Um dia ouvi alguém dizer que se, na
eternidade, tivesse que ouvir sempre uma música de que gosta aqui na terra, isso seria o inferno para
ele. Há muito de pensável sabedoria no que foi dito. Assim também há um leque de conclusões a que
se pode chegar com esta afirmação. Infeliz talvez o juízo que se faz com o
nosso modo de pensar daqui. Se fizermos isso o nosso comprometimento com as
coisas que abdicamos seria insuportável.
Há na vida oportunidade que nos é
dada uma só vez. Se não a agarrarmos,
ela se afasta, de vez, de nós e a chance fica perdida de maneira irreparável.
Dizem também (e isso podemos comprovar por nós mesmos) que o amor passa por nós algumas vezes e não o buscamos no lugar certo onde o
podemos encontrar. E aí, por culpa nossa,
procuramos inventar histórias para justificar a nossa infelicidade. E assim a
vida não tem o sabor que deveria ter. E vamos vivendo o tempo a lamentar o
ocorrido.
Por outro lado nos fazemos vizinhos
de uma realidade permanente que deveria morar conosco. Dentro de nós. Na nossa
casa. Envolver-nos-ia com sua intimidade. Tomaria posse de nossos corações.
Marcaria nossa vida com alegria, porque está à nossa disposição se oferecendo
em todas as situações. No entanto, nós a rechaçamos com certa veemência e desprezo.
Basta que a acolhamos e estabeleçamos com ela uma relação viva e de profunda
intimidade. Ela tem a propriedade de nos dar uma eternidade feliz numa música
que eterniza o nosso bem-estar : o paraíso.
É a santidade. Ela se oferece a nós em toda situação.
Gostei de ver alguém pensar assim.
ResponderExcluirÉ bem verdade isso. Tudo nos chama a atenção e aquilo que realmente nos interessa é levado para segundo ou terceiro plano.
ResponderExcluirAinda agora mesmo via a apresentação de um destes antores descompromissados com as coisas belas. Sua música perdeu um pouco do que tinha e mais ainda pelo que ele deixou de acrescentar a ela por lhe faltar um melhor palavreado e um maior respeito com a beleza. Assim pode a música virar mesmo um inferno, depende de cada um.
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