Cada vez me entristece mais o dia dedicado à erradicação da fome. Não tanto por faltar comida na mesa de alguém, mas por sentir a indiferença de tantos que dispõem desta comida e não sabem que o seu irmão está passando fome ao seu lado. Vejo isso nas nossas casas, nos nossos restaurantes, nos nossos mercados e nos nossos corações. Por que gastamos tanto com os efeitos da fome e não podemos corrigir os tantos efeitos acarretados pela fome?
O país produz e não sabe como comer o que produz. O país colhe e não sabe como recolher este alimento. Os meios de transporte conduzem e não sabem como chegar ao destino com os alimentos-mercadorias. Curioso saber que um terço do produzido vai parar na caixa de lixo e mais lamentável ainda avaliar que um quarto do desperdício daria para alimentar os famintos da terra. Fazemos tantas contas, calculamos tantos percentuais por aí, executamos tantos investimentos e não ousamos pedir para nós a condição de viver daquele que passa fome.
E dói ainda muito mais profundamente o coração de quem vê e não tem meio de solucionar o problema o fato de ver tanta terra sem cultivo, tanta água correndo num país privilegiado como o nosso, tanto material capaz de fertilizar e adubar a terra onde caem as sementes, terra como diz o nosso observador, já gozador, “onde se plantando dá”. O que há com este coração desumano de nossos maiores? Onde estão as boas práticas de poder e saber lidar com a questão? Quem poderá nos servir de guia nos caminhos que levam a matar a fome de nossos irmãos? Valha-nos Deus!...
A impressa escrita e falada dá as notícias, mas não ajuda a fazer nenhum encaminhamento ou cobrar alguma medida que leve a efeitos práticos. Parece que apenas quer explorar a notícia da misérria.
ResponderExcluirFome não é pra qualquer um não... só os heróis são capazes de vivê-la.
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