou pelo mal que acontece por aí. Depois fica a pessoa resmungando, achando que...
ResponderExcluirFalou e disse, companheiro. Você mexeu na minha ferida. Pode-se dizer isso do Código Da Vinci que apareceu há alguns anos. É um exemplo clássico. Fiquei irritado com a falta de compromisso do autor. A verdade e o compromisso com as certezas do passado parecem não lhe importar.
ResponderExcluirEh... mas quando vemos o individualismo abrançando o mundo, as comunidades sendo devastadas e sua identidade ser apagada no mapa, sua cultura ser destruida, você, quase instintivamente, começa a escrever a sentença para condenar a globalização tão aplaudida. Não vou negar que não tenha seus méritos. Mas já vão longe as dimensões de seus deméritos.
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