Quando a gente se põe diante de uma folha em branco, com um lápis na mão, logo vem a vontade de escrever alguma coisa que está a incomodar. Já não foi à-toa, ontem, o dia de São João Crisóstomo, o boca de ouro. Dizem os alfarrábios que era um grande devoto da Santíssima Eucaristia. Até aqui tudo bem, não fossem as circunstâncias de um quadro a que presenciei numa de nossas igrejas. A imagem de Nossa Senhora, tirada de seu altar costumeiro, deu lugar à exposição do Santíssimo Sacramento, naquela tarde, numa custódia dourada e luzes e velas acesas, chamando a atenção da presença eucarística de Nosso Senhor.
Chega uma cristã fiel, certamente dessas que visitam os santos nas igrejas, e procurou por Nossa Senhora e não a encontrou no lugar. Olhou despretensiosamente o seu lugar, ali momentaneamente ocupado, esboçou um jeito de decepção e saiu procurando sua imagem preferida pela igreja afora. Não a encontrando, num primeiro momento, fez jeito de sair, mas retornou a procurá-la, localizando-a num altar lateral. Depois de uma pequena oração, de uma vênia profunda e uma meia genuflexão, procurou e mandou beijinhos para São José, que estava ali por perto e saiu satisfeita a continuar a sua vida.
Suas palavras, orações e sentimentos certamente chegaram lá ao pés do Santíssimo, porque toda súplica e oração não param em Nossa Senhora, mas chega até seu Filho. E eu fiquei ali repreendido pela minha maneira de pensar e querer julgar, lembrando-me de uma passagem da Carta aos Romanos : Acolhei aquele que é fraco na fé, com bondade, sem discutir as suas opiniões. E, quase de imediato, lembrei-me de uma história que ouvi, quando menino, de um santo, também muito devoto da Eucaristia. Um fiel recebeu a comunhão das mãos do padre e saiu direto para a porta da igreja a ganhar a rua. Imediatamente, o santo correu ao altar, tomou dos castiçais e mandou que os coroinhas fossem ao lado daquele fiel, pois ali ia o Santíssimo Sacramento. Fatos, apenas fatos. Histórias novas de pensamentos velhos.
É mesmo interessante ver a falta de conhecimento das pessoas hoje em dia.
ResponderExcluirAntigamente parece que as pessoas tinham mais senso do sagrado e do divino. Falta formação, falta hoje também a vontade de saber mais das coisas.
Ouvi alguém dizer certa vez que Deus tem o seu trono em lugar sagrado. Ora, se a gente quiser, penso, oferecer o coração para Deus estabelecer nele o seu trono, Deus ficaria muito satisfeito com a espontaneidade de nosso gesto. Então sim, poderemos encontrá-lo sempre em todo lugar, em todo tempo e em todo santo, seja ele qual for. Com maior razão em Nosso Senhora. E na casa dele todos os lugares lhe pertencem. Falta um pouquinho de compreensão das coisas.
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