11 de abril/2012 - Dia dos anencéfalos. Vi a beleza das palavras e não senti a convicção dos conceitos que elas pareciam encerrar. Talvez elas mesmas não trouxessem os conceitos que os autores queriam que elas trouxessem. Senti o desconforto do assento de quem julgava e imaginei a cadeira do réu que, sem nada ter feito, ocupava o centro das atenções. Aguardava irremediavelmente uma sentença condenatória. Onde estão os protagonistas? Aguardando na plateia um veredicto de morte de quem não é portador de vida. Se não julgo a vida, como julgar um cadáver!... Julgo sim um corpo humano que é portador de vida. Se não julgo um cadáver, julgo a vida com todo o seu direito de existir, sua essência e sua realidade num corpo que, sem ela, seria simplesmente um cadáver. E quando se tira a vida de um corpo humano, tem-se um cadáver. E não me venham me querer convencer. O fulcro do julgamento é a vida e não o cadáver. Por mais que haja eufemismo ao tratar do assunto e designá-lo!... E por que distinguir o cadáver de um aborto do cadáver de um eufêmico cadáver de um feto com gravidez interrompida? E a vida, com sua mesma exuberância no ato de existir e acontecer, faz nascer, no colo do útero materno, um protagonismo entre dois seres ou duas pessoas, que se sentem no direito de viver. Mas como negar o direito de viver a um transferindo o seu direito para aumentar e tornar pujante o direito de outrem?... Ou existe tamanho no direito? Ou ele pode ser reconhecido não por aquilo que ele é, direito, mas pela minha opinião de ele ser aquilo que eu quero.
Assisti, esses dias, a um documentário sobre o holocausto e fiquei com minhas interrogações na cabeça. Seria aquela a maneira certa de se apurar uma raça? De onde vinha a autoridade àqueles lideres para tal procedimento? Experimentaríamos um sentimento frio e apático diante de semelhante atitude, não digo monstruosidade. É bem de se ver que nós humanos temos valores a preservar. Sendo um ser natimorto como quis o Relator da matéria, como poderia sobreviver, com possibilidade quase nula de sobreviver por mais de 24 horas. Então se reconhece a vida naquele corpinho humano como núcleo do julgamento!... E humano porque não está nascendo de um monstro. Ele não pode ganhar este conotativo porque não podemos dar esta conotação a quem o deu origem ou de onde ele nasce e vem. Sua vida é vida que se compara com qualquer outra. E não vamos buscar qualificar a vida aqui para dar um veredicto. Senão bastaria olhar ao redor para nos abastecer o poder de julgar e decidir sobre a possibilidade de sobrevivência (e não delimitar o tempo). Por menos e não por mais de 24 horas. Sou eu por acaso o autor da vida!?... Sou eu quem marca a sua extensão sobre a terra para os viventes!... Para os mortos não é preciso, eles já estão mortos, se esta é responsabilidade de quem pratica o ato de julgar!...
Fico confrontando os conhecimentos da verdadeira realidade uns com os outros. E raciocinando... Ao tempo do Código Penal não se conheciam recursos técnicos para se ter um conhecimento mais apurado dos anencéfalos. A vontade, em nome da honra mental e saúde da mulher, fez o Estado encontrar pseudo-razões para descriminalizar o aborto como fruto de um estupro. E estas meias-razões se fizeram razões inteiras e o aborto, como a cabeça de João Batista, foi colocado na bandeja e entregue a Herodíase para satisfazer a sua petulância e rancor. O que dizer hoje, não da barriga, mas do útero alugado? Satisfazer aos baixos e despudorados negócios de mulheres para conseguir recursos e gastá-los na compra de quinquilharias comercializadas nos shoppings? E dizer que o Estado não tem conhecimento? Nem meios ou normas que impeçam este crime, que é fato e verdade, espalhado, divulgado e abertamente pregado em nossas TVs, internet e meios de comunicação!.. Que maneira tão cruel de nos fazer a barba ouriçada e malcheirosa? Há uma profunda indignação, quando se trata destas coisas. Coisas que visivelmente tocam e enriquecem uma minoria, afrontosamente privilegiada em detrimento da grande massa do povo.
Não quero apenas lamentar. Quero sim protestar em nome daqueles que se sentiram feridos sem nada poder fazer, quando não somos conduzidos por critérios de justiça. Como seres humanos são capazes muitas vezes de acertos, são capazes noutras tantas também de erro. E este foi mais que lamentável.
Acho que meio mundo ficou indignado com essa decisão dos anencéfalos. Agora, a minoria não é a outra metade não. Há muitos que não querem opinar, há outros que têm medo de opinar e há aqueles que pensam ser a decisão fora dos propósitos mas preferem se calar. Não pode ser assim. Todos devem se manifestar para mostrar que o povo não queria solução assim, apesar respeitar a dor e os sentimentos dos outros.
ResponderExcluirNão posso saber como aconteceu uma decisão destas. A gente querendo julgar uma pessoa que certamente não tem direito ou não é sujeito de direito Isso dói quando este sujeito não pode gritar nem espernear ne nem protestar porque seu grito não é ouvido. Nio entanto o direito de outrem, que direito por direito, qualquer um é direito do tamanho do outro e precisa de proteção não é levado em conta. Assim a justiça humana não tem critérios nem parâmetros Não me convenceu esta solução, esta decisão. Justiça não tem tamanho assim como direito também não tem.
ResponderExcluirQuando nos tornarmos adultos entenderemos o alcance e estrago desta decisão. É só dar tempo pra ver.
ResponderExcluirSó não reage contra uma decisão destas que tem sangue de barata.
ResponderExcluirNão muito pra entender o que um juiz decide.
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