Já ouvi dizer de donas de centenas de sapatos. Mulheres excêntricas. Cheias de complexos. De sentimentos ocultos e inconfessáveis. E essas pessoas nunca se sentem realizadas. Falta-lhes alguma coisa. Excedem no sentir o poder. Deixam a revelar algum desvio. Oprimidas por alguma emoção, quedam diante do inatacável. Os sapatos parecem lhe curar a alma. Nenhuma dessas é minha Santa de Rua.
Vejo isso pra salientar o profundo equilíbrio de alguém. Faz parte da retidão de personalidade uma meia dúzia de pares de sapatos. Só aí já dá pra repassar estilos, modas e detalhes. Talvez a ambição por mais lhe ficaria bem. Mas sabe dizer basta às coisas da vaidade. Ter um caminho. Enxergar uma meta. E olhar a vastidão de uma vida.
Por isso ela é grande. Quase diria, senhora dos destinos. Dos sentimentos. Os gigantes da paixão não lhe tomam a alma. Nem escurraçam a vivência de uma virtude que a embeleza. O amontoado traz ao chão. A quantidade sufoca. O além tira o tempo de viver a vida. Porque cria ansiedade, dúvida. Cansa, mata. Por isso meia dúzia de bom gosto lhe basta. Amém, mulher!... Você é a minha Santa de Rua
Por vaidade ou por coisa que lhe vai no fundo da alma, há mesmo gente que não sabe como lidar com as coisas. O que para uns é um empecilho para outros é motivo de grandes conquistas. A história nos mostra isso. Hoje mesmo, abrindo o jornal, vejo notícia neste sentido. Uns fazem uma leitura da vida e dos bens conquistados, outros se deixam levar pelo canto da sereia e só enxergam um lado da coisa.
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